Copom reduz a Selic: o que isso significa para o seu dinheiro

Escrito por
Alberto Pompeu producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 19:04)
Legenda: A queda de hoje não é um número abstrato.
Foto: Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) anunciou, nesta quarta-feira (17), uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira.

14,25%
É a nova taxa Selic

A decisão era esperada por boa parte do mercado, mas traz consequências concretas para qualquer pessoa que tem dinheiro guardado, investido ou financiado no país.

Explico aqui, de forma direta, o que essa mudança significa na prática.

O que é a Selic e por que ela importa para você

A Selic é a taxa que o governo usa como referência para toda a economia. Quando ela sobe, o crédito fica mais caro, o consumo desacelera e o dinheiro rende mais em aplicações conservadoras.

Quando ela cai, o caminho é inverso: crédito mais barato, economia mais aquecida e rendimento menor nas aplicações mais simples.

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A queda de hoje não é um número abstrato. É um sinal de que o dinheiro parado na poupança ou no Tesouro Selic vai render menos daqui pra frente.

E pra quem ainda não investe ou investe pouco, ignorar esse movimento pode custar caro ao longo dos anos.

Como ficam os investimentos

A primeira consequência direta é no rendimento da renda fixa conservadora. Poupança, CDB de liquidez diária e Tesouro Selic entregam menos quando a Selic cai.

Não é catástrofe, mas é um rendimento real menor, especialmente se considerarmos que a inflação não para.

Por outro lado, a queda nos juros tende a beneficiar dois tipos de investimento que muita gente ainda subestima.

Os Fundos Imobiliários, os chamados FIIs, tendem a se valorizar quando os juros caem.

Isso porque o investidor começa a buscar alternativas que paguem mais do que a renda fixa básica, e os FIIs, que distribuem renda mensal aos seus cotistas, tornam-se mais atraentes nesse cenário.

As ações de empresas boas também se beneficiam. Juros mais baixos reduzem o custo de captação das companhias, melhoram as projeções de lucro e atraem mais investidores pra bolsa.

O que esperar daqui pra frente

A tendência, caso o cenário fiscal do país se mantenha sob controle, é que o Copom continue esse ciclo gradual de redução.

Isso não significa que a Selic vai cair de forma abrupta, mas que estamos num momento de transição que exige atenção e posicionamento adequado.

Quem espera pra entender o que está acontecendo depois que o mercado já se moveu costuma pagar mais caro pelos ativos que antes estavam acessíveis.

O tempo, nos investimentos, é o ativo mais valioso que existe.

Como investir pode proteger o seu dinheiro

Independente do cenário, a resposta para quem ainda não investia ou investia pouco continua a mesma: diversificação com método.

Não se trata de sair da renda fixa de forma desesperada. Trata-se de entender que uma carteira equilibrada, com renda fixa de qualidade, FIIs e ações de boas empresas, tende a render mais no longo prazo do que qualquer aplicação conservadora isolada.

O brasileiro que trabalhou a vida inteira e mantém tudo na poupança não está sendo prudente. Está, na prática, perdendo dinheiro pra inflação todo mês sem perceber.

A queda de hoje na Selic é mais um lembrete de que esperar o momento perfeito pra começar a investir é uma armadilha. O melhor momento sempre foi agora.

Alberto Pompeu é educador financeiro e maior influenciador de finanças pessoais do Nordeste brasileiro.

*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.

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