O governo quer pegar seu dinheiro emprestado: isso é bom para você?

Escrito por
Alberto Pompeu producaodiario@svm.com.br
Legenda: Para investir nessa modalidade é preciso estar atento ao prazo de resgate.
Foto: Shutterstock.

Seu Raimundo trabalha como eletricista em Fortaleza há mais de vinte anos. Nunca investiu um centavo. Não por falta de vontade, mas porque sempre achou que investimento era coisa de gente rica, de quem tinha sobra no fim do mês.

Na semana passada, um sobrinho mostrou a ele uma notícia: o governo federal estava oferecendo títulos pagando mais de 14% ao ano. Seu Raimundo olhou desconfiado.

"Por que o governo pagaria tanto assim?"

É uma pergunta honesta. E a resposta explica muita coisa sobre o momento que o Brasil está vivendo.

Quando o governo precisa de dinheiro para pagar suas contas, ele não vai ao banco pedir empréstimo como faz qualquer pessoa. Ele vai ao mercado e emite títulos públicos, que nada mais são do que promessas de pagamento. É como um "vale": você empresta R$ 100 hoje e o governo te devolve com juros depois de um tempo combinado.

O Tesouro Direto é o canal pelo qual qualquer brasileiro, mesmo quem ganha um salário mínimo, pode participar desse negócio diretamente.

O ponto central é este: quanto maior o risco que o mercado enxerga no país, mais o governo precisa oferecer para convencer as pessoas a emprestar. Hoje, com a inflação projetada acima de 5% para 2026 e um ambiente fiscal que preocupa os investidores, o governo está pagando juros altos para atrair quem tem dinheiro parado.

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Nesta semana, títulos prefixados do Tesouro chegaram a oferecer quase 15% ao ano, enquanto os títulos atrelados à inflação pagavam 8% ao ano acima do IPCA, os maiores níveis do ano.

Para quem tem contas a pagar e dívidas no cartão, isso não muda nada na hora. Mas para quem consegue guardar R$ 50, R$ 100, ou R$ 200 por mês, esse momento representa uma oportunidade rara.

É possível entrar no Tesouro Direto com menos de R$ 40.

Não é preciso ser rico. Não é preciso ter conta em banco de investimento. Qualquer pessoa com CPF e uma conta em corretora ou banco digital já consegue comprar.

Mas há um aviso importante: o Tesouro Direto não é uma poupança com taxa alta. Quem compra um título longo e precisa vender antes do vencimento pode receber menos do que aplicou, porque as taxas oscilam todos os dias.

Para quem quer segurança total e pode precisar do dinheiro a qualquer hora, o Tesouro Selic ainda é a opção mais indicada. Já para quem tem uma reserva de emergência formada e quer proteger o dinheiro da inflação por vários anos, os títulos IPCA+ podem ser uma escolha poderosa.

Seu Raimundo não precisa entender de economia para aproveitar esse momento. Ele precisa entender uma coisa simples: o governo precisa de dinheiro e está disposto a pagar bem por ele.

Quem emprestar com cabeça, respeitando o prazo e não apostando o que não pode perder, sai ganhando. O dinheiro que hoje dorme na poupança pode estar trabalhando muito mais para você e para sua família.

*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.

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