Refinaria da Noxis, no Pecém, também produzirá metanol

A unidade de refino emitirá CO2, que será capturado na emissão para ser utilizado como matéria prima na fabricação do metanol, disse em rede social o CEO da Noxis, Gabriel Debellian.

Legenda: A Refinaria do Pecém será instalada na geografia da ZPE-Ceará, no Complexo do Pecém
Foto: Bruno Gomes

Muito rápido no gatilho e ainda celebrando o licenciamento ambiental aprovado quinta-feira, 10, pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente do Ceará (Coema) para o início das obras de implantação de sua refinaria de petróleo a ser construída na geografia da ZPE do Ceará, Gabriel Debellian, CEO da Noxis Energy, que construirá o empreendimento, transmitiu ontem, sexta-feira, por uma rede social uma notícia ainda mais importante: 

A Refinaria do Pecém estará adequada à transição energética, e tanto é verdade que ela produzirá, no curto prazo, “o etanol, que é o futuro combustível marítimo”, como ele disse no áudio que postou.

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Debellian lembrou que o etanol já é utilizado hoje na fabricação do biodiesel, que é misturado ao diesel convencional. E acrescenta que, “ao contrário do que muita gente levantou sobre emissões de gases, posso afirmar que a nossa refinaria não emitirá qualquer gás tóxico”. Ele disse:

“O que a refinaria emitirá será o CO2, que “será capturado na emissão para ser utilizado como matéria prima na fabricação do metanol”. 

De acordo com Gabriel Debellian, o metanol usa o CO2 combinado com o hidrogênio “e daí sai o metanol”. 

O CEO da Noxis Energy revela que está conversando com uma empresa “de primeiríssima linha mundial que vai nos fornecer a tecnologia para – se tudo der certo — a planta específica do metanol ligada à refinaria, porque elas utilizam equipamentos em comum, o que melhora a performance financeira da refinaria e reduz os custos de operação da planta de metanol”.

Ainda segundo Debellian, a usina de metanol que a Noxis instalará na área da sua refinaria de petróleo produzirá o metanol verde, o azul e o convencional. 

“Para o metanol verde e azul, utilizaremos o Hidrogênio Verde que será produzido no Hub de Pecém. Nós vamos, então, poder oferecer essa utilização do hidrogênio, convertê-lo em etanol que poderá ser exportado ou utilizado no abastecimento de navios. Acho que esse é um projeto muito criterioso. Nós esperamos que, até o fim deste ano, começaremos as obras de preparação do terreno, agora com licença prévia, e começar os investimentos, embora já tenhamos investido muito dinheiro”, disse ele.

Ainda de acordo com Gabriel Debellian, o total orçado para a construção da refinaria do Pecém chega aos US$ 2 bilhões, ou R$ 10 bilhões. 

“Os investidores que estão conosco são sérios e grandes, que querem ter segurança jurídica e operacional, e eu acho que o Estado do Ceará e o Pecém oferecem tudo isso. Nosso projeto é um projeto vitorioso”, conclui Debellian.

Por sua vez, o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico do Governo do Ceará, Maia Júnior, que, pessoalmente, desenvolveu as negociações que atraíram a Noxis Energy para o Ceará, disse à coluna que a unidade de refino do Pecém terá um relevo estrategicamente importante “nessa questão progressista da transição energética, pois resolverá uma questão inicial e, depois, fabricará metanol, que é a base para combustíveis para navios, ou seja, ela se adequará perfeitamente à transição energética e, ainda, capturará todo o CO2, ou seja, ela não emitirá qualquer gás tóxico”.

Ainda de acordo com Maia Júnior, “para chegar à segunda fase de fabricação de metanol ou de qualquer outro combustível, a refinaria precisará de CO2 “.  Maia Júnior acrescentou:

“É preciso neste momento esclarecer o que está sendo estruturado para a economia do Ceará. O que falta agora – iniciando os projetos do Hidrogênio Verde, iniciando o projeto dessa refinaria – é disparar o projeto de tancagem de amônia, para o que o sistema de tanques do Mucuripe terá de ser substituído pela já projetada tancagem do Pecém. Além disso, será necessário acelerar o projeto de exploração industrial da mina de fosfato de Itataia, com o que o Ceará passará a ser um grande fabricante de fertilizantes. Temos diante de nós um futuro radiante”.

DENÚNCIA  CONTRA BANCO ASSUSTA EMPRESÁRIOS CEARENSES

Empresários cearenses da indústria e do mercado financeiro assustaram-se ontem diante da informação – divulgada pelo site O Bastidor, do jornalista Diego Escostegui – segundo a qual diretores do Banco Master, instituição financeira que tem crescido em alta velocidade nos últimos anos, está envolvido em uma operação fraudulenta.
Alguns empresários do Ceará são clientes do Banco Master, daí o susto.

De acordo com a reportagem, que é assinada por Escostegui, os executivos do banco usaram “laranjas profissionais, empresas de prateleira e pagamentos secretos a professores” para adquirir, por meio de um fundo ligado ao Master, a Universidade Luterana do Brasil (Ulbra).

Essa operação está sendo investigada pelo Ministério da Educação, Advocacia Geral da União (AGU) e Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, maior credor da Aelbra, mantenedora da Ulbra, que entrou em regime de recuperação judicial.

O Banco Master, por meio de nota negou as acusações.

A propósito: no último dia 7 deste mês, o Diário do Nordeste publicou notícia, ilustrada com fotos, sobre a festa de 15 anos da filha do CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, realizada na cidade mineira de Nova Lima. 

A festa foi superlativa: o bolo de aniversário custou R$ 25 mil e houve show do The Chainsmokers. Ainda segundo a matéria do DN, moradores da região ainda teriam recebido uma cesta de bebidas com um cartão, sendo convidados a hospedar-se em um hotel de luxo em Belo Horizonte. A medida seria uma forma de evitar que os vizinhos fossem incomodados pelo barulho da festa.