Faec ferra e distribui mil bezerras de raça a pequenos criadores
Para melhorar a genética do rebanho leiteiro do Ceará, uniram-se a Federação da Agricultura e o governo do estado
Amílcar Silveira, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec), vice-presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e presidente do Instituto CNA, braço de tecnologia e inovação da principal entidade do agro brasileiro, desembarcou às 2 horas da madrugada de ontem em Fortaleza procedente de Brasília, onde passou a semana. Às 6h30, viajando de caminhonete, chegou em Limoeiro do Norte, 150 km ao Sul de Fortaleza, para acompanhar o trabalho de ferradura de 1 mil bezerras de alta linhagem, produto de um programa criado e desenvolvido pela Faec em convênio com a Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE) do governo do estado para a melhoria genética do rebanho leiteiro cearense. Esse programa tem foco, principalmente, nas regiões onde a pecuária leiteira tem papel socioeconômico relevante.
Essas bezerras produzirão 30 litros de leite por dia. Novidade: elas serão distribuídas aos pequenos produtores que atenderam aos requisitos exigidos pelo capítulo cearense do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), cujo superintendente, agrônomo Sérgio Oliveira, não esconde seu entusiasmo com os excelentes resultados que apresenta. Tem mais: ele se junta a outro projeto importante da Faec, o de Fertilização in Vitro (FIV), que cresce no ritmo do frevo. O entusiasmo do superintendente do Senar Ceará é o mesmo do presidente da Faec:
“Todo o nosso esforço é no sentido de mudar para melhor o atual estágio da pecuária leiteira do Ceará, que já é muito bom graças ao dedicado trabalho de vários grandes pecuaristas, como Luiz Girão, fundador da Betânia e dono da Fazenda Flor da Serra, que há muito tempo, com o apoio do Banco do Nordeste, vem desenvolvendo, com grande sucesso, um projeto de interação com pequenos produtores de leite com o mesmo objetivo: melhorar a qualidade genética do nosso rebanho”, disse Amílcar Silveira com a concordância de Sérgio Oliveira.
O secretário da SDE, Fábio Feijó, e o seu secretário Executivo do Agronegócio, Sílvio Carlos Ribeiro, que acompanharam ontem, em Limoeiro do Norte, à ferradura das mil bezerras, também não esconderam a alegria pelos excelentes resultados colhidos agora como resultado do convênio celebrado com a Faec. Feijó disse:
“Esta é mais uma prova do que pode o trabalho conjunto do governo com o setor privado. Não tenho dúvida de que, em pouco tempo, o rebanho bovino leiteiro do Ceará, que já vem crescendo graças ao esforço dos criadores, ampliará o salto de qualidade que se registra nos últimos anos.”
Por sua vez, o secretario Sílvio Carlos Ribeiro, que pessoalmente acompanha a execução do convênio, faz a mesma aposta:
“Há, de uns tempos para cá, um importante movimento na pecuária cearense no sentido de melhorar a genética do seu rebanho, algo que já vem sendo feito pelos próprios pecuaristas. Agora, com a participação do governo, esse esforço será multiplicado e os resultados já podem ser observados com o evento de hoje, a ferradura, com a marca da CNA, de mil bezerras de alta linha, que serão distribuídas a pequenos produtores de leite”, disse Sílvio Carlos Ribeiro.
Ao mesmo tempo em que é executado o convenio da SDE com a Faec, prossegue com êxito a execução do FIV, criado há dois e que é tocado pela Faec/Senar com a participação de uma empresa especializada que tem um banco de sêmen de reprodutores premiados. A Inseminação in Vitro tem colhido resultados que entusiasmam o comando da Faec e do Senar e, também, os pequenos criadores, que, aliás, são o alvo do FIV, ao qual aderiram todos os sindicatos rurais das regiões nas quais é intensa a atividade da pecuária leiteira.
A Faec vem atuando em várias frentes além da pecuária leiteira. A de corte tem merecido, nos últimos meses, atenção especial da entidade, que anunciará no próximo mês de outubro um programa voltado exclusivamente para os donos de rebanhos bovinos de corte, tudo com vistas voltadas para o frigorífico que o Grupo Masterboi construirá em Iguatu.
