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Priscila Costa ainda aguarda posse na Câmara para assumir como deputada, um mês após julgamento

Vereadora teve mandato reconhecido após retotalização dos votos, mas Câmara ainda não definiu data da cerimônia.

Escrito por Beatriz Matos, de Brasília. producaodiario@svm.com.br
29 de Junho de 2026 - 06:00
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Legenda: Priscila Costa foi a vereadora mais votada de Fortaleza em 2024.
Foto: Érika Fonseca/CMFor.

Em meio à repercussão nacional envolvendo a disputa interna do PL pelo Senado no Ceará, a vereadora Priscila Costa (PL) vive outro impasse em sua trajetória política. Quase um mês depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidir que Priscila Costa deve assumir vaga na Câmara dos Deputados, ela ainda aguarda a definição da data de posse como deputada federal.

A cadeira já foi oficialmente reconhecida pela Justiça Eleitoral, mas a mudança ainda não produziu efeitos práticos no Parlamento. A deputada Dayany Bittencourt (União Brasil), que perdeu o mandato após a decisão do TSE, continua exercendo normalmente as funções parlamentares, participando de votações e sessões deliberativas.

No início de junho, ao comentar o assunto no plenário da Câmara, Dayany afirmou que a decisão não deveria atingir seu mandato. A deputada destacou sua atuação parlamentar, mencionou projetos aprovados ao longo da legislatura e questionou o andamento processual do julgamento, entre eles, mudanças na composição do colegiado durante a análise do caso. Também informou que está aguardando o resultado do recurso para reverter a decisão do TSE, e assim, continuar exercendo o mandato.

Decisão cabe a Hugo Motta

Ao PontoPoder, Priscila Costa afirmou que ainda não recebeu uma data para tomar posse. Segundo ela, houve dificuldades iniciais para conseguir contato com a Presidência da Câmara, situação que, segundo ela, já foi superada. Ela também afirmou que o procedimento segue normalmente e serão respeitado os prazos administrativos da Casa.

A Secretaria da Presidência informou que o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) já comunicou a decisão e encaminhou toda a documentação necessária. O processo tramita atualmente na Secretaria-Geral da Mesa e, concluídas as etapas internas, caberá somente ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), definir a data da posse.

Na prática, depois que a Justiça Eleitoral comunica oficialmente a mudança na composição da bancada, a Câmara precisa cumprir uma série de atos administrativos antes da cerimônia de posse. Entre eles estão as notificações formais aos parlamentares envolvidos, a análise documental e os procedimentos internos da Mesa Diretora. Somente ao fim desse rito o novo deputado (a)  é convocado para assumir efetivamente o mandato.

Recontagem de Votos

A mudança na bancada cearense decorre da decisão do TSE que determinou a anulação dos votos obtidos pelo então suplente Heitor Freire, após o entendimento de que houve irregularidades relacionadas à arrecadação e aos gastos de campanha nas eleições de 2022.

Com a exclusão desses votos, a Justiça refez os cálculos do quociente eleitoral e partidário, alterando a distribuição das vagas destinadas ao União Brasil no Ceará. Foi essa nova contagem que retirou a cadeira ocupada por Dayany Bittencourt, eleita pelas sobras eleitorais, e garantiu a vaga a Priscila Costa.

Casos semelhantes

A demora para que um parlamentar assuma o mandato após uma decisão da Justiça Eleitoral, no entanto, não é algo raro de acontecer. Em diferentes momentos, deputados precisaram aguardar meses entre o reconhecimento do direito à vaga e a posse na Câmara.

Lei da Ficha Limpa em 2011

Após as eleições de 2010, uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a aplicação da Lei da Ficha Limpa provocou uma nova contagem dos votos. Candidatos que haviam sido barrados tiveram os votos validados.

A nova contagem alterou a composição da Câmara e quatro parlamentares só conseguiram assumir o mandato em 13 de julho de 2011, cerca de sete meses após o início da legislatura:

  • João Pizzolatti (PP-SC): atualmente não exerce mandato de deputado federal.
  • Nilson Leitão (PSDB-MT): não está mais em exercício.
  • Janete Capiberibe (PSB-AP): também não exerce mais mandato.
  • Magda Mofatto (à época no PTB-GO): é a única desse grupo que permanece na Câmara. Atualmente, está filiada ao PL.

Sobras eleitorais em 2025

O caso mais semelhante ao caso de Priscila Costa ocorreu em 2025. Após o STF determinar a aplicação retroativa das novas regras de distribuição das sobras eleitorais às eleições de 2022, a Justiça Eleitoral refez o cálculo dos quocientes eleitoral e partidário, alterando a composição da Câmara em diversos estados.

Os novos deputados tomaram posse aproximadamente dois meses após a decisão judicial:

  • Professora Marcivânia (PCdoB-AP): assumiu a vaga que havia sido ocupada por Professora Goreth (PDT) e permanece no exercício do mandato.
  • Paulo Lemos (eleito pelo PSOL-AP): tomou posse na vaga de Silvia Waiãpi (PL). Hoje está filiado ao PT e continua deputado federal.
  • André Abdon (Progressistas-AP): assumiu a cadeira anteriormente ocupada por Sonize Barbosa (PL) e segue no exercício do mandato.
  • Aline Gurgel (eleita pelo Republicanos-AP): substituiu Augusto Puppio (MDB). Atualmente integra o União Brasil e permanece deputada federal.
  • Rodrigo Rollemberg (PSB-DF): assumiu a vaga de Gilvan Máximo (Republicanos) e segue deputado federal.
  • Rafael Bento (Podemos-RO): passou a ocupar a cadeira que era de Lebrão (União Brasil) e continua no exercício do mandato.
  • Tiago Dimas (Podemos-TO): assumiu a vaga de Lázaro Botelho (PP) e permanece deputado federal.

Disputa pelo Senado no Ceará

Priscila Costa, que foi a vereadora mais votada de Fortaleza em 2024, está no centro de uma crise nacional do PL. Pré-candidata ao Senado, Priscila tem o apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em disputa interna com o pré-candidato Alcides Fernandes, apoiado pelo filho e presidente do PL Ceará, deputado André Fernandes, e pelo pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro.

Na última semana, Michelle publicou vídeo nas redes sociais acusando "traição" a orientações do ex-presidente Jair Bolsonaro diante do apoio do PL à pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Ceará e a suposto apagamento da pré-candidatura de Priscila.

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