A importância da graxa na lubrificação do carro

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Derivada do petróleo, a graxa é necessária para evitar o desgastes de componentes onde o atrito acontece frequentemente, seja nas máquinas ou também nos veículos automotores

Se você já esteve em uma oficina, notou facilmente uma coisa pastosa escura em algum canto do estabelecimento. Algumas parecem com doce de leite, outras mais escuras podem ter cara de brigadeiro. Mas a semelhança com as iguarias para aí. Já que os humanos não podem devorar uma colherada de graxa, os veículos, por sua vez, a adoram.

A graxa é um lubrificante semissólido. Ela é a combinação de um lubrificante líquido com um emulsificante que age como uma esponja. Essa ´ação esponja´ que ajuda a segurá-lo nos pontos em que uma versão líquida escorreria.

Dentre os principais objetivos da utilização da graxa, vale ressaltar a redução de desgaste das peças, do atrito e das vibrações, além de proteger contra a corrosão e diminuir ruídos. O preço deste produto não é alto. Na Auto Peças Padre Cícero, um pote de graxa Marfak (500g), cujas aplicações são múltiplas, custa R$ 12,30. Segundo o gerente da unidade na avenida Antônio Sales, Fabiano Barros, "esta é uma graxa usada mais em rolamentos".

Existe também um tipo de graxa muito usada nos veículos, a grafitada. "É para partes como as juntas homocinéticas. As fabricantes já costumam enviá-la dentro da peça que você irá trocar, mas pode ser encontrada separadamente", afirma. Seu preço é de R$ 2,50. Antes de prosseguirmos com o assunto, fica a explicação: juntas homocinéticas são peças que fazem a ligação da caixa de marcha às rodas; são elas quem fazem o giro das rodas nos carros (veja conteúdo multimídia).

Graxa líquida

Se você está acostumado com a graxa pastosa, saiba que também existe este lubrificante na forma líquida. Conhecida também como "graxa branca", tem como finalidade criar uma película protetora de alta duração, reduzindo também o desgaste e atrito, além de suportar o arrasto por água e centrifugação. A graxa branca é comercializada na forma de spray e tem ótima resistência à água salgada, soluções ácidas e alcalinas, maresia, alta temperatura e pressão.

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De acordo com o técnico em manutenção Josemberg Vieira da Cunha, que trabalha na Fiat Vouga, "a graxa spray é mais indicada para componentes com partes metálicas e aluminizadas", afirma. Um local que sempre merece atenção deste produto são os bornes da bateria. "Como nela existem produtos químicos que podem entrar em contato com a atmosfera, com a graxa spray você consegue isolar e proteger para que os bornes são sejam corroídos", esclarece. Outra aplicação possível é nos limitadores de porta, onde a graxa spray é colocada para evitar barulhos e não permitir a penetração de poeira.

Tipos

Se fôssemos tratar de todos tipos de graxas existentes, o espaço seria pequeno. Apenas para aguçar a curiosidade, sabia que provavelmente você come alimentos que tiveram contato com a graxa? Aquele arroz branquinho que sai da panela pode sim ter se cozinhado contando seus segredos para uma delas: o teflon. A fórmula química deste polímero, cientificamente chamado de Politetrafluoretileno, é considerado um dos tipos de graxa.

Além desta, há graxa de cálcio, de sódio, lítio, bário, cobre, silicone, vaselina, grafite, glicerol e alumínio. Como as mais usadas nos veículos são as já citadas "grafitada", "branca" ou a de "múltiplas aplicações", não há motivos para explicações mais detalhadas.

E se você é daqueles que olha com vista grossa quando tem de ´enfiar a mão na graxa´, ao invés de ´o pé na jaca´, existem no mercado produtos que fazem a remoção facilmente deste lubrificante da pele. Muitos usam a querosene ou um removedor, mas o cheiro é forte e resseca mais rapidamente o tecido epitelial.

Um outro produto menos nocivo à saúde são os multilimpadores, como o da Tecbril (foto 2). "Serve tanto para as mãos como para a limpeza da carroceria do carro. Antigamente vendia-se uma pasta que as pessoas podiam passar na mão e, após o trabalho com a graxa, fazer a remoção com água. Mas agora ele substituiu essa versão em pasta muito bem", ressalta Fabiano Barros. O multilimpador custa, em média, R$ 13,00.

Fique por dentro

O precursor

Em 1859 nos campos petrolíferos da Pensilvânia (EUA), o coronel Edwin Drake contratou uma equipe de perfuradores, dando a eles condições de extrair petróleo sem que entrasse em contato com a água. Até então, o processo utilizado era a ´exsudação´. Na época, produzir 10 barris por dia era uma feito enorme. Com o tempo, os lubrificantes de petróleo substituíram os demais porque suportavam o calor por mais tempo sem se decompor e eram mais baratos.