Transnordestina: o futuro do Ceará chega sobre trilhos

Avançam as obras no trecho mais difícil da ferrovia, o Maciço de Baturité, onde um viaduto começou a ser feito

Escrito por
Egídio Serpa egidio.serpa@svm.com.br
Legenda: As obras de construção da Ferrovia Trannsordestina ganharam velocidade de cruzeiro no trecho difícil do Maciço de Baturité
Foto: Kid Júnior / SVM
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Industriais, agropecuaristas, comerciantes, vendedores ambulantes e gente simples do povo começam a olhar com mais interesse e mais atenção para o andamento da construção de uma obra importante para a economia do Ceará: a Ferrovia Transnordestina, um projeto que impactará, positiva e fortemente, na infraestrutura não só deste estado, mas da região Nordeste, principalmente sua parte Ocidental, que inclui a geografia cearense, a piauiense e a maranhense.  

Dito isto, esta coluna tem a enorme alegria de transmitir uma informação em primeira mão: as obras do trecho da Transnordestina localizado no Maciço de Baturité, principalmente na zona rural do município de mesmo nome, ganharam o ritmo do frevo, "seguem em velocidade de cruzeiro e agora mostram boas novidades", como disse Alex Trevisan, diretor Comercial e de Terminais da Transnordestina Logística S/A (TLSA), empresa que tem a concessão do que é hoje o maior empreendimento ferroviário privado do país.  

E a melhor das novidades é esta: começaram as obras de construção do viaduto de 600 metros de extensão sobre a Rodovia CE-060, a Estrada do Algodão, que liga Fortaleza a Jardim, na região do Cariri, no Sul do Ceará. Essa obra de arte permitirá que trem e caminhão circulem livremente, cada um no seu quadrado, uma solução que a engenharia rodoferroviária encontrou para permitir a convivência plena e pacífica desses esses dois modais de transporte.  

Alex Trevisan não esconde seu entusiasmo com o dinamismo que ganhou a implantação dos trechos cearenses da Transnordestina, que agora já tem o Porto do Pecém aparecendo no seu radar, "tudo de acordo com o nosso cronograma". O trecho da ferrovia na área do Maciço de Baturité parecia o mais difícil porque localizado em área montanhosa, mas, de acordo com Trevisan, "tudo avança normal e rapidamente, agora com as fundações dos pilares do viaduto e com cortes e aterros necessários, reforçando a nossa promessa de que, no fim do próximo ano de 2027, nossas locomotivas e nossos vagões chegarão à Estação Pecém", onde, aliás, a Transnordestina Logística investe, desde junho deste ano, R$ 1,3 bilhão na instalação de um Terminal de Integração de Uso Privado (TUP), que será operado pela sua subsidiária Nordeste Logística (Nelog).  

O projeto do TUP inclui uma ponte para descarga de minérios, um viaduto ferroviário e uma moega para a coleta de grãos. Visto de cima, o Complexo do Pecém mostrará, daqui a dois anos, umacena panorâmica que, de tão grande, "ampliará o orgulho dos cearenses". Alex Trevisan, sonhando alto, revela que a proposta do TUP é movimentar até 30 milhões de toneladas por ano de cargas como grãos, minérios e fertilizantes. Então, falta pouco para tudo isso acontecer 

Para os que ainda não sabem, uma informação: os trens da Ferrovia Transnordestina seguem operando comercialmente, entre o Sul do Piauí e Quixeramobim. É uma operação, digamos assim, meia boca, porque ainda não está pronto o conjunto de terminais de carga que existirão ao longo do percurso dessa estrada de ferro, cujas composições, de carga ou de passageiros (se e quando houver), circularão a uma velocidade de 80 km por hora, bem maior do que os 30 Km com que circulavam os velhos e barulhentos trens da antiga Rede Ferroviária Federal (Rffsa) até as últimas três décadas do Século passado. Serão por esses terminais, todos privados, que se fará toda a logística de transporte comercial da Transnordestina, que terá em Iguatu e em Quixeramobim terminais de carga, incluindo as de exportação. A propósito: a elite política e empresarial daquele município está mobilizada no sentido de criar ali uma Zona de Processamento para Exportação (ZPE), proposta que foi, no último dia 14, apresentada ao presidente Lula, que, evidentemente, se mostrou favorável (o tempo é de eleição e reeleição).  

Um dos objetivos da Ferrovia Transnordestina é bem claro: melhorar e baratear o transporte da riqueza produzida no interior do Nordeste, fazendo-a circular rapidamente, com segurança, entregando e recebendo mercadorias de todo tipo. A expectativa é de que isso se realize a partir do momento em que toda a operação comercial da empresa estiver estruturada. A própria Transnordestina já disse que apenas um dos seus trens, com 126 vagões de carga, substitui 380 caminhões ou carretas.  

O sonho de mais progresso para o Ceará está vindo sobre trilhos, e já apitando, dando o aviso de sua chegada em dezembro de 2027.  

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