Getúlio Abelha fala do medo de ficar refém do que o público deseja: 'Quero mais liberdade e menos fama'
O multiartista falou ainda sobre sua relação com Fortaleza, revelou o que deve trazer em 2025 para seu trabalho e relembrou episódio com Britney Spears
Getúlio Abelha nasceu em Teresina, mas foi aqui no Ceará que construiu essa figura multiartística que reverbera para o mundo. Cantor, compositor, ator, performer, provocador... Artista. Gosta de transformar tudo- de música a roupa - e entregar para seu público um produto audiovisual cheio de referências e um pouco maluco. O que ele quer é liberdade! E, apesar de dizer que hoje está mais estratégico para fazer sucesso e ter mais conforto financeiro, Getúlio confessa um dos poucos medos: ficar refém do que o público quer e não do que deseja realizar.
Em entrevista ao Que Nem Tu desta quinta-feira (16), o artista revisitou sua carreira, falou sobre momentos marcantes, a relação com a família, a decisão de vir para o Ceará e também de deixá-lo. Getúlio está mais maduro. Parece saber exatamente o que quer e o que não quer e também o preço a pagar por cada decisão que toma.
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O nordestino exemplificou lembrando de quando estourou sua bolha de seguidores ao viralizar em um vídeo cantando Calcinha Preta em um concurso de karokê de um shopping em Fortaleza. "Eu tenho medo de estourar uma coisa e ser refém dela a vida inteira. Acho que é por isso que desde o começo as pequenas coisas que saíram da minha cabeça e ganharam o mundo, eu já fui cortando. Tipo, quando teve o viral da Calcinha Preta no shopping, no shopping. Foi um momento ali que eu poderia ter embalado naquela coisa e feito cover de forró e ter reproduzido o que eu fiz ali naquele palco em vários lugares, mas na mesma hora eu pensei: 'Não, não posso ficar refém. Eu não quero passar a vida inteira cantando cover de forró"
"Tenho mais medo de ter que fazer o que pedem. Quero mais liberdade e menos fama"
Quando fala isso, Getúlio não menospreza sua relação com o forró. Pelo contrário, sempre valorizou essa referência musical que lhe ajudou a construir até mesmo seu nome artístico. Abelha vem em homenagem à cantora Paulinha Abelha, vocalista do Calcinha Preta. Ele sabe que ajudou a trazer um público LGBT mais para o forró.
"Foi pretensioso na real. Eu queria trazer o forró com esse discurso, eu quero buscar essa movimentação. E eu sinto isso acontecer quando eu volto pra Fortaleza, com toda uma comunidade cantando, não só covers, mas músicas minhas com ritmo de forró, eu vejo esse resultado acontecendo", diz ele que entende que buscou mais diversidade e inclusão nesse gênero.

Depois de tantos anos, Getúlio afirma que hoje essa preocupação não lhe guia em suas decisões da carreira.
"Eu acho que eu até já desapeguei disso, porque também eu acho, eu não gosto de dizer, ah, o forró é machismo, porque não é só o forró. É uma estrutura para além do estilo musical, que eu não gosto de jogar essa sombra em cima do forró, como se todo o resto da cultura do país não fosse assim também, sabe? E se o forró é o que fez e faz parte da minha construção, eu prefiro mantê-lo e ter consistência no que eu estou fazendo, entendeu? Eu não tenho que defender o forró, eu não tenho que defender o Nordeste, eu não tenho que defender nada. Mas eu sou daqui, o meu som é esse, a minha raiz é essa. E como eu gosto de trabalhar com profundidade, com honestidade, e é isso que eu tenho, então é nisso que eu vou me apegar e é nisso que eu vou trabalhar em cima".
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Getúlio Abelha também relembrou os muito perrengues que viveu quando morou 10 anos no Ceará. Muitos deles em casas de amigos, dividindo quarto e com muito pouco dinheiro. Vivendo em São Paulo e com mais estabilidade, ele comemora as conquistas de ter uma casa, de ter comida a hora que quer, de conseguir viajar. O conforto que o Getúlio de agora deseja e não abre mão. Mas que o menino que chegou em Fortaleza nem sabia que sentia falta.