Uma tentativa de politizar o projeto da dessalinização

Os estudos sobre os impactos ambientais do empreendimento só estarão prontos em janeiro do próximo ano. Por que uma audiência pública hoje sobre o assunto?

Legenda: Usina de dessalinização será construída na Praia do Futuro
Foto: Talles Freitas

Parece estar em curso uma tentativa de politização do projeto de construção da usina de dessalinização da água marinha que o governo do Estado, por meio da Cagece, implantará na Praia do Futuro para produzir 1 m³ de água doce a ser injetado na rede de distribuição de Fortaleza, beneficiando 720 mil pessoas residentes em vários bairros de Fortaleza. 

É o que se presume diante da realização, nesta terça-feira, 26, de uma audiência pública convocada, extemporaneamente, pela Assembleia Legislativa do Estado para um debate sobre “os impactos ambientais da dessalinização da Praia do Futuro”.

Segundo o engenheiro Renan Carvalho, diretor da Marquise Infraestrutura e presidente do consórcio SPE Águas de Fortaleza, ganhador da licitação promovida pela Cagece, trata-se de “uma discussão claramente prematura, tendo em vista que “o aprofundamento dos estudos técnicos e ambientais, sob a coordenação do professor Fábio Perdigão, pós-doutor em Gestão Integrada da Zona Costeira, foram iniciados há apenas dois meses e só serão concluídos em janeiro de 2022, conforme está previsto no edital”.

Renan Carvalho lembra ainda que está previsto no processo de licenciamento ambiental uma audiência pública tão logo se concluem os estudos “para, aí sim, uma discussão adequada sobre os eventuais impactos”. 

Representando o Consórcio Águas de Fortaleza, Carvalho reitera ainda que o projeto “é tecnicamente adequado, ambientalmente seguro e já bastante consagrado ao redor do mundo”, devendo, também, diversificar a matriz hídrica de Fortaleza, além de criar mais de 1 mil empregos entre diretos e indiretos. 

O equipamento terá capacidade de produção de 1 m³/s, aumentando em 12% a oferta de água e beneficiando algo em torno de 720 mil pessoas da Capital cearense.

Ora, se o consórcio responsável pelo projeto ainda realiza os estudos sobre a tecnologia a ser utilizada e sobre ospossíveis impactos ambientais que causará, e se os próprios deputados estaduais e o público alvo dessa audiência também não dispõem de informações sobre oempreendimento, sugere o bom senso que uma reunião pública para ouvir a sociedade a respeito dos efeitos da dessalinização do meio ambiente da Praia do Futuro só deva acontecer em janeiro ou fevereiro de 2022, quando osestudos estiverem concluídos.

Por enquanto, nada há a ser dito sobre os aspectos ambientais do projeto.