Ao lançar Priscila ao Senado, Michelle Bolsonaro manda recados ao Ceará e à sucessão de Lula

Ex-primeira-dama tem liderança em um forte segmento do eleitorado feminino e evangélico e mostra estar no jogo para 2026

Escrito por
Inácio Aguiar inacio.aguiar@svm.com.br
Legenda: Vereadora mais votada em Fortaleza, Priscila Costa é votada em um segmento do eleitorado semelhante ao de Michelle
Foto: Reprodução/Instagram

O anúncio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, nesta quarta-feira (24), em Brasília, do nome de Priscila Costa na disputa ao Senado, traz um novo ponto de atenção no processo de organização da oposição no Ceará para 2026. Ao confirmar a vereadora de Fortaleza como pré-candidata, Michelle manda um recado para o Ceará e para os aliados em âmbito nacional. 

A escolha no Estado não é trivial. Em março, o ex-presidente Jair Bolsonaro havia citado, em entrevista, o nome do deputado estadual Pastor Alcides, pai de André Fernandes, como pré-candidato natural ao Senado em 2026.  

Desde então, o nome dele passou a ser tratado como certo na disputa, não apenas entre dirigentes do PL, mas também entre figuras de peso da oposição no Estado. O ex-ministro Ciro Gomes (PDT), cotado para disputar o Governo do Ceará, chegou a manifestar simpatia por Alcides, reforçando a ideia de que sua pré-candidatura era ponto pacificado. 

O peso político de Michelle e a sinalização nacional 

O gesto simbólico de Michelle, feito na sede nacional do PL e ao lado do presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, dá contornos nacionais à definição. Para o bolsonarismo, Michelle é uma das principais lideranças em ascensão, com influência direta sobre as bases femininas e o eleitorado evangélico do partido, base semelhante à de Priscila no Ceará. Sua palavra, portanto, pesa. 

Além disso, neste momento em que Bolsonaro encontra-se inelegível, a declaração mostra a esposa de Bolsonaro demonstrando autonomia para lançar nomes e liderar movimentos de olho em 2026. Há movimentos semelhantes em várias frentes. 

Não é a primeira vez que Michelle coloca Priscila no radar. Em junho, a ex-primeira-dama já havia citado o nome da vereadora como opção ao Senado, mas, naquele momento, lideranças locais pediram cautela. A diferença, agora, está no respaldo explícito da direção nacional do partido e na visibilidade do ato em Brasília. 

O desafio do PL no Estado: conciliar 

A movimentação impõe ao deputado federal André Fernandes, novo presidente do partido, a necessidade de conciliar os interesses. Nesta nova função, conforme já analisamos nesta Coluna, esta será uma das missões que ele terá no comando. 

Um dos desafios é equilibrar a força do bolsonarismo nacional com os interesses locais. A propósito disso, a formatação da chapa majoritária para 2026 vai depender da articulação política entre lideranças que, por vezes, têm interesses conflitantes.