Um corredor exclusivo para o transporte público será construído na BR-116, em Fortaleza. Com início na rotatória Manuel Dias Branco, no bairro de Fátima, a obra ligará o Centro da cidade até o bairro da Messejana, nas imediações do viaduto da Avenida Jornalista Thomaz Coelho.
Neste mês de julho, a Prefeitura abriu uma licitação para a escolha da empresa que vai projetar e implantar a passagem. Serão 9,2 quilômetros de extensão que devem complementar o corredor já existente na Avenida Aguanambi, com 2km. Um modelo semelhante é adotado na Avenida Bezerra de Menezes, com 3,3km.
As informações foram obtidas pelo Diário do Nordeste, por meio do Portal de Compras do Município, e confirmada em nota enviada pela Secretaria Municipal da Infraestrutura (Seinf) nesta quarta-feira (15).
Além da faixa exclusiva de ônibus, estão previstas plataformas elevadas de embarque e desembarque em nível e acesso por passarelas. O projeto prevê sete estações de passagem, sendo cinco novas estruturas e duas já existentes revitalizadas, destinadas à travessia segura dos pedestres.
Conforme previsto na licitação, as passarelas serão instaladas em pontos estratégicos ao longo da rodovia, sem detalhes da localização delas até o momento. O documento detalha que devem ser escolhidos pontos considerados críticos para a circulação urbana, como locais onde há fluxos de pedestres sem a segurança adequada.
Em nota, a Seinf afirma que a intervenção na BR-116 tem como objetivo “reduzir o tempo de viagem dos usuários do transporte coletivo, diminuir os congestionamentos em um dos principais acessos à cidade e tornar o transporte público mais rápido, seguro e eficiente”.
Importância das obras e prazos
Infraestrutura essencial para Fortaleza, a rodovia federal enfrenta um elevado volume de tráfego; possui conflitos frequentes entre ônibus, veículos pesados e urbanos; e registra altos índices de acidentes.
A intervenção é, então, uma estratégia de mobilidade urbana para solucionar problemas históricos na região, priorizando o transporte coletivo e melhorando a fluidez do trânsito.
Para a implantação do corredor, serão necessárias obras de drenagem, pavimentação, sinalização viária, acessibilidade e urbanização.
As intervenções complementares têm como objetivo priorizar o transporte público, promover maior fluidez ao tráfego, ampliar a segurança viária e garantir melhores condições de mobilidade urbana.
Durante o período de obras, haverá desvios de tráfego, sinalização provisória, relocação de pontos de parada de ônibus e mudanças temporárias na circulação.
O documento prevê que a vigência total da contratação é de 27 meses, contados a partir da data da assinatura do contrato. O tempo destinado efetivamente à execução dos serviços e obras é de 24 meses, que deve iniciar a partir do recebimento da Ordem de Serviço (OS).
O valor estimado da obra é de aproximadamente R$74 milhões, e a área de intervenção é de aproximadamente 483 mil m².
Conforme a Seinf, as obras têm embasamento em estudo realizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
moradores em um raio de 1km das obras podem ser impactados com o novo corredor, conforme o estudo.
Questionada pela reportagem sobre o início das intervenções, a Pasta respondeu que o prazo dependerá da conclusão do processo de licitação, atualmente em fase de recebimento das propostas.
Cenário ideal de transporte público
Uma análise do BNDES, publicada pelo Diário do Nordeste em maio deste ano, apontou que a Grande Fortaleza precisaria passar de 5,3 quilômetros (km) de BRT (Bus Rapid Transit) para 80,2 km do sistema de corredores de ônibus para chegar em um cenário ideal de transporte público na região.
O Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), produzido junto com o Ministério das Cidades, selecionou 11 propostas para desenvolver o transporte público da RMF. Desses, sete envolvem corredores exclusivos de ônibus.
O investimento total seria de R$5,2 bilhões, envolvendo requalificações e extensões dos BRTs já existentes, e implementação em três novas vias. O aporte inicial da extensão e requalificação na BR-116, segundo o estudo, é de R$ 1,097 bilhões para infraestrutura e frota.
Entre as melhorias previstas com a construção do corredor, conforme a licitação, estão:
- Melhoria nas condições de fluidez do tráfego na região;
- Eliminação dos conflitos viários envolvendo ônibus rodoviários e veículos pesados que transportam cargas e veículos;
- Inserção de um novo eixo para o sistema de transporte por ônibus (corredor);
- Melhorias na mobilidade dos modos não motorizados;
- Redução do tempo de percurso entre bairros situados na região Sul ao Centro de Fortaleza.
Relevância estratégica
O documento de licitação detalha que o trecho que receberá as obras possui “elevado fluxo de veículos particulares, transporte coletivo de passageiros e transporte de cargas”. Isso gera congestionamentos recorrentes, aumento do tempo de deslocamento, maior índice de acidentes e “redução da eficiência operacional do sistema viário existente”.
“A implantação do corredor de transporte em trecho da BR-116 trata-se de obra de infraestrutura viária de elevada relevância estratégica, que envolve soluções integradas de engenharia rodoviária, mobilidade, drenagem de águas pluviais, obras de arte especiais, segurança viária, interferências urbanas e adequações ambientais, que poderá demandar um determinado grau de inovação técnica e compatibilização entre projeto e execução”
A intervenção também é justificada pela importância central da região que é um integrador regional e nacional. O corredor conecta áreas urbanas, polos industriais, comerciais e logísticos, e também contribui para o desenvolvimento socioeconômico local e regional.
Nas proximidades do trecho compreendido da obra, estão a Base Aérea de Fortaleza (BAFZ), o futuro ITA Ceará, hospitais, o Aeroporto Internacional de Fortaleza e o Terminal de Messejana.
Obras já foram licitadas no passado
Em 2018, intervenções para o trecho do BRT da Aguanambi já chegaram a ser licitadas pela Prefeitura de Fortaleza, conforme matérias da época do Diário do Nordeste, mas não foram concretizadas.
A gestão afirmou, em 2024, que o projeto seria financiado pelo Governo Federal por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas sem data para iniciar.
Já em abril deste ano, uma Licença de Instalação foi publicada no Diário Oficial do Município para execução da obra. A Seinf informou, à época, que o projeto ainda estava em fase de desenvolvimento.
“Após a conclusão desta etapa, o projeto seguirá para o processo de licitação. A obra tem como objetivo melhorar o corredor de transporte urbano da cidade, atuando para reduzir o fluxo pesado no acesso ao centro da cidade”, afirmou a pasta por meio de nota.
A partir dessa expansão, outro trecho é sugerido pelo estudo: continuar o BRT do terminal da Messejana até Itaitinga via BR-116, com mais 16,4 km do sistema. Atendendo indiretamente Eusébio e Aquiraz, seriam necessários mais R$ 694 milhões para infraestrutura e frota.