O grande equívoco

Confira a coluna desta segunda-feira (10) do comentarista Wilton Bezerra

Lendário Johan Cruijff está parado no campo, com uniforme da seleção holandesa
Legenda: Embora com gols e jogadas geniais, Cruyff não defendia malabarismos e implantou um protagonismo coletivo
Foto: Reprodução

Li que o povo holandês tem aversão ao não essencial e à ostentação.

Ocorreu-me a lembrança de Cruyff e da "Laranja Mecânica".

Embora com gols e jogadas geniais, o craque não defendia malabarismos e implantou um protagonismo coletivo.

Como se isso fosse o essencial, livre de ostentações.

Apuramos, nesta crônica, que não foi bem assim.

Precisamos ter mais cuidado com a interpretração das coisas.

Apesar do sucesso em duas Copas do Mundo,  o “Carrosel Holandês" foi acusado de limitador de talentos, de reduzir o brilho individual dos jogadores.

Além do mais, criou uma certa crise de identidade, Mundo afora, pelo modelo de jogo apresentado.

No Brasil, por exemplo, mesmo ganhando três Copas, após essa revolução,  "decretou-se", em nome do futebol solidário dos holandeses, que era preciso suprimir os "supérfluos": jogar bonito, o drible (o que melhor ilumina o caráter artístico do jogo), a individualidade, a necessidade de um solista, etc.

Reconheçamos que tudo isso nunca passou de um grande equívoco.

As digitais de Cruyff,  eternizadas nos trabalhos de Guardiola, mostram, hoje, que o notável craque holandês nunca quis dizer que o futebol deveria ser assim.

Além de provar que existe beleza no coletivo, Cruyff foi um notável individualista nas suas arrancadas.

E outra: ninguém foi mais solista do que ele, ditando a movimentação coletiva de altíssima qualidade dos seus times.

Sou incomodado com uma coisa: a demora e dificuldade para assimilarmos as mudanças do futebol.

Para fazer justiça aos inovadores, nunca é tarde para as revisões.



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