Semana trágica deixa Brasil perto da previsão de 1.000 mortos ao dia

Expectativa de Ministério da Saúde de registrar 1.000 óbitos em 24 horas é reforçada após três dias de renovação do recorde no número diário de vítimas pelo novo coronavírus. Estados reagem e ampliam isolamento até fim do mês

Legenda: No Cemitério do Caju, no Rio, aumentam os sepultamentos de vítimas da Covid-19
Foto: Foto: AFP

O Brasil se aproxima da trágica projeção de 1.000 mortes pela Covid-19 em 24 horas. Na sexta-feira (8), o Ministério da Saúde divulgou 751 novos óbitos, totalizando o saldo nacional em 9.897 vítimas, desde 17 de março. Foi o terceiro recorde na semana.

O ministro da Saúde, Nelson Teich, havia alertado, em coletiva de imprensa realizada no último dia 30 de abril, que era possível que o Brasil chegasse a confirmar 1.000 mortes pelo novo coronavírus em um único dia.

Para se ter ideia, no auge da pandemia na Itália, no fim de março, o país europeu chegou a registrar quase 1.000 óbitos em um único dia.

Com a escalada no número de óbitos no Brasil, alguns estados estão prolongando o período de quarentena.

A quarentena no Estado de São Paulo teve o prazo prorrogado até 31 de maio. O anúncio foi feito pelo governador João Doria (PSDB) no Palácio dos Bandeirantes. 

“O cenário é desolador e a quarentena está salvando vidas em São Paulo. Nenhum governante tem prazer em dar más notícias, mas não se trata de ter ou não este sentimento, trata-se de proteger vidas no momento mais crítico desse País”, disse Doria.

A quarentena foi implementada em todo o Estado no dia 24 de março. A medida permite somente o funcionamento dos serviços considerados essenciais e continua valendo para os 645 municípios paulistas. “Nenhum País conseguiu relaxar as medidas de isolamento social em meio a uma curva crescente. Autorizar o relaxamento agora seria colocar em risco vidas e o sistema de saúde. Retomaremos, sim, no momento certo, na hora certa”, afirmou.

Só na cidade de São Paulo são 4.496 mortes, entre confirmadas e suspeitas. A lotação das UTIs municipais é de mais de 80% e mais da metade dos nossos hospitais já tem 100% de ocupação.

Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, o aumento diário do número de casos e mortes pelo novo coronavírus e o afrouxamento de medidas de isolamento por parte da população está fazendo com as prefeituras da capital fluminense e de Niterói passem a decretar um “lockdown” (bloqueio) parcial em áreas consideradas mais críticas. 

Enquanto na capital fluminense alguns bairros da zona oeste terão fechamentos de seus calçadões, na cidade da região metropolitana a prefeitura prometeu aplicar multa de R$ 180 para quem for à rua sem necessidade na semana que vem. Em Niterói, apenas serviços relacionados a atividades essenciais poderão funcionar entre os dias 11 e 15 deste mês - mercados, farmácias, padarias (sem funcionamento de cafeteira), pet shop e posto de gasolina. Quem for abordado circulando pelas ruas e não comprovar relação com essas atividades será multado em R$ 180. Segundo a prefeitura, o valor será convertido para a área da saúde.

No Rio, o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) mandou bloquear o calçadão de Campo Grande, bairro da zona oeste que já registrou 45 mortes por Covid-19. Na sexta, ele determinou também o bloqueio do calçadão de Bangu. Não há multa prevista, mas quem insistir em furar os bloqueios poderá ser detido por desobediência à ordem legal (artigo 330, do Código Penal).