Esta coluna informa que as obras de construção desse equipamento começarão no próximo mês de janeiro e estarão concluídas em agosto de 2028, quando o frigorífico entrará em operação, abatendo, inicialmente, 600 animais por dia, número que saltará, em um ano, para 1 mil animais.
A propósito: ontem, três empresários cearenses do agro, só um dos quais envolvido com a pecuária bovina, viajaram para São Paulo. Lá, verão o funcionamento de uma fazenda de engorda de boi. Os três decidiram investir na pecuária de corte já de olho no frigorífico da Masterboi, que será o grande e exclusivo cliente dos pecuaristas do Ceará. A pecuária cearense, pelo andar da carruagem e pelo que se lê e ouve, dará um salto de quantidade e qualidade nos próximos três anos.
Outra frente de ação da Faec são as exposições agropecuárias. Para ordená-las, a entidade criou e cumpre um calendário de feiras, distribuídas pelas várias regiões do estado. Por exemplo, nesta semana, realiza-se, desde quinta-feira, 13, a Exposição da Agropecuária de Quixadá; na próxima semana, de 23 a 30 deste mês, será realizada a Expoita, que é a Exposição da Agropecuária de Itapipoca. A próxima grande feira do agro cearense será a ExpoCariri, que se realizará de 29 a 31 do próximo mês de outubro na fazenda experimental da Embrapa em Barbalha.
BNB bate recorde e contrata R$ 21,3 bi no segundo trimestre
O desempenho foi impulsionado especialmente pelas operações de microfinanças urbanas e rurais
Mais um recorde quebrado pelo Banco do Nordeste (BNB), que contratou mais de R$ 21,3 bilhões em crédito no segundo trimestre de 2026, resultado sem precedentes para o período e superior em R$ 260 milhões ao registrado no mesmo trimestre do ano anterior. O desempenho foi impulsionado especialmente pelas operações de microfinanças urbanas e rurais, que mantiveram trajetória de crescimento e ampliaram o alcance do crédito junto aos segmentos produtivos da região.
Para o presidente do BNB, Paulo Câmara, os resultados demonstram a capacidade da Instituição de ampliar oportunidades para quem produz e empreende.
“Mais uma vez tivemos resultados recordes em contratações e no microcrédito. Esses números demonstram o compromisso do Banco do Nordeste com o desenvolvimento da região e, sobretudo, com o fortalecimento dos segmentos que estão na base da nossa cadeia produtiva. Mais do que números, esses resultados representam oportunidades, geração de renda, fortalecimento dos pequenos negócios e melhoria da qualidade de vida de milhões de brasileiros”, afirma Câmara.
No trimestre abril-maio-junho deste ano, o Crediamigo alcançou R$ 3,5 bilhões em financiamentos, crescimento de 4,3% em relação ao mesmo período de 2025. Já o Agroamigo registrou R$ 3,1 bilhões em operações, avanço de 23,7% na comparação anual.
Os programas reforçam a atuação do Banco junto aos microempreendedores urbanos e aos agricultores familiares, públicos estratégicos para a geração de emprego, renda e dinamização das economias locais.
O diretor financeiro e de crédito do BNB, Wanger Rocha, destaca que o desempenho reflete uma estratégia voltada à ampliação das fontes de recursos e ao fortalecimento da capacidade de financiamento da Instituição.
“O Banco vem investindo na modernização de produtos e serviços e na diversificação de fundings, especialmente por meio de parcerias com organismos multilaterais e instituições voltadas ao desenvolvimento. Essa estratégia fortalece nossa capacidade de apoiar investimentos produtivos e sustentáveis em toda a área de atuação do Banco”, ressalta ele.
No acumulado do primeiro semestre de 2026, o Banco do Nordeste contratou R$ 32,9 bilhões em crédito, distribuídos em 2,5 milhões de operações, e encerrou o período com carteira administrada de R$ 183,4 bilhões, crescimento de 10,7% em relação ao mesmo período do ano passado.
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