Presidente do TRE-CE diz que Justiça não será conivente com a 'mentira' nas Eleições 2022

Uma das principais diretrizes de preparação para o pleito deste ano é o combate à desinformação. Justiça Eleitoral espera receber mais de 100 mil denúncias de fake news

Desembargador Inácio Cortez, presidente do TRE-CE
Legenda: O presidente do TRE-CE lembrou o processo que desencadeou o nazismo na Europa no início do Século XX e alertou para os riscos da desinformação
Foto: Fabiane de Paula

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), desembargador Inácio de Alencar Cortez Neto, informa que a Justiça Eleitoral terá, nas Eleições 2022, um dos principais pilares no combate à desinformação e à “mentira” no processo de escolha dos representantes. Ele alerta para os riscos da disseminação de notícias falsas e lembra o processo que desencadeou o nazismo na Europa no início do Século XX.

A diretriz de fechar o cerco contra os conteúdos duvidosos, principalmente aqueles que atacam a lisura do processo eleitoral, partiu do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, e foi repassado aos comandos estaduais em recente reunião do presidente, ministro Edson Fachin, com os presidentes de TREs de todo o País.

Em entrevista a este colunista, o presidente do TRE cearense foi enfático ao dizer que este assunto será prioridade. 

“Não podemos conviver com falsidade, com mentira, principalmente quando vamos decidir quem serão os dirigentes deste País. Não se justifica que se pegue informações inverídicas e se dê essa conotação (eleitoral)”
Inácio Cortez
Presidente do TRE-CE
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Desde o ano passado, a Justiça Eleitoral tornou permanente o Programa de Combate à Desinformação nas Eleições, que consiste em um conjunto de ações e medidas para tentar dar uma resposta às constantes notícias falsas sobre o processo eleitoral no Brasil.

Sobre este assunto, na oportunidade em que reuniu os comandantes das Cortes Eleitorais em Brasília, Fachin foi duto ao dizer que a democracia está sob risco e que são necessárias medidas urgentes.

“Temos à nossa frente um período turbulento. Espero que, com serenidade e sabedoria, encontremos soluções e superemos desafios. A Justiça Eleitoral está sob ataque. A democracia está ameaçada. A sociedade constitucional está em alerta. Impende, no cumprimento dos deveres inerentes à legalidade constitucional, defender a Justiça Eleitoral, a democracia e o processo eleitoral”.
Edson Fachin
Presidente do TSE

Inácio Cortez lembrou lições da história que a humanidade deve agir para evitar que haja retrocessos em marcos civilizatórios consolidados. “Isso me lembra muito o Joseph Goebbels, o ministro da propaganda nazista, ele dizia que uma mentira muitas vezes repetida se torna verdade. O nazismo foi criado em cima disso”, advertiu.

Parcerias com plataformas digitais

Recentemente, a plataforma Youtube, do Google, anunciou que irá retirar do ar vídeos com alegações de supostas fraudes na Eleição Geral 2018, um dos temas que têm desafiado a Justiça Eleitoral, por serem reforçados, com certa frequência, por figuras públicas de destaque no cenário nacional, como o próprio presidente da República, Jair Bolsonaro.

A plataforma é uma das parceiras do Tribunal Superior Eleitoral na missão de combater a desinformação sobre a segurança do voto eletrônico no País.

100 mil
denúncias de notícias falsas são esperadas pelo TSE para o ano eleitoral de 2022

Na reunião recente com os tribunais locais, o TSE informou que, em 2021, recebeu 5.500 denúncias de notícias falsas sobre o processo eleitoral. A expectativa, entretanto, é que nesse ano às denúncias passem de 100 mil, pelas contas da área de tecnologia da Corte.

O grande desafio é ensinar as pessoas a detectarem uma notícia falsa e denunciarem os casos. Para isso, Inácio Cortez pediu a ajuda da imprensa.

“Do jeito que nós asseguramos à imprensa o direito de informar, que é uma obrigação constitucional, nós também precisamos proteger a sociedade de maus jornalistas, porque eu nem considero profissionais, mas pessoas irresponsáveis”, encerrou.