Pastor é preso no Maranhão por abusos e castigos físicos em igreja

Vítimas eram, geralmente, pessoas em estado de extrema vulnerabilidade social.

Escrito por
Redação producaodiario@svm.com.br
(Atualizado às 17:27)
Legenda: Além das agressões diretas, o suspeito utilizava a fome como ferramenta de punição.
Foto: Reprodução/Polícia Civil do Maranhão.

Um pastor está sendo investigado no Maranhão sob a suspeita de utilizar sua estrutura religiosa para aplicar castigos físicos e cometer abusos sexuais.

A polícia afirma que o esquema de punições servia para que o líder mantivesse o controle sobre cerca de 100 a 150 seguidores por diversos anos.

Conforme noticiado pelo portal g1, as vítimas eram geralmente pessoas em estado de extrema vulnerabilidade social, como um jovem que buscou auxílio na igreja aos 13 anos enquanto vivia nas ruas. 

Os relatos indicam que as agressões eram frequentes e tinham nomes específicos, como as "readas", que consistiam em chicotadas com um reio.

Castigos para seguidores 'desobedientes'

Conforme as investigações, esses castigos ocorriam sempre que alguém "desobedecia" às ordens do pastor ou infringia regras internas.

"Se a gente não fizesse o que ele queria, a gente era punido. Ele deixava a gente de canto, fazia a gente ficar sem comer, fazia a gente apanhar se a gente não fizesse o desejo dele", declarou uma vítima.

Além das agressões diretas, o suspeito utilizava a fome como ferramenta de punição. Em áudios obtidos pela investigação, o pastor afirmava: "Até resolver a situação da bomba, estão sem comer".

Foto de pessoas que foram vítimas de violências por pastor do Maranhão.
Legenda: Estrutura religiosa era usada para a prática de abusos sexuais.
Foto: Reprodução/Polícia Civil do Maranhão.

Outra forma de castigo psicológico consistia em obrigar os fiéis a escreverem repetidamente em folhas de papel a frase "eu preciso aprender a respeitar o meu líder".

Abusos sexuais

A investigação apontou que o pastor se referia aos seus seguidores como "piões" e o local de dormitório era chamado de "baia".

As agressões físicas e a pressão psicológica também eram utilizadas para facilitar a prática de abusos sexuais, que tinham como alvo principal os homens da comunidade. 

"Ele dizia que, por fora, podia ser homem, mas que, em quatro paredes, tinha que ser mulher para poder nos ludibriar", narrou uma vítima, que disse viver "atormentado" e "com muitas lembranças".

Veja também

Para garantir que ninguém fugisse ou fizesse denúncias, havia uma vigilância rigorosa, com câmeras instaladas inclusive nos banheiros e a proibição de contato com o mundo exterior.

A Polícia Civil do Maranhão segue com o inquérito para localizar novas vítimas e colher mais evidências sobre o caso.

Assuntos Relacionados