Vacinação contra gripe é antecipada em meio a surto no AM

A campanha no estado começa já nesta quarta-feira (20)

Legenda: A vacina é recomendada como prevenção, mas no Ceará, só está disponível no sistema privado de saúde
Foto: Foto: Lucas Moura

Em surto inédito, o estado do Amazonas registrou 666 casos de síndrome respiratória aguda (SRAG) neste ano, com 34 mortes. Em resposta à crise, o Ministério da Saúde vai antecipar em duas semanas a campanha nacional de vacinação contra a gripe.

A campanha contra o vírus influenza começa em 10 de abril e prosseguirá até 31 de maio. Nos primeiros dias, a prioridade será crianças de 1 a 6 anos, gestantes e mulheres no pós-parto.

A partir do dia 22 de abril, se estenderá a profissionais de saúde, indígenas, idosos, professores, pessoas com comorbidades, funcionários do sistema prisional e presos.

No ano passado, houve 6.678 casos de influenza em todo o país, com 1.370 mortes, das quais 9,2% foram de crianças com menos de 5 anos de idade.

A maioria dos mortos apresentava apenas um fator de risco, principalmente idosos, cardiopatas, pneumopatas e portadores de diabetes mellitus. A soma desses casos chegou a 1.050 (76,5%). Todos os números são do Ministério da Saúde.

Por causa da crise, a campanha no Amazonas será antecipada em um mês e começa já nesta quarta-feira (20), com a participação do secretário nacional de Vigilância em Saúde, Wanderson Kleber de Oliveira. O Ministério da Saúde já enviou 1 milhão de doses da vacina ao estado.

A meta é vacinar cerca de 1,1 milhão de pessoas em todo o estado, tarefa complexa devido às distâncias, geralmente percorridas de barco, segundo a diretora-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Rosemary Costa Pinto.

Dos 666 casos de influenza notificados no Amazonas, 107 são do vírus H1N1.

Desses, 27 pessoas morreram, segundo a FVS. Em todo o ano passado, o estado havia registrado apenas um caso desse vírus.

A maioria dos casos foram registrados em Manaus, cidade com pouco mais de 2 milhões de habitantes, com 579 notificações e 28 mortes.

"O vírus H1N1 é pandêmico. Sua característica é a de que ele circula na região Sul no segundo semestre e, no primeiro semestre do ano subsequente, no hemisfério Norte", explica Pinto.

Para ela, o surto é reflexo do aumento vertiginoso de casos no ano passado no Sul. "Os outros estados da região Norte também estão registrando casos no início deste ano, assim como EUA, México e Canadá".

"Nós temos a nossa população sem contato com esse vírus. Além disso, tivemos um período extremamente chuvoso neste ano. Isso faz com que as pessoas se aglomerem, facilitando a transmissão do vírus", afirma a diretora-presidente da fundação.

Funcionária da FVS desde 1995, a coordenadora estadual de Imunização, Izabel Nascimento, admitiu que o Amazonas não cumpriu a meta de cobertura vacinal no ano passado.

"Não alcançamos principalmente nas crianças, nas grávidas e nos profissionais de saúde. Ficamos com 88% de cobertura vacinal contando todas as populações de risco."

Para Nascimento, existe um desinteresse da população em participar de campanhas de vacinação. "Ela já não comparece com tanta frequência como antigamente, quando havia as campanhas de paralisia infantil e cumpríamos a meta num único dia."

Via assessoria de imprensa, o Ministério da Saúde afirmou que os dados nacionais parciais sobre casos de SRAG deste ano ainda não foram compilados. Não havia ninguém da pasta disponível para comentar o surto no Amazonas e a situação no restante do país.