Conheça a primeira travessia aérea realizada entre Lisboa e Rio de Janeiro em 1922
A primeira travessia aérea do Atlântico Sul foi realizada entre 30 de março e 17 de junho de 1922, pelos aviadores portugueses Sacadura Cabral e Gago Coutinho.
A viagem ligou Lisboa ao Rio de Janeiro, então capital do Brasil, passando por algumas regiões do Nordeste brasileiro como Fernando de Noronha, Recife, ‘Baia’, Porto Seguro, ‘Victória’ e o destino final, Rio de Janeiro.
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O contexto da travessia foi a celebração dos 100 anos da independência política do Brasil, ocorrida em 1822.
“Sobre a terra um ligeiro aguaceiro e um arco-íris completo envolvendo a histórica Torre de Belém como n’uma auréola de glória. Vemos ainda lenços agitando-se na muralha do Centro de Aviação. O último adeus e voltando suavemente, meto a proa ao Bugio sobre o qual passamos às 7h05m. Estava iniciada a travessia aérea Lisboa-Rio”, escreveu o Comandante Sacadura Cabral no Relatório da 1ª Travessia do Atlântico Sul em 1923.
Na capital portuguesa, achei um monumento da primeira travessia do Atlântico Sul que fica localizado no Jardim da Torre de Belém e é uma reprodução em aço inox do hidroavião Fairey F III-D, chamado de Lusitânia.
A travessia só findou com o uso de três exemplares do hidroavião, dado que os dois primeiros apresentaram falhas mecânicas durante a operação e ficaram inutilizados para continuar a travessia.
Numa dessas trocas de aviões, a equipe passou dias no arquipélago de Fernando de Noronha, aguardando a chegada de nova aeronave.
Gago Coutinho e Sacadura Cabral
Os aviadores portugueses foram aclamados em todas as cidades brasileiras pelas quais passaram. Haviam completado a primeira travessia do Atlântico Sul com um método próprio de navegação através das estrelas.
Pesquisando sobre o heroico episódio, inclusive, agora sei quem é o Gago Coutinho que dá nome à praça localizada em frente ao aeroporto internacional de Salvador, dado que o cartógrafo, navegador e militar português realizou pouso na cidade durante a travessia.
Sextante adaptado para o voo sobre o mar
Gago Coutinho e Sacadura Cabral desenvolveram um processo inovador para reconhecerem a posição de uma aeronave em alto-mar, recorrendo às técnicas de navegação astronômica utilizadas a bordo dos navios.
Para a medição das alturas dos astros, utilizaram o sextante modificado para a aviação: a adaptação consistia num sistema de horizonte artificial ao sextante clássico da marinha.
A aeronave à hélice era equipada com indicador de velocidade em relação ao ar e bússola. O motor da aeronave era tão ruidoso, que Sacadura e Gago se comunicavam por mensagens escritas em papel.
A viagem completa entre Lisboa e Rio de Janeiro durou mais de 60 dias, porém, o tempo efetivo de voo foi aproximadamente de 72 horas.
Em 1954, a TAP, companhia aérea de Portugal, convidou Gago Coutinho para um voo experimental ao Rio de Janeiro em uma aeronave da Douglas Aircraft Company DC-4, antecipando a futura linha regular que seria estabelecida em 1961.
Justamente, a TAP é a companhia que mais liga Europa ao Brasil.
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*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.