Por que as pessoas sofrem ao ver o sofrimento dos outros?

Boneco de papel com coração partido
Legenda: Pode ser uma morte, o fim de um relacionamento, um acidente, uma violência de qualquer ordem, um desastre natural, entre tantas
Foto: Pexels

Ao tomarmos conhecimento do sofrimento de alguém, quer seja do nosso círculo afetivo próximo ou mesmo de uma figura pública pela qual sentimos carinho, é natural que isso nos sensibilize, que toque o nosso coração.  

Não importa se foi alguém que nos falou, se soubemos através da tv ou do rádio. O que é certo é que a dor que o outro está vivendo, mexe com a gente. Faz vir à tona, uma dor que também está presente em nós. 

Pode ser uma morte, o fim de um relacionamento, um acidente, uma violência de qualquer ordem, um desastre natural, entre tantas. O que é comum a todas estas situações é o sofrimento e a vulnerabilidade humana. 

Quando estamos envolvidos pelo sofrimento tendemos a nos julgarmos menores, inferiores aos outros. Cabe destacar o parâmetro que imediatamente vem à mente, promovida e cobrada nas mídias sociais: de uma vida de riqueza, beleza, corpos perfeitos, família e relacionamentos perfeitos, alegria continua, verdadeira ilha da fantasia.  

Na fragilidade, nos comparamos e identificarmos que nossa vida não é assim. E aí, o mais grave, o julgamento que conclui: se não estou assim é pela minha incompetência. O sentimento de culpa que daí decorre amplia a dimensão da dor.  

Vivemos numa sociedade que continuamente enaltece e cobra a necessidade de sermos fortes, guerreiros, vencedores.  

É comum cairmos na armadilha de precisar atender a essa expectativa geral. E, se por algum motivo, não conseguirmos, a tendência é tentar esconder, reprimindo os defeitos, os “erros”, as fragilidades, pois geram vergonha e medo. Não se trata de somente ser forte, mas, essencialmente, de mostrar-se forte. Por acreditarmos que, se nos virem assim, seremos admirados, queridos, amados. 

Para reprimir, manter escondido, o organismo gasta muita energia. O que afeta o sistema imunológico e logo faz surgir as doenças físicas e psicológicas, com repercussões nos relacionamentos. 

E todos somos também vulneráveis, quer queiramos ou não. 

E na verdade, é preciso coragem para assumir e mostrar que sofre, que erra, que cai, que está doendo.

Lembrei do dito que se tornou popular:”Aceita que dói menos”. 

Segundo a pesquisadora Brené Brown, autora do excelente livro O Poder da Vulnerabilidade, “Coragem e vulnerabilidade não são opostos, pelo contrário, ser vulnerável é ter coragem de se expor sem ter qualquer controle do resultado final. E não dá para ser corajoso sem correr esse tipo de risco.” 

Pode não parecer, mas, no fundo, a maioria das pessoas empatiza e se conecta com aqueles que expõem sua vulnerabilidade. Reverbera em nós por também sermos vulneráveis. Isso porque todos nós também temos feridas que precisam de cuidados. 

O sentimento de cumplicidade nos acalma, nos alivia. Isso traz a sensação de pertencimento, de fazer parte de um par, de um grupo, de uma coletividade, que todos nós sentimos necessidade. Assim, por não nos sentirmos sós, nos humanizamos. 

Todo mundo precisa, em algum momento, de acolhimento, de aconchego, de compreensão. Precisa de uma força, de uma palavra amiga que incentiva. Às vezes, só precisa ser escutado. Outras vezes, ter alguém que dê o ombro para acolher as lágrimas, de um choro sem julgamento. Hoje pode ser que alguém querido seu esteja precisando da sua atenção.  

Qualquer que seja a dor do necessitado, não julgue, não critique, nem passe ao largo sendo indiferente. Prontifique-se a acolher e empatizar com quem, em sofrimento, está com suas vulnerabilidades expostas.  

Paz e bem! 

*Esse texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.