O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025, divulgado nessa quarta-feira (5) pelo Ministério da Educação (MEC), revelou que 51 escolas do Ceará atingiram a nota máxima na avaliação nos anos iniciais, ou seja, no 1º ciclo de aprendizagem do ensino fundamental.
Além do Ceará, apenas o estado de Alagoas registrou escolas com nota máxima, com 26 escolas com nota 10. O período compreende do 1º ao 5º ano e é direcionado a crianças de 6 a 10 anos de idade.
Na rede de ensino cearense, o número de escolas que atingiram a nota 10 na etapa em 2025 é maior do que o registrado no Ideb 2023, que teve apenas 15 escolas cearenses com nota máxima nos anos iniciais.
Os resultados do Ideb são calculados a partir dos dados do Censo Escolar e das médias de desempenho obtidas no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Para atingir a nota máxima, as escolas devem registrar bons indicadores de fluxo escolar e de desempenho dos estudantes.
O Ideb 2025 aponta que o Ceará registrou crescimento na avaliação em duas etapas de ensino: os anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.
Quais cidades tiveram mais escolas no ranking?
Cinco cidades cearenses tiveram o maior número de escolas com bons resultados nos anos iniciais, segundo o Ideb 2025. Sobral, na região Norte do Estado, teve o maior número de escolas com nota 10 nessa etapa da aprendizagem, com nove instituições de ensino no ranking.
Os municípios de Coreaú, Cruz e Pedra Branca também se destacaram, com sete escolas cada. Já a cidade de Pires Ferreira teve quatro escolas na lista. Ao todo, 20 municípios do Ceará aparecem no ranking.
Confira a lista completa:
- EEIEF José Davi Portela (Alcântaras)
- EEIEF Maria dos Santos Moreira (Alcântaras)
- EEIEF Joaquim Ferreira da Silva (Ararendá)
- EEF Pedro Rodrigues Alexandrino (Camocim)
- EEIF Filomena Belarmina Nau (Catunda)
- Escola Municipal Coração de Jesus (Coreaú)
- Escola Municipal José de Sales (Coreaú)
- Escola Municipal Pedro Conrado (Coreaú)
- Escola Municipal São Joaquim (Coreaú)
- Escola Municipal Santo Antônio (Coreaú)
- Escola Municipal Vereador Raimundo Cardoso de Albuquerque (Coreaú)
- Escola Municipal Francisca das Chagas de Aguiar (Coreaú)
- Adriana Gomes da Silva Fernandes Esc CID (Crateús)
- EEIEF Joana Bezerra da Costa (Croatá)
- Santa Cecília EEF (Cruz)
- Filomeno Freitas Vasconcelos EEF (Cruz)
- João Evangelista da Cruz EEF (Cruz)
- Professora Maria Alice do Nascimento Centro de Educação Básica (Cruz)
- João Ladislau de Paulo Magalhães EEF (Cruz)
- Escola de Ensino Infantil e Fundamental Francisco Benedito de Farias (Cruz)
- Constância de Sousa Muniz EEIF (Cruz)
- Escola Municipal em Tempo Integral Francisca Josué de Souza Carneiro (Deputado Irapuan Pinheiro)
- Escola Municipal em Tempo Integral São Caetano (Deputado Irapuan Pinheiro)
- Maria do Carmo Cardoso EEIF (Independência)
- José Domingos de Morais EEF (Ipaporanga)
- José Ximenes Albuquerque EEIF (Meruoca)
- Roberto de Sá Benevides EEF (Mombaça)
- José Liberalino da Silva EEIEF (Nova Olinda)
- Zilmar Mendes Martins EMEF (Nova Russas)
- Antônio Moreira de Souza EEF em Tempo Integral (Pedra Branca)
- Maria Alves de Oliveira EEF em Tempo Integral (Pedra Branca)
- Manoel Luiz de Carvalho EEIF (Pedra Branca)
- Sol Nascente EEF (Pedra Branca)
- Francisco Antônio Apolônio EEIF (Pedra Branca)
- João Manoel Filho EEF em Tempo Integral (Pedra Branca)
- Antônio Torquato de Souza EEF (Pedra Branca)
- Reino Infantil EMEF (Piquet Carneiro)
- EMTI Antônio Silvano Balaço (Pires Ferreira)
- EMTI Joaquim Rosa Barbosa (Pires Ferreira)
- EMTI Manoel Farias Mororó (Pires Ferreira)
- EMTI Centro Educacional Rural (Pires Ferreira)
- Francisco Alexandre de Carvalho EEIF (Senador Sá)
- Escola Antônio Mendes Carneiro (Sobral)
- Escola Joaquim Barreto Lima (Sobral)
- Escola Leonília Gomes Parente (Sobral)
- Escola Raimundo Santana (Sobral)
- Escola Raimundo Pimentel Gomes (Sobral)
- Escola Mocinha Rodrigues (Sobral)
- Escola Antônio Custódio de Azevedo (Sobral)
- Escola Maria Yedda Félix Frota Mont'Alverne (Sobral)
- Escola Maria das Graças Teixeira Pontes (Sobral)
Nota máxima indica bom caminho, mas suscita dúvidas
Apesar de o resultado do Ideb 2025 ter sido positivo para o Ceará, alcançar a nota máxima na avaliação não é sinônimo de uma educação sem falhas.
