Tesouro Selic ou CDB: qual escolher com pouco dinheiro?

Escrito por
Alberto Pompeu producaodiario@svm.com.br
Legenda: Enquanto o Tesouro Selic tem risco soberano, o CDB depende da saúde financeira do banco emissor.
Foto: Shutterstock.

Seu Antônio é motorista de aplicativo em Fortaleza. Trabalha dez horas por dia, conseguiu guardar R$ 500 no mês passado e agora quer colocar esse dinheiro para trabalhar. Já ouviu falar em Tesouro Selic e CDB, mas tem uma dúvida razoável: são a mesma coisa?

Não são. E entender essa diferença pode valer dinheiro real no bolso.

O Tesouro Selic é um título emitido pelo governo federal. É o investimento ideal para quem precisa de liquidez ou quer construir um colchão de segurança, porque o risco é soberano: quem garante é o próprio governo brasileiro, a instância mais sólida do sistema financeiro do país.

O título rende próximo à taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,5% ao ano. Tem liquidez diária em dias úteis, o que significa que você aplica hoje e pode resgatar amanhã sem perder rendimento. Para quem está começando, há outro atrativo importante: investimentos de até R$ 10 mil no Tesouro Selic são isentos da taxa de custódia cobrada pela B3, o que torna o produto ainda mais vantajoso para quem ainda está dando os primeiros passos.

O CDB (Certificado de Depósito Bancário) funciona de forma diferente. Ao investir num CDB, você está emprestando dinheiro a um banco e recebendo juros por isso. O CDB conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos, o FGC, que assegura o pagamento de até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira em caso de falência ou intervenção no banco emissor.

A rentabilidade é expressa em percentual do CDI, taxa que acompanha de perto a Selic. CDBs com liquidez diária pagando 105% do CDI são comuns em 2026 e, no papel, rendem um pouco mais que o Tesouro Selic.

Mas aqui está o ponto que pouca gente explica com clareza: para quem investe até R$ 10 mil, o Tesouro Selic e um CDB que paga 100% do CDI se equiparam em rendimento líquido, porque os títulos públicos ficam isentos da taxa de custódia nesse limite. Na prática, para Seu Antônio com seus R$ 500, a diferença de retorno entre os dois é mínima. O que muda de verdade é o risco.

O Tesouro Selic tem risco soberano: não existe garantia mais sólida no Brasil. O CDB depende da saúde financeira do banco emissor.

Para quem está começando, a orientação é direta: prefira CDBs de bancos grandes e sólidos, como Itaú, Bradesco, Santander ou Caixa. Bancos menores e fintechs oferecem taxas mais altas justamente para atrair investidores, e o FGC existe como rede de proteção, mas mesmo com a garantia do FGC pode haver semanas de espera para recuperar o dinheiro em caso de intervenção.

Para quem ainda está formando a reserva de emergência, não vale a pena correr esse risco em troca de uma diferença pequena de rendimento.

Para Seu Antônio, o ideal seria: começar pelo Tesouro Selic para montar a reserva de emergência. É simples, sem taxa de custódia até R$ 10 mil, e você acessa por qualquer corretora gratuita com apenas alguns cliques. Quando a reserva estiver formada, com três a seis meses de despesas guardadas, aí sim vale explorar CDBs de bancos grandes com prazos maiores e taxas mais atrativas.

Com a Selic no patamar atual, o rendimento da renda fixa continua acima de 1% ao mês, enquanto o dinheiro parado na conta corrente não rende absolutamente nada.

Seu Antônio não precisa dominar o mercado financeiro. Ele precisa sair da inércia. E agora já sabe qual é o primeiro passo.

*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.

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