O centroavante peba

Mandar um zagueiro para a área adversária pode servir para descobrir uma nova vocação destes defensores

O peba é um tatu de cor amarronzada, animal silvestre que faz parte da culinária nordestina, embora com malefícios para a saúde.

No interior, não sabemos por que razão, quando uma coisa não tem valor, diz-se que ela é “peba”.

Lá pelos idos de 1960, o Sport do Crato tinha na sua zaga central um negrão forte e truculento, que atendia pelo apelido de Peba.

Fora do futebol, ele dava duro na vida, como funcionário do frigorífico do Crato também, chamado de “matança”.

Num treino do Sport, por conta própria, Peba se colocou como atacante e marcou nada menos que sete gols.

Peba
Legenda: Peba era zagueiro central no Sport do Crato, na década de 1960
Foto: Arquivo Pessoal

Foi um espanto e, de repente, “descobriu-se” que a vocação de Peba era a de marcar gols e não evitá-los.

Veio o primeiro jogo, após a “descoberta”, e eis que Peba não traiu as expectativas na nova função e marcou três gols.

Na segunda partida, dois. Na terceira, um e, a partir daí, um longo jejum de gols, em uma prova de que “quem nasceu peba, nunca chega a cascavel”.

Entanto, esse tipo de bizarrice não é exclusividade do futebol interiorano. Sem ideias, em um jogo contra o Palmeiras, o treinador Cuca, do Atlético Mineiro, lançou como homem de área o zagueiro Réver, com seu um 1,90 metro de altura.

Tatu peba
Legenda: Tatu peba
Foto: Foto: Tim Zurowski / Shutterstock.com

Renato Gaúcho fez a mesma coisa, no jogo contra o Atlético de Goiás, escalando o gigante Gustavo Henrique como homem de referência, numa situação em que o rubro-negro levantou 46 bolas na área adversária.

E para finalizar os exemplos, vamos chegar ao grande treinador Pep Guardiola, em uma semifinal da Liga dos Campeões contra o “ferrolho” da Inter de Milão, quando mandou o zagueirão Piqué se enfiar na área, em busca de uma bola alçada.

A idéia “Peba”, de Peba do Sport do Crato, correndo o Mundo.

No Crato, é assim.



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