Aliados não querem nem ouvir falar em candidatura nacional de Ciro Gomes
Saída do ex-ministro do debate pode fragmentar a oposição no Estado
Por uma razão óbvia, aliados do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) não querem nem ouvir falar na hipótese de ele ser candidato à Presidência da República neste ano. A possibilidade começou a ganhar força após o convite formal do presidente nacional tucano, Aécio Neves, para que o cearense coloque o nome à disposição como pré-candidato nacional pelo partido.
Conforme mostrou esta Coluna, Ciro autorizou o dirigente a incluir seu nome em pesquisas de opinião, para que a legenda tenha informações sobre a aceitação popular e possa definir os próximos passos na estratégia, se é que ela existe.
No Ceará, lideranças próximas de Ciro consideram ser “zero” a chance de ele aceitar uma aventura nacional, principalmente diante do cenário polarizado entre Lula e o bolsonarismo. Mais do que uma análise de cenário, as declarações carregam uma torcida voltada à sobrevivência política.
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Atualmente, Ciro é o nome da oposição no Ceará com real chance de vitória na disputa pelo Governo do Estado e, desde o ano passado, articula a montagem de uma chapa forte no campo de centro e direita. Na janela partidária, por exemplo, deputados estaduais de oposição ao governo Elmano de Freitas se filiaram ao PSDB na expectativa de que uma candidatura majoritária de Ciro impulsionasse os votos nas chapas proporcionais.
Fragmentação de candidaturas
Caso o ex-ministro opte pelo plano nacional, o candidato local teria de ser de outra sigla, como o União Brasil, o que comprometeria a estratégia inicial. Além disso, cresce o risco de o PL não compor com o PSDB no Ceará em caso de candidatura presidencial de Ciro. A fragmentação poderia frustrar os planos da oposição no Estado.
Estratégia de centro
Ouvidas pela Coluna, figuras que acompanham de perto o processo avaliam que o convite de Aécio integra uma estratégia nacional de fortalecimento do partido e, ao mesmo tempo, busca reposicionar os partidos de centro no debate sobre a sucessão presidencial.
A queixa recorrente é que o PL, principal força de oposição a Lula no plano nacional, concentra atenções no nome do senador Flávio Bolsonaro e pressiona outras siglas a aderirem sem negociação prévia, no estilo “vem quem quiser”.
Diante desse cenário, partidos de centro buscam lançar nomes para forçar um diálogo mais equilibrado na formação de um palanque oposicionista.
Pressão política
O movimento de Aécio ao incluir Ciro nas discussões funcionaria mais como instrumento de pressão política do que como indicativo de uma candidatura efetivamente em construção, avaliam aliados no Ceará.