"O Brasil tem um encontro marcado com a realidade fiscal em 2027"
O próximo nome a ocupar a presidência, seja lá quem for, se deparará com uma dívida pública próxima dos 85% do PIB.
Ficou cristalina a mensagem de quatro grandes economistas brasileiros, reunidos em Fortaleza para o DN Business: o País não pode negligenciar o equilíbrio das contas públicas, sob risco de a economia nacional entrar em parafuso.
Não se trata de fatalismo ou alarmismo catastrófico. Para Eduardo Giannetti, um dos mais renomados acadêmicos do País, a missão de arrumar a casa, em tese, não é das mais difíceis, desde que o Executivo tome a iniciativa de enfrentar o problema com a energia merecida.
O próximo nome a ocupar a presidência, seja lá quem for, se deparará com uma dívida pública próxima dos 85% do PIB, um patamar dos tempos de pandemia, com a gritante diferença de que hoje não há uma crise sanitária que o justifique.
A realidade bate à porta
É de Ana Paula Vescovi, ex-secretária do Tesouro Nacional e ex-economista-chefe do Santander, a aspa que dá título a esta matéria: "O Brasil tem um encontro marcado com a realidade fiscal em 2027". Pessimista sobre o quadro atual, ela dá nota 8 ao nível de gravidade da atual crise. Para a economista, a população precisa ter conhecimento sobre o gargalo, cuja solução também passa por Legislativo e Judiciário.
Fernando Golçalves, superintendente de pesquisa macroeconômica do Itaú, afirma que os juros estão em patamar elevado por conta da pressão inflacionária. "Precisamos criar um arcabouço para lutar contra a inflação. Para mim, o problema contiua sendo a inflação cuja origem tem a ver com o cenário fiscal", comenta.
Recorde de receita, mas...
Para Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos, não há como equalisar a situação se o próprio chefe do executivo não se agarrar ao problema. "O Brasil é como uma empresa que bate recorde de faturamento e tem um Ebitda negativo. Tem um problema aí. Do lado da despesa"
Os especialistas, contudo, concordam que o tema, por ser árido e indigesto para o público geral, não deve ser abordado de forma relevante na campanha eleitoral, mas, cedo ou tarde, a realidade dos números demandará uma resposta.