O pagode russo de Gonzagão e o direito à Sputnik

carga de vacinas Sputnik sendo empurrada por homens para dentro de caminhão
Legenda: Somente o Ceará comprou 5,9 milhões de doses
Foto: Federico Parra / AFP

Ontem eu sonhei que estava em Moscou/, tomando vacina russa,/ com o Nikolai Gogol.

Soltei minha paródia ao pagode de Luiz Gonzaga faz um bom tempo, assim que soube do interesse do Consórcio Nordeste na compra do imunizante. Negócio fechado em março, e a Sputnik ainda não passou de um delírio noturno, com direito a rebordosa digna de uma farra com vodka falsificada. Pense numa ressaca de véspera.

Somente o Ceará comprou 5,9 milhões de doses. E nada até o momento. A demora da aprovação da Anvisa obrigou o governador Camilo Santana a apelar ao STF em nome do direito ao uso dos frasquinhos milagrosos. O Supremo deu um mês para que a agência de vigilância sanitária resolva a novela científica.

Ali do outro lado da Serra da Ibiapaba, o presidente do consórcio nordestino, Wellington Dias, também está agoniado do juízo com a demora, como leio aqui no “Meio-Norte”. Não é para menos. “É muito esquisito que a Anvisa não libere a Sputinik, que está sendo aplicada em 60 países, o presidente Putin se vacinou, a mulher e as filhas deles se vacinaram, está sendo aplicada na Hungria, Europa, pela OMS (Organização Mundial da Saúde), pela Argentina, pelo Chile”, disse.

O Nordeste tem que dançar, antes da festa de Santo Antônio de Barbalha, esse pagode russo.

A Sputnik será importantíssima para que as celebrações juninas de toda a região saiam do terreno do sonho e crepitem nas fogueiras de Caruaru, Campina Grande, Cajazeiras, Arcoverde, Aracaju, Vitória da Conquista, Picos, Palmeiras dos Índios, Antonina do Norte, Assaré e Tarrafas - só para me gabar dos meus destinos afetivos entre o São João e o São Pedro. Estive em todos eles, ô sorte!

Avia, Anvisa! Não deixa a gente perder mais essa festa. Óbvio que entendo o zelo de quem comanda esta nobre agência histórica, mas esse pedido tem tanto tempo, pelo amor de um bom relabucho e de um forró pé de serra lá na cidade de Russas. Você sabe lá o que é isso, querido cientista? É natural, naturalíssimo que saiba, estamos juntos.

E o Nikolai Gogol que citei lá na cumeeira desse texto, amigos e amigas, é um extraordinário escritor russo, mas é a cara de um de nós, cearenses internacionais desse mundo. Até a próxima.

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.