Evangelho da Paixão e Morte de Jesus Cristo
Hoje, domingo de Ramos, a Igreja Católica recorda a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, seu flagelo e sua crucifixão
Naquele tempo: Um dos doze discípulos, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes e disse: 'O que me dareis se vos entregar Jesus?' Combinaram, então, trinta moedas de prata. E daí em diante, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus. Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa? No primeiro dia da festa dos Ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: 'Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?' Jesus respondeu: 'Ide à cidade, procurai certo homem e dizei-lhe: 'O Mestre manda dizer: o meu tempo está próximo, vou celebrar a Páscoa em tua casa, junto com meus discípulos'.' Os discípulos fizeram como Jesus mandou e prepararam a Páscoa.
Ao cair da tarde, Jesus pôs-se à mesa com os doze discípulos. Enquanto comiam, Jesus disse: 'Em verdade eu vos digo, um de vós vai me trair.' Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar: 'Senhor, será que sou eu?' Jesus respondeu: 'Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão no prato. O Filho do Homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito dele. Contudo, ai daquele que trair o Filho do Homem! Seria melhor que nunca tivesse nascido!' Então Judas, o traidor, perguntou: 'Mestre, serei eu?' Jesus lhe respondeu: 'Tu o dizes.' Enquanto comiam, Jesus tomou um pão e, tendo pronunciado a bênção, partiu-o, distribuiu-o aos discípulos, e disse: 'Tomai e comei, isto é o meu corpo.' Em seguida, tomou um cálice, deu graças e entregou-lhes, dizendo: 'Bebei dele todos. Pois isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para remissão dos pecados. Eu vos digo: de hoje em diante não beberei deste fruto da videira, até ao dia em que, convosco, beberei o vinho novo no Reino do meu Pai.' Depois de terem cantado salmos, foram para o monte das Oliveiras. Então Jesus disse aos discípulos: 'Esta noite, vós ficareis decepcionados por minha causa. Pois assim diz a Escritura: 'Ferirei o pastor e as ovelhas do rebanho se dispersarão.' Mas, depois de ressuscitar, eu irei à vossa frente para a Galiléia.' Disse Pedro a Jesus: 'Ainda que todos fiquem decepcionados por tua causa, eu jamais ficarei.' Jesus lhe declarou: 'Em verdade eu te digo, que, esta noite, antes que o galo cante, tu me negarás três vezes.' Pedro respondeu: 'Ainda que eu tenha de morrer contigo, mesmo assim não te negarei.' E todos os discípulos disseram a mesma coisa. Começou a ficar triste e angustiado.
Então Jesus foi com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse: 'Sentai-vos aqui, enquanto eu vou até ali para rezar!' Jesus levou consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, e começou a ficar triste e angustiado. Então Jesus lhes disse: 'Minha alma está triste até á morte. Ficai aqui e vigiai comigo!' Jesus foi um pouco mais adiante, prostrou-se com o rosto por terra e rezou: 'Meu Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice. Contudo, não seja feito como eu quero, mas sim como tu queres.' Voltando para junto dos discípulos, Jesus encontrou-os dormindo, e disse a Pedro: 'Vós não fostes capazes de fazer uma hora de vigília comigo? Vigiai e rezai, para não cairdes em tentação; pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca.' Jesus se afastou pela segunda vez e rezou: 'Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, seja feita a tua vontade!' Ele voltou de novo e encontrou os discípulos dormindo, porque seus olhos estavam pesados de sono. Deixando-os, Jesus afastou-se e rezou pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras. Então voltou para junto dos discípulos e disse: 'Agora podeis dormir e descansar. Eis que chegou a hora e o Filho do Homem é entregue nas mãos dos pecadores. Levantai-vos! Vamos! Aquele que me vai trair, já está chegando.' Lançaram as mãos sobre Jesus e o prenderam. Jesus ainda falava, quando veio Judas, um dos Doze, com uma grande multidão armada de espadas e paus. Vinham a mandado dos sumos sacerdotes e dos anciãos do povo.
O traidor tinha combinado com eles um sinal, dizendo: 'Jesus é aquele que eu beijar; prendei-o!' Judas, logo se aproximou de Jesus, dizendo: 'Salve, Mestre!' E beijou-o. Jesus lhe disse: 'Amigo, a que vieste?' Então os outros avançaram lançaram as mãos sobre Jesus e o prenderam. Nesse momento, um dos que estavam com Jesus estendeu a mão, puxou a espada, e feriu o servo do Sumo Sacerdote, cortando-lhe a orelha. Jesus, porém, lhe disse: 'Guarda a espada na bainha! pois todos os que usam a espada pela espada morrerão. Ou pensas que eu não poderia recorrer ao meu Pai e ele me mandaria logo mais de doze legiões de anjos? Então, como se cumpririam as Escrituras, que dizem que isso deve acontecer? E, naquela hora, Jesus disse à multidão: 'Vós viestes com espadas e paus para me prender, como se eu fosse um assaltante. Todos os dias, no Templo, eu me sentava para ensinar, e vós não me prendestes.' Porém, tudo isto aconteceu para se cumprir o que os profetas escreveram.
Então todos os discípulos, abandonando Jesus, fugiram. Aqueles que prenderam Jesus levaram-no à casa do Sumo Sacerdote Caifás, onde estavam reunidos os mestres da Lei e os anciãos. Pedro seguiu Jesus de longe até o pátio interno da casa do Sumo Sacerdote. Entrou e sentou-se com os guardas para ver como terminaria tudo aquilo.
