Notas do CE no Ideb voltam a crescer em 2 etapas, mas Ensino Médio não atinge meta

Principal indicador da educação brasileira teve a edição 2025 divulgada nesta quarta-feira (5).

Escrito por Alexia Vieira alexia.vieira@svm.com.br
05 de Agosto de 2026 - 17:00
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Legenda: Estado tem o maior número de escolas com nota máxima do País.
Foto: Camila Lima.

O Ceará voltou a registrar crescimento no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) nas etapas do Ensino Médio e dos anos finais do Ensino Fundamental. A edição de 2025 do indicador, divulgada nesta quinta-feira (5) pelo Ministério da Educação (MEC), mostrou que o Estado superou a estagnação pós-pandêmica nessas duas fases de ensino. No entanto, embora tenha melhorado índices, o Ensino Médio não atingiu a meta. 

Principal índice usado para medir a qualidade da educação brasileira, o Ideb é calculado a partir do desempenho dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e das taxas de aprovação apuradas pelo Censo Escolar. 

No Ensino Fundamental, o Ceará superou as metas estipuladas de 5,4 para os anos iniciais (1° ao 5º ano) e de 5,1 para os anos finais (6º ao 9º ano). 

O indicador dos anos finais do Ensino Fundamental também sofreu uma estagnação nos últimos anos. Apesar de não ter registrado redução na pandemia, os anos de 2021 e 2023 tiveram o mesmo índice: 5,5. Em 2025, a média cresceu novamente e alcançou 5,7. 

Já a nota dos anos iniciais do Ensino Fundamental caiu em 2021, mas não ficou estacionada. Em 2023, o índice cresceu 0,3 pontos e, em 2025, mais 0,2, chegando a 6,8. 

Nessas etapas, o Ceará se destaca nacionalmente. Nos anos iniciais, o Estado tem o segundo melhor índice, ficando atrás apenas do Paraná, que tem nota 7. Nos anos finais, divide o segundo lugar com Goiás, sendo superados novamente pelo Paraná (5,9).

Já no Ensino Médio, em 2025, o Ideb dos estudantes do Ceará foi de 4,5. Na edição de 2019, a nota foi de 4,4, mas caiu 0,1 durante a pandemia, ficando com 4,3 no Ideb de 2021. Em 2023, ela continuou estagnada em 4,3.

Apesar da média de 2025 ser a maior já conquistada pelo Estado nessa etapa escolar desde a criação do índice, em 2007, ela não atingiu a meta preestabelecida pelo Ministério da Educação (MEC) de 5,1 — que deveria ter sido alcançada ainda em 2021. 

Desde 2011, o Ceará não consegue alcançar os marcos de melhoria do Ideb no Ensino Médio. Isso mostra os desafios ainda presentes para garantir o avanço da qualidade nessa etapa escolar no passo pactuado no Plano Nacional da Educação (PNE).

O Estado não está sozinho. Das 27 unidades da federação, apenas o Piauí conseguiu atingir a meta de 2021 para o Ensino Médio, de 4,8, e ainda houve atraso. A média foi superada somente em 2025, quando o Piauí conseguiu índice 5 na etapa. 

Recuperação do Brasil foi mais rápida do que o esperado no pós-pandemia, diz ministro

Em entrevista coletiva sobre o Ideb 2025 nesta quarta-feira (5), em Brasília, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, destacou que esta edição do Ideb marca o fechamento de um período de 20 anos de avaliações constantes da educação brasileira, com foco na proficiência e no fluxo dos estudantes. No próximo ciclo, segundo ele, o foco será na aprendizagem, com atenção especial aos anos finais do ensino fundamental e no Ensino Médio.

"Toda a estratégia do Ministério da Educação agora — estratégia essa que vamos apresentar em outubro, que é a demanda do Plano Nacional de Educação, aprovado em abril deste ano —, é que a gente tenha um foco especial na aprendizagem, obviamente sem esquecer da equidade", declarou Barchini.

O ministro também ressaltou que o desempenho educacional do Brasil no pós-pandemia foi superior ao de outros países. "Os relatórios internacionais dos organismos internacionais apontavam que o Brasil demoraria de 10 a 13 anos para conseguir voltar aos níveis pré-pandemia", contextualizou.

"E os resultados do Ideb mostram é que, tanto na proficiência quanto no fluxo, a gente conseguiu, em apenas dois ciclos, ou seja, em quatro anos, voltar àquela situação pré-pandemia. Então, a recuperação do Brasil, ao contrário de muitos países do mundo, foi mais rápida", completou.

VEJA O CENÁRIO DO CE EM RELAÇÃO A OUTROS ESTADOS 

O que é o Ideb?

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foi criado em 2007 na esteira do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). É um indicador que combina o desempenho dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) com as taxas de aprovação apuradas pelo Censo Escolar.

O resultado são dados que permitem acompanhar a qualidade da educação básica brasileira. Eles integram um conjunto de indicadores utilizados para o monitoramento das metas educacionais previstas no Plano Nacional de Educação (PNE). 

Uma vez que a vigência do PNE foi prorrogada até 31 de dezembro de 2025, o Ideb permanece como referência para o monitoramento de políticas educacionais e avaliação de avanços e desafios dos objetivos estabelecidos pelo PNE durante o período de vigência. 

Como é calculado o Ideb?

Os resultados do Ideb são calculados a partir dos dados de aprovação escolar coletados pelo Censo Escolar e das médias de desempenho obtidas no Saeb.

O índice varia de 0 a 10, e combina indicadores de fluxo escolar e de desempenho dos estudantes. Essa metodologia permite analisar, de forma conjunta, informações sobre aprovação e aprendizagem, considerando que alterações em um desses componentes influenciam o resultado do indicador.

Os dados são utilizados para o acompanhamento e a análise de indicadores da educação básica, conforme a metodologia estabelecida para o índice.

A nota é utilizada como indicador de qualidade educacional desde 2005. Em 2007, entraram em vigor metas a serem alcançadas a cada nova edição, divulgada a cada dois anos pelo Inep. Contudo, elas só foram estabelecidas até 2021.

Para que serve o Ideb?

O Ideb auxilia no monitoramento do sistema de ensino do País por meio do diagnóstico e do norteamento de ações políticas. Ele contribui para:

  • Detectar escolas e/ou redes de ensino cujos alunos apresentem baixa performance em termos de rendimento e proficiência;
  • Monitorar a evolução temporal do desempenho dos alunos dessas escolas e/ou redes de ensino;
  • Direcionar programas para promover o desenvolvimento educacional de redes de ensino em que os alunos apresentam baixo desempenho;
  • Reduzir desigualdades, apoiar a gestão escolar e fomentar o debate público sobre qualidade educacional no Brasil, influenciando desde políticas governamentais até projetos de organizações da sociedade civil.
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