Bolsonaro critica aumento do fundo eleitoral para 2022 e diz que 'vai buscar dar bom final' a isso

A declaração foi dada, neste domingo (18), na saída de hospital, em São Paulo, após alta médica

Legenda: O presidente Jair Bolsonaro recebeu alta médica, neste domingo (18), após tratamento para quadro de obstrução intestinal
Foto: Reprodução/TV Gobo

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou, neste domingo (18), o aumento do fundo eleitoral para R$ 5,7 bilhões, aprovado pelo Congresso Nacional no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2022. As informações são do G1.

Bolsonaro recebeu alta médica, após quatro dias internado por conta de uma obstrução intestinal. Na saída do hospital, em São Paulo, quando questionado por jornalistas sobre o aumento do fundo eleitoral, ele afirmou que "vai buscar dar um bom final". O chefe do Executivo federal, porém, não disse se vai vetar o trecho do projeto.

Sigo a minha consciência e sigo a economia, e a gente vai buscar dar um bom final para isso daí. Afinal de contas, eu já antecipo, R$ 6 bilhões para fundo eleitoral, pelo amor de Deus. R$ 6 bilhões na mão do Tarcísio (Infraestrutura), ele recapearia grande parte da malha rodoviária do Brasil, R$ 6 bilhões na mão do Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), ele concluiria a água para o Nordeste
Jair Bolsonaro (sem partido)'
Presidente da República

Votação da LDO

A ampliação do fundo eleitoral - destinado para bancar campanhas políticas de candidatos - em 2022 foi incluída pelo relator da LDO, deputado Juscelino Filho (DEM-MA), no projeto de lei. 

Pela proposta, o montante, que tinha ficado em torno de R$ 2 bilhões nas últimas eleições de 2018 e 2020, foi ampliado para R$ 5,7 bilhões para o ano que vem. Após aprovação, o projeto de lei seguiu para sanção do presidente Jair Bolsonaro, que pode vetar trechos.

Esse dinheiro virá de parte das emendas de bancada dos estados - recursos aos quais os parlamentares federais têm direito de indicar no Orçamento da União para obras e projetos - e de parte da verba destinada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Na bancada do Ceará na Câmara Federal, dez deputados federais votaram a favor e nove contra a LDO, que prevê a ampliação do fundo eleitoral. Já no Senado, dois senadores cearenses - Tasso Jereissati (PSDB) e Eduardo Girão (Podemos) - votaram contra e um - Cid Gomes (PDT) - a favor.

Repercussão negativa

O posicionamento dos parlamentares que votaram a favor da LDO gerou polêmica nas redes sociais. Vários deles, inclusive cearenses, justificaram que foram favoráveis ao destaque - recurso para votar em separado - apresentado pelo partido Novo, para retirar da LDO o trecho que tratava do fundo. O destaque, no entanto, foi rejeitado. 

Bolsonaro criticou o deputado federal e vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), pela condução da sessão e por ter "atropelado a votação".

"Se tivesse destacado [o Fundo Eleitoral], o resultado talvez tivesse sido diferente. Quem está atacando parlamentares que votou o Fundão, isso não é verdade. Teve a votação da LDO que interessava ao governo. Então num projeto enorme, alguém botou lá dentro essa casca de banana, essa jabuticaba. O parlamento descobriu, foi tentando destacar para votação nominal essa questão e o Marcelo Ramos atropelou e não colocou em votação em destaque".

Na entrevista a jornalistas na saída do hospital, Bolsonaro defendeu os parlamentares da base do governo que votaram a favor da LDO.