O time do Ceará na berlinda

Confira a Coluna desta terça-feira (4)

Legenda: O Ceará foi derrotado pelo Sport na Ilha do Retiro
Foto: Israel Simonton / Ceará SC

É natural que, diante dos insucessos, haja questionamentos sobre a qualidade do elenco alvinegro. Presta ou não presta? É precipitado simplificar tudo numa pergunta assim. Esporte coletivo é uma engrenagem complicada. Muitas vezes, um time contrata apenas jogadores de ponta, mas não obtém o resultado esperado. Nunca esqueci do timaço que o Flamengo montou para comemorar o centenário de fundação do clube. Contratou Romário, Sávio e Edmundo, compondo o que na época era considerado o melhor ataque do mundo. Também contratou o técnico Vanderlei Luxemburgo, considerado na ocasião o melhor do Brasil.

Resultado: o Flamengo passou batido na comemoração de seu centenário, sem títulos, sob protestos da torcida. Afinal, aquele Flamengo prestava ou não prestava? Claro que prestava. Mas, por motivos diversos, não deu certo. O Ceará está jogando muito mal. Guto fará a atual formação alcançar a sintonia fina, capaz de torná-la vencedora? Tudo é possível. De repente, o jogador encontra seu espaço e passa a render muito bem. É comum isso acontecer no futebol. Nas mãos de Guto Ferreira está um grupo que precisa dar conta do serviço: Formiga, Zé Ricardo, Jean Carlos, Erick Pulga, Léo Santos...  

 

Comparação 

 

Confira o time do Ceará, campeão da Copa do Nordeste, sob o comando de Guto Ferreira em 2020: Fernando Prass, Samuel Xavier, Klaus, Luiz Otávio e Bruno Pacheco; William Oliveira, Fabinho, Vina e Fernando Sobral; Leandro Carvalho e Clebão. E tinha no banco o goleiro Diogo Silva, Eduardo Brock, Ricardinho, Wescley, Lima e Rick. Dá para comparar com o elenco de hoje? 

 

Resposta 

 

O técnico Guto Ferreira, na sua estreia diante do Sport, em Recife, usou a seguinte formação: Bruno Ferreira, Michel Macedo, Tiago Pagnussat, Léo Santos e William Formiga; Caíque, Zé Ricardo e Jean Carlos; Erick, Victor Gabriel e Janderson. Conclusão simples: não há como comparar. Está aí o desafio para Guto Ferreira.   

 

Leite de pedra 

 

Com o elenco do ano passado, o Ceará disputava a Série A nacional, que exige uma formação bem mais qualificada. As equipes da Série B estão, logicamente, em um nível inferior. A pergunta é: será possível Guto Ferreira tirar leite de pedra? No futebol tudo é possível. Há formações modestas que, quando alcançam a sintonia fina, passam a obter resultados surpreendentes.  

 

Contratações 

 

Sem reforços qualificados, estará comprometida a possível volta do Ceará à elite nacional. A não ser que Guto consiga promover uma metamorfose na produção. No momento, porém, isso me parece improvável. Mesmo com a dificuldade de encontrar no mercado bons valores disponíveis, o Vozão terá de usar uma lupa, em busca da solução. 

 

Encaixe 

 

Outro dado importante: toda contratação, como costumo dizer, é uma operação de risco. Volto ao timaço que o Flamengo montou para ganhar tudo na comemoração do seu centenário. Contratou os melhores craques disponíveis na época. Não houve encaixe. Não deu certo. Não ganhou nada. Às vezes, a contratação de desconhecidos dá resultado. É a imprevisibilidade do futebol.