Priscila Costa se solidariza após Michelle deixar PL Mulher: 'Não é fácil ver injustiças'

Vereadora de Fortaleza e vice-presidente do segmento feminino do PL emitiu uma manifestação nesta quarta-feira (1º).

Escrito por Bruno Leite bruno.leite@svm.com.br
01 de Julho de 2026 - 19:00
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Legenda: Declarações da cearense foram as primeiras relacionadas à Michelle desde o início do conflito envolvendo o Ceará.
Foto: Reprodução/Flickr/PL Mulher.

A vereadora de Fortaleza e vice-presidente do PL Mulher, Priscila Costa, se solidarizou com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro após ela deixar o comando do setor feminino do Partido Liberal (PL). A parlamentar se manifestou por meio de uma postagem nas redes sociais, nesta quarta-feira (1º), na qual ela aparece ao lado da aliada.

Na legenda, Priscila escreveu que Michelle reúne "coragem, lealdade e fé". E que ela seria alguém com a capacidade de "enfrentar os grandes obstáculos e desafios da política e, no fim do dia, voltar para casa para cuidar das filhas".

"Não é fácil ver injustiças e perseguições contra o seu marido e, ainda assim, permanecer firme diante de uma nação. Mas foi exatamente isso que vi Michelle fazer, dia após dia", continuou ela.

O longo texto menciona a participação da ex-primeira-dama na articulação política em torno de nomes do grupo em diferentes diretórios estaduais. Segundo Priscila, a esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro fortaleceu "mulheres em todo o Brasil" e "consolidou um projeto que hoje alcança todos os estados do país". 

"Tive a honra de caminhar ao seu lado como vice-presidente nacional, aprendendo diariamente com seu exemplo de firmeza, humildade e dedicação. Levo comigo a gratidão por cada oportunidade de servir sob sua liderança e pela confiança que sempre depositou em mim", discorreu Priscila. 

O gesto da parlamentar cearense foi semelhante ao de outras integrantes do PL Mulher, que também publicaram manifestações — algumas delas compartilhadas com o perfil de Michelle Bolsonaro no Instagram — relacionadas com a saída da ex-primeira-dama da direção nacional do agrupamento.

A manifestação de Priscila é a primeira emitida por ela desde o início do conflito envolvendo o Ceará e a sua pré-candidatura ao Senado Federal. Atualmente, o PL Ceará tem defendido o lançamento do deputado estadual Alcides Fernandes numa chapa majoritária junto com Ciro Gomes, pré-candidato ao Governo do Ceará pelo PSDB. 

Atualmente, a vereadora vive outro em sua trajetória política. Quase um mês depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidir que ela deve assumir vaga na Câmara dos Deputados, ela ainda aguarda a definição da data de posse como deputada federal.

Decisão de Michelle foi publicizada na terça

A decisão de deixar a presidência do setor feminino do PL foi tornada pública por Michelle nessa terça-feira (30), através de uma postagem nas redes sociais dela, do partido, do PL Mulher e na de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do Partido Liberal.

No comunicado, ela disse que se reuniu com Valdemar, para lhe comunicar que resolveu sair da presidência do PL Mulher. Conforme alegou, a partir de agora ela irá se dedicar integralmente aos cuidados do seu marido e da sua filha.

O informativo cita o seu trabalho à frente do órgão partidário para impulsionar figuras femininas ligadas ao PL. Nele, ela menciona nominalmente Priscila Costa para agradecer às aliadas que comandam instâncias em estados e municípios. "Sem vocês, nada disso seria possível", disse.

Despedida ocorre uma semana após vídeos expondo crise

A saída de Michelle do comando do PL Mulher acontece uma semana após ela publicar vídeos expondo a crise no PL por articulações em prol da candidatura de Ciro Gomes. Segundo ela, a aliança bolsonarista deveria se unir em torno da pré-candidatura ao Executivo do senador Eduardo Girão. 

Michelle declarou ainda que há uma tentativa de retirar a vereadora Priscila Costa da disputa pelo Senado. De acordo com ela, a movimentação representa uma "traição" a Jair Bolsonaro, que, em comum acordo com ela e com o presidente nacional do partido já teria decidido lançar uma chapa pura ao Senado no Ceará.

"O que aconteceu depois foi que, aproveitando-se da prisão do Jair, começaram a trabalhar para eliminar a Priscila da disputa, cedendo a vaga dela para garantir uma aliança com Ciro Gomes (...) Se o André queria agradar o Ciro, porque ele não ofereceu a vaga do próprio pai? Será que ele acha que retirar a vaga de uma mulher seria mais justo e fácil?", afirmou.

Michelle argumentou que as críticas à aliança no Ceará desencadearam um desentendimento com o senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente e pré-candidato do PL à Presidência da República. “Quando o evento terminou, eu voltei para Brasília e, durante o trajeto, aconteceu algo muito ruim, algo que eu não esperava, algo que doeu de um jeito que palavras custam para descrever, uma punhalada”, disse.

"Vi as postagens do Flávio contra mim nas redes sociais. Palavras duras e tom agressivo defendendo André Fernandes (...) E não foi só ele, os irmãos vieram juntos de forma coordenada, com textos bem parecidos uns com os outros, pareceu combinado, premeditado", completou.

Michelle disse que tentou conversar com o senador por telefone e que, quando conseguiu falar com ele, recebeu mais críticas. "Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou o telefone e eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política", acusou Michelle.

O PontoPoder procurou as assessorias de Michelle Bolsonaro e Priscila Costa para obter outros detalhes sobre o assunto. Não houve resposta de ambas as equipes até a última atualização desta matéria.

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