Por que o lockdown demorou a acontecer no Ceará? Camilo Santana responde

O crescimento avassalador dos casos nos últimos dias mostraram que a demanda por leitos é maior do que a possibilidade de expandir a rede

Legenda: Camilo Santana concedeu entrevista exclusiva ao CETV 1ª Edição da TV Verdes Mares
Foto: Isanelle Nascimento

Desde o início de fevereiro, a situação do Ceará em relação à pandemia do coronavírus é considerada grave pelos especialistas em Saúde. Ainda na primeira quinzena do mês passado, os números de internações se multiplicavam, assim como o de novos casos. Em várias cidades do País, a recomendação era de lockdown por, pelo menos, 14 dias, para tentar conter a onda que parecia avassaladora. E se confirmou. 

Neste momento, dia 4 de março de 2021, em que o governador Camilo Santana (PT) decretou o isolamento social rígido, a pergunta que se faz é: Por que o lockdown demorou a ser decretado? 
 

Em entrevista exclusiva, da qual este colunista participou no telejornal CETV 1ª Edição, da TV Verdes Mares, o chefe do Executivo responde a essa pergunta.

Segundo ele, as medidas adotadas desde então, como o toque de recolher, conseguiram reduzir o fluxo de pessoas nas ruas. Além disso, a abertura de novos leitos de UTI, saltando de 186 para 933 leitos para covid-19 no Estado, e a redução do horário de funcionamento de algumas atividades, foram medidas consideradas também como positivas. Entretanto, não conseguiram frear o crescimento da curva de casos. 

A adoção do lockdown neste momento, segundo Camilo, ocorre pelo risco real de colapso na estrutura de saúde, tendo em vista que a abertura de novos leitos tem estrutura limitada. 

Confira o trecho em que o governador argumenta sobre a demora no lockdown:

“Nossa prioridade é preservar vidas. Estamos monitorando o tempo inteiro. Para isso, temos um Comitê (Científico de Enfrentamento à Covid-19). Avaliamos semanalmente os dados. Tomamos medidas como o toque de recolher que reduziu o fluxo de pessoa na cidade. Um exemplo disso é a redução de demanda de acidentes do IJF.  As pessoas precisam entender: além da demanda forte da covid-19, tem os outros problemas de saúde que os hospitais atendem. Por conta da alta demanda, suspendemos as cirurgias que não eram urgentes para dar prioridade ao combate à Covid. (...) Promovemos um crescimento dos leitos de UTI (saindo de 186 no início do ano para 933 agora)... Só no (Hospital Leonardo) Da Vinci, tínhamos 35 leitos de UTI em janeiro porque não tinha demanda. Hoje, temos 180 leitos e estão lotados... Então, com a abertura desses leitos, o toque de recolher, o apelo que estávamos fazendo à população, a gente esperava conseguir suprir a demanda. Mas a análise dos dados dessa semana mostrou que não é possível. A propagação do vírus e a demanda de pessoas com casos graves é muito maior do que a possibilidade de abrir leitos. Isso tem um limite de estrutura e na quantidade de pessoas (médicos e profissionais da Saúde). A única forma neste momento é isolamento rígido. Como Fortaleza é o epicentro, começamos por aqui”.