A eleição te paralisa, mas os dados dizem o contrário

Escrito por
Alberto Pompeu producaodiario@svm.com.br
Legenda: Nos últimos sete anos eleitorais, o Ibovespa caiu em três e subiu em quatro.
Foto: Stokkete/Shutterstock

Todo ano eleitoral eu recebo a mesma mensagem: "Alberto, vou esperar passar a eleição pra investir." E eu entendo o medo. Manchete de político, dólar oscilando, gente discutindo em grupo de família. Parece prudente esperar a poeira baixar antes de colocar dinheiro na Bolsa.

O problema é que a história brasileira mostra o contrário do que a intuição sugere.

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Nos últimos sete anos eleitorais, o Ibovespa caiu em apenas três deles, 1998, 2002 e 2014. Nos outros quatro, 2006, 2010, 2018 e 2022, o índice subiu. Em 2006, a alta foi de quase 33% no ano. Ou seja, historicamente, apostar contra a Bolsa em ano de eleição foi um erro mais frequente do que acertar.

Tem um levantamento da XP, feito com os pleitos de 2002 a 2018, que mostra um padrão ainda mais interessante. Na média, o Ibovespa caiu cerca de 6,7% no semestre anterior à votação, mas subiu por volta de 5,9% nos seis meses seguintes. Isso não é coincidência isolada. É o mercado precificando a incerteza antes e respirando aliviado depois, independentemente de quem ganha.

E o comportamento recente confirma essa lógica. Em 2022, entre julho e agosto, a Bolsa subiu 11,14%, a segunda maior alta pré-eleitoral dos últimos 20 anos, atrás apenas de 2014, quando avançou 15,27% no mesmo período. Ou seja, justamente quando o clima político estava mais tenso, o mercado estava precificando oportunidade, não catástrofe.

Por que isso acontece? Porque incerteza gera desconto. Quando ninguém sabe o que vai acontecer, o preço dos ativos cai para compensar o risco. E quando a definição chega, seja ela qual for, parte desse desconto desaparece. Quem comprou no meio do nervosismo geral costuma sair na frente.

Não estou dizendo que dá pra prever o resultado da Bolsa com base em quem vai ganhar a eleição. Os próprios analistas da XP são categóricos nisso: não existe padrão que amarre resultado eleitoral a desempenho do mercado. O que existe é um padrão de comportamento humano, o medo cresce antes do fato, some depois dele, e o preço dos ativos segue esse movimento emocional muito mais do que a lógica.

Se você segue meu método, sabe que eu não trabalho com timing de mercado. Trabalho com constância. Mas se você é dessas pessoas que estava esperando "passar a eleição" pra começar a investir, os números pedem uma reflexão. Historicamente, esse foi um dos piores motivos pra ficar parado.

O feijão com arroz continua sendo o mesmo, aporte mensal, ativos simples, paciência. Eleição vem e vai. O hábito de investir é que constrói patrimônio no longo prazo.

*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.

 
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