Vôlei feminino inicia ciclo olímpico, que será marcado por disputas acirradas de titularidade

Sul-americano é primeira competição da caminhada até Paris 2024. Estreia do Brasil acontece nesta quarta-feira, às 19h30, contra o Peru. As duas seleções são as únicas a conquistarem o campeonato

Equipe reunida antes da estreia contra o Peru, nesta quarta-feira (15), às 19h30
Legenda: Equipe reunida antes da estreia contra o Peru, nesta quarta-feira (15), às 19h30
Foto: CBV

Em 33 edições, o Brasil conquistou 21 títulos. É o maior campeão do sul-americano de vôlei feminino, e vai em busca de consolidar ainda mais o domínio no continente. A competição este ano marca o início do ciclo olímpico, que levará até Paris, em 2024. Vale ainda vaga no Mundial de 2022, que será realizado na Holanda e na Polônia. 

O grupo brasileiro contará com muitas caras novas, apostas para o ciclo, e peças experientes, base da recém-conquistada prata olímpica. Foram convocadas: as levantadoras Macris e Roberta; as opostas Rosamaria e Lorenne; as ponteiras Gabi, Natália, Ana Cristina e Kasiely; e as centrais Carol Gattaz, Carol, Bia e Mayany. 

Em uma posição em que durante um bom tempo houve hegemonia, agora a disputa deve ser emocionante, com pelo menos duas jogadoras de muita qualidade. Natinha e Nyeme foram convocadas para as vagas de líbero. Apesar de jovens, com 24 e 22 anos, respectivamente, já têm carreiras de destaque. 

Natinha e Nyeme estão nos últimos ajustes para a estreia no sul-americano
Legenda: Natinha e Nyeme estão nos últimos ajustes para a estreia no sul-americano
Foto: CBV

Em entrevistas exclusivas, as duas deram mais detalhes sobre os preparativos para a competição que dá início ao ciclo olímpico e como encaram a responsabilidade de defender o Brasil em uma posição que já revelou grandes talentos. 

Natinha: da recuperação de lesão à surpresa da convocação 

Natinha volta à seleção após uma grave lesão no ligamento cruzado do joelho, no ano passado. Ela dá mais detalhes sobre o processo de recuperação até conseguir voltar a vestir a camisa do Brasil.

“A recuperação é muito mais mental do que física… Eu estava com minha cabeça muito boa pra me recuperar e voltar a fazer o que mais amo, era só o que passava na minha cabeça, fazer de tudo e mais um pouco pra voltar bem! Consegui me superar todos os dias pra estar bem hoje”.

A líbero conta que ficou surpresa com a convocação para o sul-americano e que não esperava a oportunidade neste momento. Tanto que se emocionou bastante quando soube. Já nos últimos ajustes para a estreia, ela diz como se sente.

“Estou muito feliz em poder fazer parte novamente da seleção, sempre foi um sonho pra mim! Eu encaro de forma leve, não me sinto pressionada em nenhum momento, porque acredito muito que quem trabalha muito tem a recompensa, é o que eu irei fazer nesse ciclo, lutar, lutar e lutar! Pode ter certeza que deixarei o Zé [Roberto] com muita dúvida de quem ele vai escolher!”

Nyeme: estreia pela seleção adulta

Já Nyeme faz sua estreia pela seleção adulta. A maranhense já esteve na sub-17 e sub-20, tendo sido eleita, inclusive, melhor líbero do mundo no campeonato mundial sub-21, em 2017. O sul-americano vai ser a porta de entrada para a jovem, que demonstra empolgação.

“Meu primeiro Sul-americano adulto, estou muito feliz e empolgada para o início desse novo ciclo. Espero que já iniciemos com o pé direito sendo campeãs.”

O sul-americano é uma das competições que permitem a lista de convocadas com 14 atletas, assim é possível levar duas líberos. Em algumas situações, elas ficam revezando em relação ao passe e recepção ou há a escolha do técnico por uma titular que assume todas as funções. Sobre a titularidade, Nyeme afirma:

“É uma grande oportunidade, vou treinar muito pra garanti-la. É o próximo passo que preciso dar, ser titular absoluta da posição”.

Função de líbero do volei feminino

Oficialmente, a função de líbero surgiu em 1998. No feminino, destacaria dois grandes nomes que defenderam a seleção brasileira. Fabi Alvim é considerada a maior de todos os tempos e esteve na seleção brasileira de 2001 a 2014. Entre as principais conquistas está o bicampeonato olímpico (os ouros foram em Pequim – 2008 e Londres – 2012).  

Camila Brait se despediu da seleção após a prata no mês passado, em Tóquio. Com uma relação um pouco conturbada, por conta de dois cortes da lista de convocadas, antes dos Jogos de 2012 e 2016, voltou no final do último ciclo olímpico e, agora, após o sonho realizado, anunciou aposentadoria.

As duas fizeram história e seguem sendo inspiração para quem inicia um novo ciclo.  Nyeme destaca: “Fabi e Brait são fenomenais, com certeza são inspirações não só pra mim, mas pra todas da posição.” E Natinha reafirma: “São as melhores, estou muito feliz em estar de volta com a equipe e espero ajudar muito o time em quadra.” 

O ciclo olímpico para as duas e para seleção começa nesta quarta-feira (15) contra o Peru, às 19h30. A partida é o primeiro desafio pelo sul-americano, que contará ainda com Argentina, Chile e Colômbia. 

Confira os jogos do Brasil no sul-americano: 

15/9 – 19h30: Brasil x Peru (SporTV2)
16/9 – 19h30: Brasil x Argentina (SporTV2)
17/9 – 19h30: Brasil x Chile (SporTV2)
19/9 – 21h30: Brasil x Colômbia (SporTV2)