O plano de reforma para o Hospital Geral Dr. César Cals, unidade da rede pública estadual no Centro de Fortaleza que foi fechada após um incêndio em novembro de 2025, já foi entregue à Superintendência de Obras Públicas (SOP).
Em entrevista à Verdinha FM, a secretária da Saúde do Estado, Tânia Mara Coelho, confirmou o envio e afirmou que o estudo definiu quais serviços ficarão no hospital.
“Antes do incêndio, a gente já tinha transferido a parte clínica e cirúrgica, que já estava no Hospital Universitário do Ceará (HUC). Depois do incêndio, foi toda a parte de maternidade e neonatologia. Praticamente nós vamos ficar com os mesmos serviços, com ampliação de algo importante para a população, que são as vagas de UTI. Queremos aumentar também os leitos cirúrgicos”, disse.
O plano entregue à SOP ainda vai passar por orçamento, para então seguir um processo licitatório de contrato do serviço da obra. Apesar do trâmite burocrático ainda demandar tempo, Tânia afirma que a determinação do governo estadual é para que o Hospital volte a funcionar “o mais rápido possível”.
Em nota, a Superintendência informou que as melhorias para a estrutura do Hospital Geral Dr. César Cals (HGCC) estão em “estudo preliminar e em tratativa com a Secretaria da Saúde (Sesa), para definir as intervenções a serem realizadas na unidade hospitalar”. Porém, não há previsão para início do processo licitatório.
Na última semana, a reportagem foi ao local, mas não havia nenhum sinal de obra. O espaço segue fechado, inclusive com correntes nas portas.
Hospital deve ser demolido para construção de novo prédio
Funcionando por quase 100 anos no Centro de Fortaleza, a unidade já tinha uma estrutura incompatível com as demandas atuais.
Em 2025, depois da inauguração do HUC, diversos serviços foram transferidos para o novo hospital no bairro Itaperi. Servidores da unidade centenária chegaram a protestar pela continuação dos atendimentos no Centro.
Após o incêndio em uma subestação de energia em novembro passado, os últimos pacientes (117 bebês e 153 mães e acompanhantes) e funcionários foram realocados. Com isso, foi fechado por tempo indeterminado.
Em abril de 2026, o governador Elmano de Freitas (PT) afirmou ao Diário do Nordeste que o César Cals precisaria ser “derrubado” e, no local, construído um novo prédio. Em maio, ele mencionou que o governo estudava ainda mudar o perfil de atendimento do hospital.
Incêndio mobilizou população e expôs fragilidades do hospital
O incêndio, registrado no dia 13 de novembro de 2025, mobilizou todo o entorno do Hospital para transportar os pacientes enquanto a fumaça era controlada. O fogo atingiu apenas a subestação de energia, não afetando a área de atendimento. No entanto, houve falta de energia.
Vendedores do centro de comércio conhecido como Beco da Poeira, localizado na frente do hospital, acomodaram bebês em incubadoras, profissionais e mães nas lojas. No mesmo dia, todos foram transferidos para outras unidades de saúde.
Depois do incidente, foi anunciada a abertura de 185 leitos obstétricos/neonatais no Hospital Universitário do Ceará, 60 no Hospital e Maternidade Dra. Zilda Arns Neumann (Hospital da Mulher) e 40 no Hospital Distrital Gonzaga Mota (Gonzaguinha da Messejana).