Um empresário otimista com o Ceará e o Brasil
Cristiano Maia, multiempresário cearense, considera que na cena nacional há problemas, como os juros altos e a dívida, mas nada que um ajuste fiscal não resolva
Conversar com o empresário Cristiano Maia é sempre uma chance de aprender a respeito de tudo – sobre a gestão corporativa, a política e os políticos e os segredos da vida, também. Engenheiro civil, dono de um grupo de empresas que atuam em múltiplos setores da atividade econômica do Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco, ele tem aquele sexto sentido que o leva a descobrir bons negócios onde outros, até os concorrentes, não enxergam, e esta é uma virtude que só adquire quem já amargou reveses que a vida profissional reserva aos fortes e aos tementes a Deus. É o caso de Cristiano Maia. Esta coluna quis saber como ele vê e encara o atual momento da política e da economia do Ceará e do país como um todo. Comecemos pela sua visão sobre o cenário cearense. Eis o que, com outras palavras, ele disse a respeito do tema:
"Nos últimos 30 anos, o Ceará e os cearenses vivemos um profundo período de mudanças, tanto na política quanto na economia. Em 1987, houve o que pode ser chamado de um duro ajuste fiscal. O estado, que convivia com grave desarranjo das contas públicas, em pouco tempo passou a ter superávit, ou seja, passou a gastar menos do que arrecadava. O resultado desse câmbio, que realmente foi duro e fez muita gente sofrer, resultou em conquistas. Por exemplo: a mortalidade infantil, graças ao programa 'Agentes de Saúde', foi reduzida drasticamente, o que levou o Unicef, que é o Fundo das Nações Unidas para a Infância, a outorgar ao governo do Ceará seu maior troféu, o Prêmio Maurice Pate, entregue no plenário da ONU, em Nova Iorque.
"Essas mudanças alcançaram a gestão financeira do governo, a tal ponto que, nos anos 90, o Tesouro estadual foi ao mercado e recomprou os títulos de sua dívida, zerando-a, algo absolutamente inédito. Desde então, o caixa ficou equilibrado e isto permitiu que o estado passasse a investir mais em sua infraestrutura, melhorando-a consideravelmente, e aí estão o Porto do Pecém, o Aeroporto Pinto Martins, a duplicação das estradas que levam a todas as cidades do litoral Leste e Oeste, incrementando o turismo e fazendo do Ceará um dos principais destinos turísticos do Brasil. E temos tido sorte com os governadores, os quais, cada um a seu modo, têm trazido a gestão pública sob rédeas controladas.
"Chegou a hora de mais uma eleição para governador, e eu posso dizer, com a curta, mas muito boa experiência de ex-prefeito de Jaguaribara e de empresário que gera emprego e renda aqui, que os dois principais candidatos ao Palácio da Abolição estão prontos para enfrentar e vencer os novos desafios. O Ceará tem grandes projetos estratégicos que são do conhecimento de ambos os candidatos, e estes sabem o que fazer e como fazer para implementá-los".
E no plano nacional, como Cristiano Maia observa a cena política e econômica? Ele responde:
"A eleição presidencial deste ano, que se aproxima rapidamente, será, como foi a última, difícil para os dois candidatos que lideram as pesquisas. O que me preocupa, como empresário responsável por quase 4 mil empregos diretos em três estados onde operam minhas empresas, é o próximo ano de 2027. Temos inflação acima do teto da meta, temos juros muito altos, o que trava novos investimentos, temos uma dívida pública cujo crescimento precisa de ser estancado e temos os juros dessa dívida, que hoje passaram de R$ 1,2 trilhão por ano. É isto que me preocupa de olho no próximo ano de 2027. Do meu ponto de vista, será necessário um forte ajuste fiscal, e o próprio ministro da Fazenda, Dario Durigan, já o admite. Mas o ajuste terá de contar com o apoio do Congresso Nacional, e aqui reside uma dificuldade porque a relação Legislativo-Executivo tem sido difícil e cara. Mas como o problema a enfrentar tem a dimensão da geografia brasileira, minha esperança é de que o bom senso prevalecerá, obrigando os dois poderes a buscar o entendimento.
