Atenção! O Brasil envelhece. Isto afeta o mercado de trabalho
A diversidade etária deixa de ser apenas uma pauta de inclusão e passa a fazer parte das discussões sobre o futuro do trabalho
Está acontecendo em São Paulo o MaturiFest, um festival dedicado à longevidade. Iniciado ontem, o evento prosseguirá até amanhã, sábado, 15. Os debates reúnem empresas e entidades diretamente ligadas ao tema do envelhecimento da população brasileira, que já está transformando a sociedade. Empresas e organizações ainda precisam adaptar-se à realidade: as pessoas vivem e trabalham por mais tempo.
Um dos destaques da programação do primeiro dia do MaturiFest foi o painel “Age Friendly (amizade para todas as idades): da intenção à prática”, que colocou no centro da discussão o papel das empresas na construção de ambientes de trabalho preparados para diferentes gerações. O conceito vai além da presença de profissionais 50+ nas organizações: envolve uma mudança de cultura e de práticas para que a experiência e o conhecimento desses profissionais sejam reconhecidos e possam continuar contribuindo para os negócios.
O debate também marcou um momento importante para essa agenda no Brasil. A Volkswagen tornou-se a primeira montadora do País a receber a certificação Age Friendly, concedida no Brasil pela Maturi.
Para Angie Stelzer, vice-presidente de Recursos Humanos da Volkswagen do Brasil e da América do Sul, conquistar o selo representa o começo de um processo que precisa continuar avançando.
“Esse não é o final, é o primeiro passo. É o começo de uma jornada que tem que ser contínua”, afirmou ela.
Segundo Angie, o valor da certificação está também em colocar o tema em discussão dentro das empresas e estimular uma mudança que não termina com a obtenção do reconhecimento. A partir desse primeiro passo, o desafio é incorporar a intergeracionalidade de forma cada vez mais consistente e alinhada à cultura e às práticas organizacionais.
A discussão sobre o tema também mostra uma mudança na própria relação entre longevidade e trabalho. Com carreiras mais longas e profissionais permanecendo por mais tempo economicamente ativos, empresas passam a precisar de estratégias capazes de acompanhar diferentes momentos da vida profissional. Nesse cenário, a diversidade etária deixa de ser apenas uma pauta de inclusão e passa a fazer parte das discussões sobre futuro do trabalho, retenção de conhecimento e aproveitamento de diferentes experiências dentro das organizações.
Se, no ambiente corporativo, a mudança passa por criar espaço para diferentes gerações, nas trajetórias individuais ela também significa continuar aprendendo e se reinventando. Aos 66 anos, Hortência Marcari, ex-jogadora da Seleção Brasileira de Basquete e medalhista olímpica, falou sobre sua própria relação com a maturidade. “A busca não determina a sua idade. A busca determina a sua vontade de conhecimento”, afirmou.
A atriz Beth Goulart também participou da programação e falou sobre maturidade, criatividade e sua trajetória profissional. À frente do espetáculo Eu, Clarice Lispector, em cartaz há 17 anos, ela destacou como a experiência acumulada ao longo da vida pode abrir espaço para novas criações. “O tempo aprimora o que nós temos de melhor. Então todas as nossas capacidades, nossos sonhos, nossas descobertas, nossas bagagens de vida estão agora à disposição do mundo”, afirmou.
Para Andrea Tenuta, líder de Negócios da Maturi, os debates do primeiro dia mostram que a longevidade já está produzindo mudanças concretas na sociedade.
“A longevidade não é uma questão do futuro. Ela já está transformando a forma como trabalhamos, nos relacionamos e pensamos nossas trajetórias. O desafio agora é garantir que empresas e sociedade estejam preparadas para essa nova realidade”, disse Tenuta.
O primeiro dia do MaturiFest reforçou, assim, que viver mais também significa repensar como trabalhamos, criamos, aprendemos e contribuímos ao longo da vida — e que essa transformação precisa acontecer tanto nas empresas quanto na sociedade.
Veja também