Um tubarão foi encontrado no Rio Jaguaribe, na altura da cidade de Fortim, litoral do Ceará, nesta quarta-feira (5). O animal pertence à espécie Carcharhinus obscurus, considerada ameaçada de extinção (EN), segundo Vicente Vieira Faria, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e doutor em Ecologia e Biologia Evolutiva.
Conforme o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a espécie pode ser chamada popularmente cabeça-chata-do-sul, cação-baía, cação-fidalgo e machote. "Eu iria de fidalgo, mas é algo sem rigor científico. É nome popular e varia regionalmente”, pondera o professor.
Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram o animal amarrado a um barco, sem esboçar reação. Em algumas imagens, é possível ver uma pessoa passando a mão na boca do tubarão.
“Pelo que vimos lá, ele não estava com saúde, pois uma espécie dessas, desse tamanho, ser pega na beira do rio, com certeza não estava bem. Estava com alguma fragilidade”, contou ao Diário do Nordeste um bugueiro local que não se identificou.
Não há informações sobre o que foi feito com o animal após os registros.
TUBARÃO NO RIO?
Segundo o professor Vicente Vieira, os tubarões são parte integrante da fauna da costa cearense. Mais de 30 espécies de tubarões ocorrem aqui no estado.
“Não temos registros oficiais de incidentes com tubarões envolvendo banhistas na costa do nosso estado. Além disso, esses animais frequentam bocas de rio como parte de seu ciclo de vida. Dessa forma, podemos considerar que o animal não representava nenhum risco ao ser humano”, explica o biólogo.
CONSUMO DE TUBARÃO
Nos comentários das publicações, alguns internautas levantaram a possibilidade do animal ter sido comido, o que, segundo o professor, não deve ser incentivado.
“Cabe ressaltar que muitas espécies de tubarões estão atualmente ameaçadas de extinção. Além disso, muitas espécies têm elevados níveis de contaminantes em sua carne. Dessa forma, a sua captura e o seu consumo não devem ser incentivados”, alertou o doutor.
CRIME AMBIENTAL
Questionado se esse tipo de captura pode ser considerada ilegal, já que é uma espécie ameaçada, o professor afirmou que “sim”. E que o procedimento correto é não capturar o animal e deixar em seu habitat.
No Brasil, é crime ambiental, conforme a Lei de Crimes Ambientais, pegar, caçar, apanhar ou matar animal silvestre ameaçado de extinção.
A ação pode gerar pena de detenção de seis meses a um ano e multa, sendo aumentada pela metade por se tratar de espécie ameaçada. Além da pena criminal, o responsável pode receber multas administrativas, e o caso pode ser julgado pela Justiça Federal.