O fim da hiperglobalização econômica abre oportunidade para que o Brasil recupere seu dinamismo, na avaliação do economista Eduardo Giannetti. Essa nova fase de investimentos foi o tema central da palestra que ele fez na primeira edição do DN Business, nesta segunda-feira (10), em Fortaleza.
Para Giannetti, a crise da hiperglobalização marca o fim de uma lógica econômica fria, em que os investimentos eram definidos pela maior rentabilidade, sem considerar outros fatores.
"Isso levou a China a receber, em poucas décadas, investimentos de tal monta, porque lá a escala e o custo de produção são muito baixos. A China se tornou hoje responsável por um terço da produção industrial do mundo", afirma.
De acordo com ele, os limites desse modelo foram atingidos na crise financeira de 2008 e, mais recentemente, durante a pandemia de Covid-19, quando as economias globais perceberam os riscos de depender de poucos fornecedores.
"E agora, com o governo Trump, que jogou para cima todo o ordenamento multilateral no qual estava baseado esse modelo da hiperglobalização, nós estamos entrando em outra fase", acrescenta o economista.
Nesse novo momento, avalia, a diversificação e a estabilidade das políticas comerciais ganham peso. Giannetti acrescenta que a reformulação das relações econômicas e geopolíticas permite ao Brasil alcançar novos parceiros e ampliar a pauta exportadora.
"É uma nova fase de busca de segurança, diversificação e parceiros geopolíticos confiáveis. Com o imperativo da transição energética, a demanda por alimentos tende a aumentar muito, e o Brasil está bem posicionado em todos esses quesitos para se tornar um parceiro relevante neste novo momento da economia mundial", diz.
Ceará está bem posicionado
Na visão do economista, o Ceará tem vantagens no campo da energia renovável e no turismo. A vocação para a educação e os investimentos em infraestrutura também posicionam bem o Estado na região.
"Não vejo grandes lacunas. O Ceará hoje, sem nenhum favor, assumiu uma liderança na região Nordeste e é um exemplo no quesito educação. Seria muito bom que o resto do Brasil seguisse os passos do Ceará e desse a jovens e crianças condições de uma educação fundamental de qualidade", afirma.
DEBATE ECONÔMICO DE ALTO NÍVEL EM FORTALEZA
O DN Business reúne quatro dos principais economistas brasileiros no auditório do BS Design. O evento traz um olhar clínico sobre a economia brasileira para fazer um diagnóstico preciso, antecipar cenários ainda não postos e definir estratégias de alto nível para os negócios.
Além de Eduardo Giannetti, participam Ana Paula Vescovi, ex-secretária do Tesouro; Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos; e Fernando M. Gonçalves, superintendente de Pesquisa Macroeconômica do Itaú Unibanco.
O DN Business também foi concebido para ser um espaço em que conteúdo e relacionamento caminham juntos, gerando conexões e networking entre executivos e investidores.
QUEM É EDUARDO GIANNETTI
Economista mineiro, graduado em Economia e Ciências Sociais pela USP e Ph.D. em Economia pela Universidade de Cambridge. É considerado um dos economistas mais influentes e singulares do país, reconhecido como principal teórico do "liberalismo de feição social" e da "economia verde" no Brasil, unindo o rigor da ortodoxia fiscal à urgência da agenda ambiental. Recusa a matematização pura da economia, defendendo que a geração de riqueza é indissociável da ética e da cultura.
Já lecionou em Cambridge, na FEA-USP e no Insper, e atualmente dá aulas no Ibmec. É autor de obras premiadas com o Jabuti, como "Vícios Privados, Benefícios Públicos?" e "O Valor do Amanhã", nas quais desenvolve o conceito do "desconto do futuro" para explicar a dificuldade brasileira de planejamento de longo prazo. É também membro da Academia Brasileira de Letras.
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