Correios ameaçados

Nas últimas semanas, intensificou-se a notícia de que o atual Governo pretende privatizar os Correios. A administração federal tem repetido insistentemente o mantra da privatização das empresas estatais, defendendo princípios como o da atuação mais aberta de empresas privadas do setor logístico. Os governantes apontam grandes chances de os Correios serem privatizados, sustentando o discurso da liberdade de mercado. Atualmente, a empresa detém o monopólio de entrega de correspondências. Porém, pacotes e encomendas de maior porte podem ser despachados e entregues por outras companhias. A empresa possui pouco mais de 100 mil funcionários e passa, há anos, por um processo crescente e deliberado de sucateamento. Que o digam as pessoas que se utilizam de seus serviços, cada vez mais precários, com relação à entrega de cartas em Fortaleza, por exemplo. Mesmo em tempos de redes sociais, de e-mails e outros recursos tecnológicos que aceleram as trocas de informação entre as pessoas, muitas delas ainda se utilizam dos serviços postais em função do prazer que sentem em escrever e trocar correspondências com amigos e parentes distantes. Sim, leitor! Isto ainda existe, e posso afirmar tal fato de forma veemente, pois este articulista é um desses indivíduos.

Os Correios possuem mais de 350 anos de história no Brasil, pois em 1663 era inaugurado o Correio-Mor, serviço responsável pela troca de correspondências entre a então colônia e a metrópole portuguesa. No episódio da independência do País, foi um mensageiro, Paulo Bregaro, quem entregou a dom Pedro I, às margens do riacho Ipiranga, a carta chegada de Portugal que exigia a volta imediata do príncipe à Europa e que desencadeou o célebre momento histórico. Bregaro tornou-se o patrono dos Correios, que procuram honrar seu papel, mesmo com os problemas gerados por seguidas gestões incompetentes e sem compromisso com a instituição.
 


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