Em entrevista ao Diário do Nordeste, a coordenadora de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, Natália Fregonesi, destaca que a nota 10 sugere que as redes municipais de ensino cearense têm políticas consistentes e estruturantes, mas "não significa necessariamente que todos os desafios educacionais tenham sido superados".
"Assim como qualquer tipo de indicador, o Ideb tenta sintetizar uma realidade que é complexa. Então, ele captura só parte da qualidade da educação", pontua Natália.
Para ela, o ranking precisa de atualizações para conseguir capturar um cenário mais preciso da educação básica brasileira.
"Acho que é importante mencionar que notas que são muito elevadas podem suscitar algumas questões sobre o comportamento das redes de ensino nessas provas, nessas avaliações — como, por exemplo, uma forte concentração de esforços nas séries e nas disciplinas que são avaliadas, especialmente nos anos específicos da avaliação, priorização de estudante nas avaliações ou outras estratégias que são voltadas para maximizar o indicador, mais do que pensadas para promover uma melhoria ampla da aprendizagem", avalia Fregonesi.
"Isso, é claro, não significa que essas práticas tenham ocorrido nesses municípios, e não diminui os méritos dessas redes, que de fato merecem ser reconhecidas pelos resultados alcançados", conclui.
O que é o Ideb?
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foi criado em 2007 na esteira do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). É um indicador que combina o desempenho dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) com as taxas de aprovação apuradas pelo Censo Escolar.
O resultado são dados que permitem acompanhar a qualidade da educação básica brasileira. Eles integram um conjunto de indicadores utilizados para o monitoramento das metas educacionais previstas no Plano Nacional de Educação (PNE).
Uma vez que a vigência do PNE foi prorrogada até 31 de dezembro de 2025, o Ideb permanece como referência para o monitoramento de políticas educacionais e avaliação de avanços e desafios dos objetivos estabelecidos pelo PNE durante o período de vigência.
Como é calculado o Ideb?
Os resultados do Ideb são calculados a partir dos dados de aprovação escolar coletados pelo Censo Escolar e das médias de desempenho obtidas no Saeb.
O índice varia de 0 a 10, e combina indicadores de fluxo escolar e de desempenho dos estudantes. Essa metodologia permite analisar, de forma conjunta, informações sobre aprovação e aprendizagem, considerando que alterações em um desses componentes influenciam o resultado do indicador.
Os dados são utilizados para o acompanhamento e a análise de indicadores da educação básica, conforme a metodologia estabelecida para o índice.
A nota é utilizada como indicador de qualidade educacional desde 2005. Em 2007, entraram em vigor metas a serem alcançadas a cada nova edição, divulgada a cada dois anos pelo Inep. Contudo, elas só foram estabelecidas até 2021.
Para que serve o Ideb?
O Ideb auxilia no monitoramento do sistema de ensino do País por meio do diagnóstico e do norteamento de ações políticas. Ele contribui para:
- Detectar escolas e/ou redes de ensino cujos alunos apresentem baixa performance em termos de rendimento e proficiência;
- Monitorar a evolução temporal do desempenho dos alunos dessas escolas e/ou redes de ensino;
- Direcionar programas para promover o desenvolvimento educacional de redes de ensino em que os alunos apresentam baixo desempenho;
- Reduzir desigualdades, apoiar a gestão escolar e fomentar o debate público sobre qualidade educacional no Brasil, influenciando desde políticas governamentais até projetos de organizações da sociedade civil.