Após aprovar manifesto, presidente da Alece quer levar debate sobre tarifaço para demais assembleias
Romeu Aldigueri levou o assunto ao Colégio de Presidentes dos LEgislativos Estaduais, mas deve ter resistências
A oposição ao governo do Estado na Assembleia Legislativa estava de trincheira armada, na sessão de quinta-feira (10), para bombardear o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) proposto pelo governo Elmano, mas foi surpreendida com um debate proposto pelo presidente da Casa, Romeu Aldigueri (PSB).
Em resposta à carta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, o plenário aprovou, com ampla maioria, o manifesto em repúdio à medida e em defesa da economia nacional.
A decisão de pautar o texto surpreendeu a oposição e teve o apoio de mais de 30 deputados. Apenas oito parlamentares, da oposição, votaram contra.
Romeu agora quer pautar o Colégio de Presidentes das Assembleias do País e levar o debate para o âmbito nacional. Em conversa com esta Coluna, o parlamentar disse ter proposto o assunto no grupo dos presidentes.
A proposta, entretanto, deve encontrar resistências por questões políticas. Estados do Sul e Sudeste têm parlamentos estaduais com perfil mais conservador, com vantagem à aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), citado por Trump na carta a Lula.
Prejuízo aos estados
O Ceará é um dos estados mais prejudicados com o tarifaço de Trump. Só no primeiro semestre deste ano, do total aproximado de US$ 1 bilhão exportado pelo estado, mais da metade foi para os Estados Unidos: US$ 556 milhões, o que significa mais de R$ 3 bilhões.
Somente os produtos e aço e ferro correspondem a R$ 2,3 bilhões deste total. Entretanto, outras cadeias produtivas como peixes, óleos e ceras vegetais, castanha de caju e calçados são diretamente afetadas com as medidas.