As armas que Ciro e Elmano levaram para a sabatina
Os candidatos ao Governo do Ceará deram entrevista à sabatina do PontoPoder Eleições.
Foi dada a largada para o início da campanha eleitoral no Ceará. De um lado, Elmano de Freitas representando o governismo busca manter a hegemonia política que governa o Estado desde 2007.
Em nome do "projeto", o petista pede ao eleitor mais quatro anos para resolver problemas profundos que ainda se arrastam pelo Ceará, ao mesmo tempo em que quer que e eleitor reconheça as transformações dos últimos anos, principalmente na educação.
De outro lado, Ciro Gomes, que ajudou esse grupo a se projetar, se apresenta como opção para romper com a atual força política que senta na cadeira do Palácio do Abolição. O ex-governador quer mostrar ao cearense que sabe fazer e se apresenta como o solucionador das chagas do povo mais pobre.
Cada um, com sua força e fragilidade, se mostrou nas ruas, nas redes sociais e nos veículos de imprensa, nesses primeiros dias, para entrevistas e sabatinas. O voto é só em outubro, mas o eleitor já é provocado a começar a escolher em quem deve apostar para os próximos quatro anos.
O que disse Ciro...
Segurança
Ciro defendeu uma mudança de paradigma no combate às facções, substituindo o "aparelhamento" atual pelo uso intensivo de inteligência artificial, tecnologia e territorialização das ações policiais para mapear chefias criminosas. É uma das principais armas discursivas adotadas pelo tucano nessa campanha eleitoral. Segundo a Quaest, é o tema de maior preocupação dos cearenses.
Saúde
O candidato apontou falhas estruturais, como a entrega da rede a interesses políticos (citando o ISGH), prometendo otimizar recursos para zerar filas de cirurgias e modernizar o atendimento, criticando o foco exclusivo em construções de prédios sem a devida operação. O discurso do ex-ministro tenta minar os esforços do governo de fazer da saúde uma vitrine eleitoral, como a educação. A estratégia minimiza a construção de prédios e foca no atendimento em sua essência.
Educação
A proposta central de Ciro envolve elevar o salário do magistério ao padrão das melhores escolas privadas e instituir a meritocracia via critérios internacionais (PISA), além de introduzir o ensino de inteligência digital para preparar os jovens para o mercado moderno. O tema, muito embora seja de relevância estadual, não alcança terrenos como áreas de maior crise do governismo. Isso porque a educação do Estado virou vitrine nacional. É um desafio até para a crítica, que se limita.
Economia
Ciro propõe a redução de secretarias para economizar cerca de R$ 1 bilhão por ano e critica a perda de competitividade industrial do estado, defendendo uma reestruturação dos incentivos fiscais e a busca por fundos regionais mais robustos. O assunto é um dos mais confortáveis para Ciro, que se adaptou às críticas econômicas nacionais nos últimos anos, o que lhe deu retórica e contextualização para construir argumentos.
Política
O candidato tenta se afastar da polarização nacional entre Lula e Bolsonaro, se colocando como uma alternativa "de mudança" para o Ceará e buscando aglutinar forças de oposição sob um projeto focado nos problemas locais, longe da influência direta de alianças nacionais – o que é um grande desafio. Ciro tem na sua composição de chapa o PL de Bolsonaro, além de lideranças alinhadas ao projeto nacional do ex-presidente. Fica difícil explicar que não é uma candidatura bolsonarista. Desafio para a coordenação de campanha.
O que disse Elmano...
Segurança pública
Elmano enfatizou os dados de redução de homicídios no primeiro semestre de 2026 para contestar a ideia de inércia do grupo político. O petista defendeu a nova política de inteligência, o programa "Procumpre" e o investimento em tecnologia e concursos como ferramentas de mudança.
O gestor disse ainda que a criminalidade se empoderou no Rio de Janeiro, terra administrada pela direita há muitos anos. A onda de criminalidade que vive o Estado há mais de uma década e meia, porém, depõe contra o atual grupo político e será uma pedra no sapato do governador na campanha. É seguramente o tema mais sensível dos embates daqui pra frente.
Comparação de gestão
O candidato focou em um balanço positivo como o avanço de obras como a duplicação da BR-116, a Transnordestina e a duplicação do Eixão das Águas, e apostou nas diferenças entre as gestões. Elmano afirmou ter dado celeridade a projetos parados e questionou o histórico da oposição, afirmando que adversários governaram o Ceará por 20 anos e ficaram atrás nas entregas. Citou como exemplo a falta de interiorização da saúde. Tanto para Elmano quanto para Ciro faltou explicar a origem financeira para manter o serviço funcionando. Saúde é cara.
Apoio político
Alinhamento nacional com o presidente Lula pareceu ser um mote da campanha de Elmano. Ele tenta repetir o sucesso eleitor de 2022 com o voto casado no PT. A outra estratégia que se mostrou óbvia na sabatina foi a tentativa de atrelar a candidatura de Ciro Gomes a forças bolsonaristas. É um embate muito claro. Pesquisas internas da campanha do petista apontam ainda que a maioria do eleitorado não sabe de quem é o apoio do presidente. Pode ser um trunfo para explorar na campanha de rádio e televisão.
Educação
A educação foi apresentada como o pilar do plano de reeleição. A promessa de transformar as escolas de tempo integral em profissionalizantes é a sua principal bandeira para os próximos 4 anos, muito embora não tenha ficado claro se o governo de fato encerrará 2026 com todas as escolas de tempo integral.
Elmano usou o "sucesso" da educação como política exitosa do grupo político que representa, ao citar os ex-governadores Cid Gomes e Camilo Santana. É a área de maior sucesso do governo.
Economia e saúde
Elmano apostou ainda na citação da atração de data centers (o maior investimento privado do país) e a geração de empregos com carteira assinada. Na saúde, ele defendeu a interiorização dos serviços (tratamento de câncer em cidades polos) e o funcionamento do Hospital Universitário, tentando desconstruir a narrativa de que o estado estaria em crise de infraestrutura hospitalar.
O grupo político que governa o Ceará tem a interiorização de hospitais como principal meta quando se fala em saúde. Elmano buscou fortalecer o discurso da saúde, embora precise responder a fechamento de hospital e a necessidade de abertura de novas vagas.