Roberto Cláudio diz que oposição segue unida e que nomes serão definidos apenas em 2026
Ex-prefeito minimiza a declaração de André Fernandes sobre PL ter candidato próprio no próximo ano
Em meio às especulações provocadas pelo anúncio do PL de que terá candidatura própria ao Governo do Ceará em 2026, o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, busca reduzir a temperatura no campo da oposição. Em conversa com esta coluna, ele reforçou que o “sentimento de união” entre os partidos segue vivo e que as definições sobre nomes da chapa majoritária só deverão acontecer no próximo ano, com exceção da vaga de senador para o PL, conforme já tratado.
"Neste ano, a prioridade é continuar de forma coordenada e articulada como temos feito. Não é momento de tratar sobre nomes. Vamos tratar isso só no próximo ano", disse o ex-prefeito que recentemente deixou o PDT e deve se filiar ao União Brasil.
A declaração vem ainda na repercussão das falas do deputado federal André Fernandes (PL), que afirmou na semana passada que o partido lançará candidato próprio ao Palácio da Abolição, descartando uma aliança com Roberto Cláudio e Ciro Gomes no primeiro turno. Apesar disso, o ex-prefeito sustenta que ninguém está fazendo “cavalo de batalha” por cargas, e que há disposição geral para o diálogo interno entre as legendas.
"Os partidos podem se manifestar, têm o direito de colocar suas pretensões. O importante é que todos estejam abertos ao diálogo. Há uma força na união: a maior competitividade para todos os partidos. Essa união fortalece o palanque de governador, o Senado e também as chapas proporcionais", diz ele.
Ponderação sobre divergências
Roberto Cláudio também comentou sobre o cenário nacional e os pontos de atrito entre nomes como Ciro Gomes e a base bolsonarista, um dos fatores que causam tensão no campo da oposição cearense.
"Essa é uma variável que vai ter que ser conversada. Mas temos que compreender o contexto: no dia em que houve a manifestação do André, o Bolsonaro estava sendo alvo de operação da Polícia Federal", ponderou.
A fala foi um gesto de tentativa de contenção dos efeitos políticos do possível racha, sinalizando que o ex-prefeito vê margem para reaproximação. Ele reconhece que há duas camadas na construção da aliança: uma programática, que deseja “um novo ciclo político para o Ceará”, e outra pragmática, que compreende a união como boa para todas as candidaturas e chapas dos partidos.
Foco em propostas e mobilização
Para além da composição da chapa, Roberto Cláudio defende que a oposição se concentre, neste momento, em apresentar alternativas para os problemas do estado. O ex-prefeito tem percorrido o interior do Ceará, reforçando o discurso de mobilização política com base em propostas.
“O mais importante é continuarmos denunciando os problemas, apontando caminhos para o Estado e mobilizando as pessoas.”
Em meio aos ruídos, a estratégia de Roberto Cláudio, e de parte da oposição, tem sido a de baixar o tom do confronto interno e preservar a aliança. Os nomes, segundo ele, ficam para depois. A construção, por ora, é de bastidores.