Metade do ano já passou. E as suas promessas financeiras?

Escrito por
Alberto Pompeu producaodiario@svm.com.br
Legenda: O patrimônio cresce quando uma parte do que você ganha é preservada e investida com disciplina
Foto: Kid Jr.

Seu Antônio, motorista de aplicativo aqui em Fortaleza, fez a mesma promessa de todo início de ano: organizar as contas e sair do vermelho. Em janeiro, a esperança era grande. Agora, em julho, ele confessa que nem abriu a planilha que prometeu preencher.

Ele não está sozinho. O Ceará fechou março de 2026 com 3,76 milhões de consumidores inadimplentes, mais da metade da população adulta do estado, segundo o Serasa.

E o dado nacional confirma o tamanho do problema: em junho, 81,6% das famílias brasileiras relataram ter dívidas a vencer, com a inadimplência estável em 29,9%, conforme a Confederação Nacional do Comércio (CNC).

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Cada brasileiro negativado deve, em média, R$ 6.920,63, quase quatro vezes o salário mínimo.

Há também uma notícia boa por aqui: em maio, o Ceará liderou a redução de inadimplência em todo o Nordeste, com quase 49 mil pessoas regularizando suas dívidas, a maior queda da região. Isso mostra que reverter a situação é possível, mas exige decisão.

Diante desse cenário, quero fazer uma pergunta direta: sua vida financeira melhorou desde janeiro?

Talvez você esteja ganhando mais, mas isso não significa necessariamente que esteja construindo patrimônio. Em muitos casos, cada aumento de renda é acompanhado por novos gastos, novas parcelas e um padrão de vida mais caro.

O salário cresce, mas a tranquilidade financeira continua no mesmo lugar. Para descobrir se você realmente avançou, responda com sinceridade a quatro perguntas.

A primeira: você reduziu alguma dívida? Não adianta buscar uma rentabilidade de 1% ao mês investindo enquanto paga juros muito maiores no cartão de crédito ou no cheque especial. Para quem está endividado, eliminar as dívidas mais caras deve ser prioridade.

A segunda: você começou a formar sua reserva de emergência? Imprevistos não marcam horário. Uma despesa médica, um problema no carro ou a perda de uma renda pode acontecer a qualquer momento. Sem reserva, qualquer dificuldade se transforma em dívida nova. Comece com pouco, mas comece.

A terceira: você investiu todos os meses? Muita gente espera sobrar dinheiro para investir. Mas quase nunca sobra. O investimento precisa ser tratado como um compromisso com o seu futuro.

Assim que receber, separe uma parte, mesmo que sejam R$ 50 ou R$ 100. No início, o mais importante não é o valor. É a criação do hábito.

A quarta: seu patrimônio cresceu ou apenas seus gastos aumentaram? Prosperidade não é parecer rico. É construir segurança, liberdade e dignidade para você e sua família.

O patrimônio cresce quando uma parte do que você ganha é preservada e investida com disciplina.

Se as respostas não foram boas, não use isso para se culpar. Use para acordar. O ano ainda não acabou.

Restam cinco meses, tempo suficiente para renegociar uma dívida, montar um orçamento, iniciar uma reserva e realizar os primeiros aportes. Se quase 49 mil cearenses conseguiram regularizar sua situação em um único mês, você também pode dar o primeiro passo.

Não espere janeiro chegar para repetir as mesmas promessas. Você não precisa de um ano novo para começar uma vida financeira nova.
A mudança pode começar no próximo salário. Porque quem aprende não depende.

*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.

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