Síndicos em alerta: Reforma tributária deve impactar orçamento de condomínios
Especialistas preveem aumento de custos para condomínios. Este ano deve ser de preparação para mudanças.
A reforma tributária deve provocar um novo ciclo de aumento nos custos dos condomínios brasileiros, com impactos diretos no orçamento já a partir de 2026, projetam especialistas do setor.
A avaliação é que a mudança no modelo de tributação dos serviços, que passam a ser afetados pelo IBS e pela CBS, tende a encarecer atividades essenciais como portaria, limpeza, segurança e manutenção predial, despesas que representam a maior fatia do custo condominial.
O impacto ocorre em um momento sensível para o setor. Em um universo de 327 mil condomínios com CNPJ ativos no Brasil, conforme o Censo Condominial 2026, a inadimplência vem se agravando. A taxa média nacional de atraso superior a 30 dias chegou a quase 12% em 2025, patamar mais elevado desde o início da série histórica do Censo. No Ceará, existem 6.216 condomínios ativos.
Esse movimento acompanha o avanço do endividamento das famílias brasileiras e compromete diretamente o caixa dos condomínios, dificultando a manutenção predial, a realização de investimentos e a continuidade de serviços essenciais. Com custos já pressionados, a chegada de novos encargos tributários tende a reduzir ainda mais a margem de manobra das administrações.
Planejamento
“Os condomínios funcionam como pequenas cidades. Quando os serviços ficam mais caros, o impacto é direto e inevitável no caixa. Com a inadimplência já elevada, muitos empreendimentos terão dificuldade para absorver novos reajustes sem repassar aos moradores”, analisa Luciana Lima, CEO da Gestart.
Gestores apontam que 2026 será um ano decisivo para a administração condominial sob o aspecto do planejamento. Entre as principais estratégias estão a revisão antecipada de contratos, o fortalecimento dos fundos de reserva, a renegociação com fornecedores e o uso de tecnologia para maior controle financeiro e redução de desperdícios.
“A reforma tributária não pode ser tratada como um problema distante. Ela precisa entrar no planejamento orçamentário dos condomínios desde já, para evitar aumentos abruptos e conflitos com moradores no próximo ano”, afirma a executiva.
Para Raphael Fontoura, CEO da MyBlue, “mesmo sem haver obrigação fiscal, é imprescindível que o projeto orçamentário de um condomínio siga essas mudanças, pois, devido à reforma, é possível que o preço dos serviços e de outros gastos aumente. Então, diante dessa nova realidade, é importante que a administração condominial tenha programação financeira ideal para não passar sufoco monetário.”