PENSAR O FUTURO AGORA

O mundo pós-Covid-19 ainda oferece uma série de incógnitas. As incertezas não são as mesmas de outrora e o futuro, hoje, parece ainda mais imprevisível. Quanto tempo a pandemia continuará a ameaçar a saúde do gênero humano, da forma como tem feito; quando os mercados se recuperarão, plenamente, de seus efeitos colaterais; que marcas sociais e psicológicas serão legadas - são algumas das indagações que estão por se responder.

Há contudo, alguns indicativos que se não apontam, necessariamente, para mudanças, dizem respeito à necessidade de algumas delas. Sob a pandemia, alguns problemas sociais que atravessavam os anos sem soluções exigem uma reavaliação. São deficiências que, até então toleradas, catalizaram as dificuldades e riscos que a doença impôs à população e a instituições.

De imediato, a pandemia obriga a se repensar a atenção dada à saúde pública. A Covid-19 fez saltarem à vista precariedades e imperfeições pré-resistentes. É o caso da abrangência precária das unidades hospitalares. As capitais concentram hospitais de alta complexidade, dada sua densidade populacional e facilidade de acesso.

A desigualdade, contudo, é acentuada e, em alguns casos, populações de municípios mais pobres e menores vivem à mercê do risco implicado pela falta de hospitais ou por instituições insuficientemente equipadas.

Ampliar a rede de atendimento e decentralizar é imperativo. Não se faz do dia para a noite, mas tampouco pode ser relegado à esfera do desejo. A necessidade de se levar mais hospitais para o interior é só um dos problemas que os dias de pandemia fizeram ver. Há outros, como o da integração de sistemas de informação. Estes devem ser precisos e abrangentes, de forma a fornecerem bases para que os gestores públicos construam quadros a partir dos quais possam formular ações. É preciso conhecer a população e as doenças que a afligem, para otimizar o serviço prestado e, assim, aplicar melhor o investimento público.

Também foi trazida para primeiro plano a questão do saneamento básico. Apenas metade da população brasileira tem acesso a ele e, por isso, os serviços precisam ser priorizados, de forma a ser universalizados. A carência de correto manejo de dejetos e de água tratada potencializa enfermidades graves, que assolam a população e oneram o serviço de saúde público.

Outras áreas também insinuam a necessidade de mudanças, para as quais os planejamentos não devem tardar. A vida nas grandes cidades é propícia a aglomerações e a situações insalubres, e não apenas no que diz respeito à Covid-19. Uso dos espaços públicos, mobilidade urbana, transporte e habitações têm sido objetos de análise e escrutínio crítico por parte de especialistas. São mudanças que, para ser feitas, precisam ser planejadas e suas execuções exigem não apenas recursos, como tempo.

O caso hoje não é apenas de se perguntar que mundo será possível quando a pandemia for superada.

É imperativo que se coloque o questionamento acerca de que número se deseja construir, para um futuro próximo mais seguro e saudável, que pavimente dias melhores e previdentes para as gerações vindouras.


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