O retorno do atacante Clebão

Leia a coluna desta quarta-feira

Legenda: Cléber já pode voltar a treinar no Ceará.
Foto: Thiago Gadelha/SVM

Quem acompanha o meu trabalho sabe da minha admiração pelo futebol do centroavante Cleber Bonfim de Jesus, o Clebão. Por isso mesmo, fui criticado muitas vezes. Na época, eu recebia mensagens grosseiras por entender que Clebão tinha seu valor. Mas jamais disse que ela era um craque. Jamais o comparei aos grandes centroavantes do país. Sempre afirmei e reafirmo: Clebão tinha e tem qualidades positivas. Desafio agora: dentre os atacantes que o Ceará de certa época para cá contratou, quem foi melhor do que o Clebão?Dentinho, Jael, Jhon Vásquez, Jô, Matheus Peixoto, Zé Roberto, Luvanor, Victor Gabriel, Nicolas?

Tem um detalhe: nenhum desses sofreu a perseguição que o Clebão injustamente sofreu. Se o Clebão perdia um gol, lá vinha a crítica pesada; se os demais perdiam gols, os senhores críticos pediam paciência. Dois pesos e duas medidas. Nas mãos de Guto Ferreira, Clebão voltou campeão e herói do título da Copa do Nordeste de 2020. Depois, em vista das oscilações, injustamente perdeu as graças da torcida alvinegra. Para finalizar, reafirmo: Clebão não é craque, mas é bom jogador. Voluntarioso, dedicado, com notável sentimento de participação coletiva. 

O doping 

Sei que muita gente vai questionar o caso do doping, como se o Clebão tivesse usado bomba para tirar vantagem. Não foi isso. Aconteceu um doping involuntário, decorrente de descuido no uso de suplementos ou medicamentos. Isso já aconteceu com grandes estrelas do esporte. Em situação assim, o atleta é vítima de um descuido e não culpado por doping intencional. 

Destino 

Agora é esperar para ver as atuais condições do atacante Clebão. E, de certo modo, como poderá ser aproveitado na linha de frente do Ceará. Aliás, nem sei se ele permanecerá em Porangabussu. Talvez seja mesmo melhor para ele e para o Ceará a ida em busca de outros espaços, onde não sofra a má vontade de parte da torcida e de alguns cronistas. 

Força 

Lamento sobremaneira a grave contusão sofrida pelo volante Hércules, do Fortaleza. Aos 22 anos, no auge da forma, na mira de grandes clubes do Brasil e do exterior, o jovem terá agora de parar tudo. Quero acreditar que consiga recuperar-se antes do tempo previsto. O poder de recuperação dos jovens, não raro, surpreende os médicos. E acaba reduzindo o tempo de espera. Tomara.  

Grave contusão 

Uma das mais feias contusões que eu já vi foi a sofrida por Ronaldo Fenômeno, quando na Inter de Milão. Aconteceu no dia 12 de abril de 2000. Muitos apostaram que sua carreira tinha chegado ao fim. Ronaldo foi operado e se submeteu a dois anos de fisioterapia. Teve retorno triunfal na Copa do Mundo de 2002, onde se sagrou pentacampeão e artilheiro da competição com oito gols. Incrível.  

Exemplo 

Todo jogador, que sofre séria contusão, deve tomar como exemplo a postura de Ronaldo Fenômeno. A forma como ele abraçou a causa, confiando que daria a volta por cima. Não desistiu nunca. Com muita fé e resignação, submeteu-se a dois anos de intenso sacrifício. Colheu o prêmio da perseverança. Que Hércules siga, pois, o exemplo do Ronaldão.



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