"Preocupa-me, também, a PEC que extingue a jornada 6x1 e cria a 5x2. A economia brasileira ainda não é rica suficientemente para reduzir o trabalho. Este é um tema que exige um debate maior com todos os atores envolvidos, ou seja, o governo, os trabalhadores e a liderança empresarial. Extinguir, abruptamente, a jornada 6x1 pode ter consequências sociais graves, e o desemprego é uma delas. Este não é um tema para ser debatido sob o calor de uma campanha eleitoral.
"Apesar de tudo, mantenho meu otimismo com o Brasil e com o Ceará, principalmente", diz Cristiano Maia, concluindo com uma mensagem aos jovens:
"Sustentem seus atos na fé em Deus, mantenham unida a família e cultivem os amigos. Esta é a boa receita para viver e enfrentar as dificuldades vida."
PRESIDENTE DA FAEC TENTA ATRAIR A JBS PARA O CEARÁ
Está em São Paulo o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec), Amílcar Silveira. Ontem, ele se reuniu com Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS, gigante brasileira e mundial da área de proteína animal, com o qual conversou sobre possíveis investimentos da empresa neste estado.
A reunião aconteceu em meio a uma agenda de articulação da Faec para ampliar a produção, a industrialização e a capacidade de produção de alimentos no Ceará.
Amílcar Silveira tem defendido a ampliação das cadeias produtivas da agropecuária, o melhor e mais rápido acesso ao crédito e consolidação de uma infraestrutura voltada ao aumento da produção do setor, além da maior inserção do Ceará nos mercados internacionais.
A reunião com a cúpula da JBS foi uma etapa de prospecção e articulação institucional que o presidente da Faec desenvolve para fortalecer a integração do Ceará às cadeias de produção, processamento e comercialização de proteína animal.
A propósito: Amílcar Silveira, que também preside o Instituto CNA, braço de tecnologia e inovação da Confederação Nacional da Agricultura, confirmou que, nos primeiros dias de março de 2027, promoverá em Campinas (SP) um evento de tecnologia que reunirá 1 mil startups e 50 fundos de investimento. Objetivo: atrair para o agro brasileiro o que há de mais inovador na tecnologia mundial.
ANTIGA ELETROBRAS, AXIA GERA 93% DA ENERGIA DO NORDESTE
Informa a Axia Energia (antiga Eletrobrás): suas usinas hidrelétricas instaladas e em operação no Nordeste, concentram a maior fatia da capacidade instalada hídrica no subsistema da região, com 93% do total. Dos 11.028 MW (megawatts) de potência registrados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) na região nordestina, os ativos da Axia respondem por 10.263 MW, o que posiciona a empresa como a principal geradora e supridora de energia para os seus nove estados.
Estes dados consideram informações do ONS para a capacidade instalada hídrica do subsistema Nordeste e, ainda, resultados de geração apurados no primeiro semestre deste ano de 2026.
Durante esse mesmo período, as 12 hidrelétricas que a Axia detêm no Nordeste, inclusive Paulo Afonso e Sobradinho, geraram, de forma acumulada, 14,84 terawatt-hora (TWh) de energia. Esse volume é suficiente para abastecer 30% de todo a região Nordeste no mesmo período ou, simultaneamente, os estados do Ceará e de Pernambuco, também nos primeiros seis meses do ano.
Entre as hidrelétricas da Axia no Nordeste, destaca-se o Complexo de Paulo Afonso, localizado entre Alagoas e Bahia. Composto por cinco usinas, o ativo constitui a maior em potência instalada da região, com 4.280 MW.
Também integram o portfólio a Usina Hidrelétrica de Xingó, situada na divisa entre Sergipe e Alagoas, com 3.162 MW de capacidade, e a Usina de Luiz Gonzaga, antiga Itaparica, localizada entre Pernambuco e Bahia, com 1.480 MW. Esta última passa por um programa de modernização de R$ 1 bilhão que aumentará sua produção em 246,6 MW por meio da instalação de uma nova unidade geradora.
Com esse conjunto de ativos, a Axia Energia contribui para a segurança do fornecimento elétrico aos quase 20 milhões de domicílios nordestinos, além de promover o desenvolvimento da produção industrial e do comércio regionais, a geração de emprego e a implantação de novas tecnologias que demandam energia, centros de pesquisa em Inteligência Artificial (IA) e hidrogênio verde.
De acordo com Tony Ulysses, diretor-presidente da Axia Energia na Região Nordeste, os números de geração demonstram o papel estratégico que as usinas hidrelétricas da região desempenham para a economia e para o sistema elétrico nacionais.
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