Disputa entre Frosty e sócios de lojas vai parar na Justiça

Vara empresarial deu decisão desfavorável à empresa, em tentativa de exclusão de sócio minoritário.

Escrito por
Victor Ximenes producaodiario@svm.com.br
Foto: Divulgação/Frosty.

Uma disputa entre a empresa cearense do segmento de sorvetes Frosty e sócios de lojas da marca foi parar na Justiça. A queixa, conforme apuração desta Coluna com fontes familiarizadas com o tema, é de que a companhia estaria tentando forçar a saída dos sócios minoritários.

Em seu processo de expansão em estados do Norte/Nordeste, a empresa cearense adotou um modelo por meio do qual firmou sociedade com alguns investidores. O parceiro entrava com um investimento em dinheiro para abrir e operar a loja, ficando com 49% de uma unidade, enquanto a Frosty entrava apenas com o know-how da marca e se mantinha como majoritária, com 51%.

Movimento de aquisições

Mais de 40 lojas da marca chegaram a funcionar neste modelo, com 8 sócios diferentes. Destes, quatro sócios já venderam suas fatias para a Frosty.

Agora, segundo apurou esta Coluna, a empresa está em negociações com os sócios para controlar as unidades integralmente.

Restam ainda mais de 20 lojas com essa formatação societária, espalhadas por Paraíba, Pernambuco e Ceará. A empresa não confirma os números.

O movimento de aquisição é perfeitamente legal no mercado, no entanto, fontes ouvidas sob anonimato afirmam que a compradora está tentando 'expulsar' sócios minoritários, oferecendo valores muito abaixo do valuation por suas participações e pulando etapas importantes do processo de negociação.

Decisão judicial

Em junho deste ano, a 1ª Vara Empresarial, de Recuperação de Empresas e de Falências do Ceará concedeu liminar favorável a um sócio minoritário, após a EFA Segantini (controladora da Frosty) convocar assembleia com o objetivo de excluir o investidor do negócio.

A Justiça determinou suspensão da assembleia por falta de motivo claro para a exclusão, prazo insuficiente, má-fé objetiva e comportamento contraditório.

"São vários os precedentes que admitem a concessão de tutela de urgência para suspender a realização de assembleia societária que, em sede de cognição sumária, ficou constatada a violação de normas e procedimentos legais e/ou contratuais", diz a decisão.

Posição da Frosty

Esta Coluna questionou a Frosty sobre o modelo societário, mas a empresa não respondeu. Também foi demandado posicionamento sobre a suposta tentativa de destituição de sócios, contudo, a companhia disse apenas que "o assunto trata de matéria societária interna, ainda em curso, e que, por respeito aos trâmites próprios desse tipo de processo, não comentará detalhes neste momento".

Acionados pela reportagem, sócios minoritários também não comentaram.

Com faturamento de R$ 300 milhões em 2025, a Frosty é o maior player no multibilionário mercado de sorvetes e picolés nordestino. A marca detém uma cadeia de mais de 140 lojas.

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