M. Dias Branco tem lucro líquido de R$ 275 milhões no 1º semestre
Empresa líder do mercado nacional de massas e biscoitos vendeu 477 mil toneladas no segundo trimestre, 4% a mais do que no mesmo período de 2025
Líder nacional em massas, biscoitos e granolas, a cearense M. Dias Branco encerrou o segundo trimestre de 2026 (2T26) com crescimento de 4% no volume vendido, chegando a 477 mil toneladas no trimestre e a 885 mil toneladas no primeiro semestre do ano. Foi o quarto trimestre consecutivo de crescimento do volume vendido, com ganho de market share em quase todas as categorias.
O lucro líquido do segundo trimestre (abril, maio, junho) deste ano foi de R$ 169 milhões. No primeiro semestre (janeiro a junho), o lucro líquido alcançou R$ 275 milhões.
No 2T26, a receita líquida caiu 1% na comparação com o 2T25, mas ficou acima da registrada no primeiro trimestre deste ano. Com o expressivo aumento de volumes, houve diluição de custos fixos, o que permitiu que a margem bruta chegasse a 34,2% no período, ante 33,4% no ano anterior.
“Além da diluição de custos fixos, houve redução de custos variáveis, como trigo e câmbio, o que nos favoreceu, mas também se refletiu na queda do preço médio das principais categorias. Estamos vivendo um ambiente de consumo desafiador, marcado por endividamento das famílias, juros altos e mudanças de hábitos, o que limita resultados inclusive em itens básicos. Conseguimos ganhar volume com atenção rigorosa à precificação, evitando tanto aumentos acima do mercado quanto movimentos agressivos de preço”, explica Fábio Cefaly, diretor de Novos Negócios e Relações com Investidores da companhia.
De acordo com Cefaly, o desempenho comercial se deve principalmente a dois fatores: à reestruturação comercial que já estava em curso, com criação de diretorias dedicadas às diferentes categorias (Biscoitos e Massas; Food Service; Saudáveis e Snacks), o que elevou foco e dinamismo; e à utilização criteriosa da verba de marketing, com aumento de ações voltadas para o varejo, como ativações no ponto de venda, promoções e prêmios. “Além disso, melhorias operacionais e logísticas aumentaram o nível de serviço para os varejistas”, destaca Cefaly.
O trimestre foi marcado por ações em todas as frentes de negócios. A marca Vitarella realizou uma das maiores campanhas de sua história, com o cantor João Gomes e produtos sazonais inspirados nas festas juninas, como lámen baião de dois, wafer de canjica e cookies de cocada. A companhia também colheu resultados com o portfólio voltado para a Copa do Mundo, com lámens e snacks temáticos. Na M. Dias Branco Profissional, foi lançada a marca Gran Farelo, voltada à alimentação animal, transformando o farelo de trigo, antes um resíduo da moagem, em um negócio promissor e de maior valor agregado.
O grupo de produtos Adjacências, que reúne bolos, snacks, misturas para bolos, torradas, saudáveis (Jasmine e Fit Food), molhos e temperos, novamente foi destaque no trimestre, com crescimento de 12,4% da receita líquida no 2T26 em comparação com o mesmo período do ano passado. “É o oitavo trimestre consecutivo de crescimento deste grupo, o que corrobora a visão de longo prazo da companhia, com aquisições assertivas que hoje trazem contribuição importante para o negócio”, afirma Cefaly.
A companhia registrou Ebitda e lucro líquido menores na comparação anual, porém com evolução positiva em relação ao 1T26. Um dos fatores que gerou custos adicionais, reduzindo o lucro líquido, foi o aumento do custo do frete em função da guerra no Oriente Médio, cujo impacto resultou em perda de cerca de R$ 6 milhões.
A baixíssima alavancagem e a expressiva posição de caixa — cerca de R$ 2 bilhões e caixa líquido de R$ 767 milhões ao fim do trimestre — permitiram que a companhia entrasse em um novo ciclo de investimentos nas unidades industriais, buscando ganhos de qualidade e eficiência. Somente no segundo trimestre, o CAPEX alcançou R$ 101,8 milhões, quase o dobro do registrado no ano anterior, com foco em automação e modernização de linhas, embalagens e sistemas.
CRESCENDO EM CENÁRIO ECONÔMICO COMPLICADO, DIZ THEODÓSIO
Vice-presidente de Investimentos e Controladoria e Diretor de Relações Com investudores deM. Dias Branco, o economista Gustavo Theodósio, concedeu entrevista exclusiva a esta coluna, sobre os resultados do balanço da empresa relativo ao segundo trimestre deste ano. Ei-la:
Como M. Dias Branco mantém a liderança do mercado brasileiro de massas, biscoitos e granolas diante de um cenário econômico de juros altos, endividamento das famílias e forte atuação das casas de apostas, que atraem parte da renda do trabalhador brasileiro?
Mesmo diante desse cenário desafiador, chegamos ao quarto trimestre consecutivo de crescimento no volume de vendas, indicando ganho de market share em quase todas as categorias. O ambiente é complexo, pois reúne endividamento das famílias, juros altos e mudança de hábitos, o que limita resultados, inclusive em itens básicos. Em relação ao endividamento das famílias, que reduz os recursos disponíveis para compras, inclusive de alimentos, procuramos ser assertivos na precificação, para que nossos produtos estejam disponíveis e sejam acessíveis a todos os públicos.
2. Como está e como, na sua visão, estará o mercado ao longo deste semestre?
O ambiente macroeconômico interno e externo continua bastante complexo, o que torna difícil fazer previsões para o restante do semestre. O que podemos afirmar é que a M. Dias Branco está hoje mais preparada para enfrentar diferentes cenários de mercado. Nos últimos anos, implementamos uma série de iniciativas que aumentaram nossa competitividade, como a reorganização da estrutura comercial, com equipes dedicadas às diferentes frentes de crescimento, uma atuação mais próxima de clientes e consumidores, uma gestão mais eficiente dos investimentos em marketing e avanços relevantes em logística e nível de serviço. Tudo isso tem nos permitido ganhar espaço no mercado, fortalecer nossas marcas e responder com mais agilidade às mudanças de ambiente. Em outras palavras, seguimos focados naquilo que está ao nosso alcance, reforçando continuamente nossos diferenciais competitivos para sustentar o crescimento da Companhia.
3. Apesar do atual momento de dificuldade causada pela divergência entre as políticas fiscal e monetária, a M. Dias Branco tem planos de ir às compras?
A estratégia de crescer organicamente, mas também por meio de aquisições, faz parte do DNA da companhia. Tanto que hoje 60% de nossa receita vem de marcas adquiridas, como Adria, Piraquê, Vitarella e Jasmine, só para citar algumas. Mas o crescimento orgânico também é muito importante e, por isso, fazemos investimentos permanentes na modernização de nossas plantas. Somente no primeiro semestre deste ano, o CAPEX alcançou R$ 273,5 milhões, quase o dobro do investido no primeiro semestre do ano passado, com foco em automação e modernização de linhas, embalagens e sistemas.
Veja também