O Ceará visto de cima é belo e desenvolvido com coisas que preocupam
No Pecém, é grande a movimentação de navios; os projetos de criação de camarão operam a pleno; mas há parques eólicos inoperantes
Este colunista fez ontem, sexta-feira, um longo voo sobre o Litoral Norte e Oeste do Ceará, partindo de Fortaleza e chegando perto da praia de Jericocoara. Ví coisas maravilhosas, mas vi outras que me deixaram preocupados. Vamos por partes:
A primeira constatação: o mar avança sobre o litoral de Caucaia e há residências ameaçadas, mas na mesma geografia municipal há boas casas em construção. Percebe-se a existência de excelentes hotéis, incluindo o Vila Galé, ao redor do qual há chalés cuja arquitetura chama a atenção.
Segunda constatação: no Porto do Pecém, todos os berços do seu Terminal de Múltiplo Uso (Tmut), estavam ontem, 6, ocupados por navios que carregavam e descarregavam mercadorias. Ao largo, fundeados, ou seja, seguros por suas âncoras, havia 10 navios aguardando a oportunidade para atracação, o que revela a excelente e constante movimentação do principal porto marítimo cearense.
À medida que o helicóptero avançava, este colunista viu as praias de Taíba, Paracuru, Lagoinha, Flecheiras, Mundaú e Icaraizinho da Amontada e anotou, alegre, a febril construção de mais hotéis e de novas e modernas residências.
Também anotou uma malha rodoviária que – tendo a estrada Rota do Sol Poente, também chamada de Estruturante, que, na nomenclatura técnica, é a CE-085, totalmente duplicada de Caucaia até Trairi, mas em excelentes condições de tráfego até Barroquinha, onde termina no extremo Oeste – faz de toda a região sobrevoada uma área bem atendida do ponto de vista da infraestrutura de transporte. Detalhe: todas as praias são ligadas à Rota do Sol Ponte por rodovias asfaltadas.
Mais uma boa constatação: no Litoral Oeste do Ceará há mais de 10 fazendas de produção de camarão e tilápia, entre elas as da Samaria, do empresário Cristiano Maia, maior carcinicultor do país, e da Bomar, do empresário Gentil Linhares, e da família Cunha, todas muito próximas à praia, da qual captam água salgada para os viveiros onde se criam os camarões e as tilápias.
Agora, uma constatação positiva e outra negativa. A primeira refere-se aos parques eólicos que existem em abundância ao longo de todo o Litoral Norte e Oeste. Eles enfeitam a paisagem de toda a área, geram energia eólica que é injetada na rede do Sistema Elétrico Nacional, e para isto foram construídas subestações e redes de alta tensão que são vistas do alto. A maioria dos parques eólicos opera normalmente e podem ser vistas as gigantescas hélices dos seus aerogeradores girando pela força dos ventos. Esses parques também geram renda para os donos dos terrenos nos quais estão implantados.
Constatação negativa: há parques eólicos que estão inoperantes, alguns totalmente, outros parcialmente. Deve ser, talvez, por causa do curtailment, que é “a redução ou interrupção deliberada da produção de energia elétrica renovável ordenada pelo Operador Nacional do Sistema (ONS)”, como ensina o Google.
Por causa do cuartailment, a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) ergueu-se contra o ONS, pois essa redução já provocou prejuízos bilionários às empresas geradoras, mas a questão prossegue até agora sem solução.
Mais uma constatação negativa, esta ligada ao bem-estar das populações das praias e dos turistas que as frequentam: a falta de saneamento. Turismo de qualidade exige redes de abastecimento de água e de esgotamento sanitário, com sua respectiva Estação de Tratamento. Algumas poucas praias contam com essas redes, mas a maioria ainda não. São obras enterradas, ou seja, não vistas pelos eleitores, e por isto mesmo não rendem votos, mas são essenciais para a saúde humana.
Resumindo: o Ceará, visto de cima, também é deslumbrantemente belo, principalmente no seu Litoral Norte e Oeste.
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