INB reassumirá protagonismo do projeto de urânio em Santa Quitéria, diz novo diretor
Empossado novo diretor da pasta de Recursos Minerais da INB (Indústrias Nucleares do Brasil), o cearense Tomás Figueiredo afirma que chegou a hora de a empresa vinculada ao Governo Federal retomar o protagonismo do projeto bilionário para mineração de urânio e fosfato em Santa Quitéria, no interior do Ceará.
Pouco conhecida dos brasileiros, a INB exerce, em nome da União, o monopólio da produção e comercialização de materiais nucleares, com destaque para o urânio.
Suas atividades são licenciadas e fiscalizadas pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Já a produção é supervisionada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU).
A empresa é integrante do Consórcio Santa Quitéria, ao lado da gigante dos fertilizantes Galvani, mas nos últimos movimentos, tem sido eclipsada em meio ao debate público sobre o empreendimento. Com nova diretoria, encabeçada pelo presidente Marcelo Xavier de Castro, a estatal deve ganhar fôlego.
Tomás Figueiredo tem ampla experiência no setor mineral, tendo sido diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM). É conhecedor do projeto e da região — seu pai, Tomás, foi prefeito de Santa Quitéria.
A ideia agora é acelerar as iniciativas de urânio no País, em um cenário promissor da indústria nuclear no mundo. Para isso, o projeto de Santa Quitéria, onde está a maior reserva nacional deste minério, é imprescindível. O desafio é tirar o empreendimento do papel.
Em linhas gerais, o entendimento da sociedade sobre o projeto é raso. Há ainda forte resistência entre ambientalistas e militantes de alas da esquerda. Isso ficou claro nas últimas audiências públicas realizadas na região. Os eventos foram um verdadeiro pandemônio, com protestos ostensivos contra o projeto. A usina ainda aguarda sinal verde do Ibama para os próximos passos.