A vida tem que ser gasta

Foto: shutterstock.

Na minha condição de eterno aprendiz da arte de viver, lido mal com elogios de corpo presente, por algo que disse ou escrevi.

Tiradas filosóficas que arrisco aqui e alí.

Quando escrevi que "a vida deve ser gasta", fiz clara referência ao fato de que uma pessoa não pode viver excessivamente preocupada com a preservação da saúde.

Para isso, abrir mão das doces "extravagâncias" que a vida oferece  em favor de uma saúde de touro premiado, com argolas no nariz.

Afinal, somos um animal sem futuro.

Isso é ter preguiça de existir e a vida deve servir para quem gosta de viver.

Até o lorpas e pascácios (olha o Nelson, aí) sabem que viver é a única coisa que não pode ser deixada para depois. 

A existência humana é como dinheiro que se pede emprestado para pagar com juros.

Gasta-se, hoje, para pagar amanhã, ou depois de amanhã.

No meu caso particular, a desgastada arquitetura de ossos e músculos está cobrando juros escorchantes.

É assim, mesmo.

Quando você menos espera, o cobrador bate à sua porta.

Paciência, seja gentil com o cobrador, trate-o o bem. 

Se ele estiver com sede, dê-lhe água.

Se estiver com fome, sirva-lhe uma refeição.

E se quiser repousar, dê-lhe uma rede e mande-o empurrar o pé na parede, para se balançar.

A vida nada mais é do que a soma de algumas ideias fixas.

Pense bem, irmão.

Faça com que essa passagem cósmica pelo Planeta Terra valha a pena.