Ora, os sumos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um falso testemunho contra Jesus, a fim de condená-lo à morte. E nada encontraram, embora se apresentassem muitas falsas testemunhas. Por fim, vieram duas testemunhas, que afirmaram: 'Este homem declarou: 'posso destruir o Templo de Deus e construí-lo de novo em três dias'.' Então o Sumo Sacerdote levantou-se e perguntou a Jesus: 'Nada tens a responder ao que estes testemunham contra ti?' Jesus, porém, continuava calado. E o Sumo Sacerdote lhe disse: 'Eu te conjuro pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Messias, o Filho de Deus.' Jesus respondeu: 'Tu o dizes. Além disso, eu vos digo que de agora em diante vereis o Filho do Homem sentado à direita do Todo-poderoso, vindo sobre as nuvens do céu.' Então o sumo sacerdote rasgou suas vestes e disse: 'Blasfemou! Que necessidade temos ainda de testemunhas? Pois agora mesmo vós ouvistes a blasfêmia. Que vos parece?' Responderam: 'É réu de morte!' Então cuspiram no rosto de Jesus e o esbofetearam. Outros lhe deram bordoadas, dizendo: 'Faze-nos uma profecia, Cristo, quem foi que te bateu?'
Pedro estava sentado fora, no pátio. Uma criada chegou perto dele e disse: 'Tu também estavas com Jesus, o Galileu!' Mas ele negou diante de todos: 'Não sei o que tu estás dizendo'. E saiu para a entrada do pátio. Então uma outra criada viu Pedro e disse aos que estavam ali: 'Este também estava com Jesus, o Nazareno.' Pedro negou outra vez, jurando: 'Nem conheço esse homem!' Pouco depois, os que estavam ali aproximaram-se de Pedro e disseram: 'É claro que tu também és um deles, pois o teu modo de falar te denuncia.' Pedro começou a maldizer e a jurar, dizendo que não conhecia esse homem!' E nesse instante o galo cantou. Pedro se lembrou do que Jesus tinha dito: 'Antes que o galo cante, tu me negarás três vezes.' E saindo dali, chorou amargamente.
De manhã cedo, todos os sumos sacerdotes e os anciãos do povo convocaram um conselho contra Jesus, para condená-lo à morte. Eles o amarraram, levaram-no e o entregaram a Pilatos, o governador. Então Judas, o traidor, ao ver que Jesus fora condenado, ficou arrependido e foi devolver as trinta moedas de prata aos sumos sacerdotes e aos anciãos, dizendo: 'Pequei, entregando à morte um homem inocente.' Eles responderam: 'O que temos nós com isso? O problema é teu.' Judas jogou as moedas no santuário, saiu e foi se enforcar. Recolhendo as moedas, os sumos sacerdotes disseram: 'É contra a Lei colocá-las no tesouro do Templo, porque é preço de sangue.' Então discutiram em conselho e compraram com elas o Campo do Oleiro, para aí fazer o cemitério dos estrangeiros. É por isso que aquele campo até hoje é chamado de 'Campo de Sangue'.
Assim se cumpriu o que tinha dito o profeta Jeremias: 'Eles pegaram as trinta moedas de prata - preço do Precioso, preço com que os filhos de Israel o avaliaram -e as deram em troca do Campo do Oleiro, conforme o Senhor me ordenou!' Jesus foi posto diante do governador, e este o interrogou: 'Tu és o rei dos judeus?' Jesus declarou: 'É como dizes', e nada respondeu, quando foi acusado pelos sumos sacerdotes e anciãos. Então Pilatos perguntou: 'Não estás ouvindo de quanta coisa eles te acusam?' Mas Jesus não respondeu uma só palavra, e o governador ficou muito impressionado. Na festa da Páscoa, o governador costumava soltar o prisioneiro que a multidão quisesse. Naquela ocasião, tinham um prisioneiro famoso, chamado Barrabás. Então Pilatos perguntou à multidão reunida: 'Quem vós quereis que eu solte: Barrabás, ou Jesus, a quem chamam de Cristo?'
Pilatos bem sabia que eles haviam entregado Jesus por inveja. Enquanto Pilatos estava sentado no tribunal, sua mulher mandou dizer a ele: 'Não te envolvas com esse justo! porque esta noite, em sonho, sofri muito por causa dele.' Porém, os sumos sacerdotes e os anciãos convenceram as multidões para que pedissem Barrabás e que fizessem Jesus morrer. O governador tornou a perguntar: 'Qual dos dois quereis que eu solte?' Eles gritaram: 'Barrabás.' Pilatos perguntou: 'Que farei com Jesus, que chamam de Cristo?' Todos gritaram: 'Seja crucificado!' Pilatos falou: 'Mas, que mal ele fez?' Eles, porém, gritaram com mais força: 'Seja crucificado!' Pilatos viu que nada conseguia e que poderia haver uma revolta. Então mandou trazer água, lavou as mãos diante da multidão, e disse: 'Eu não sou responsável pelo sangue deste homem. Este é um problema vosso!' O povo todo respondeu: 'Que o sangue dele caia sobre nós e sobre os nossos filhos'.
Então Pilatos soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus, e entregou-o para ser crucificado. Em seguida, os soldados de Pilatos levaram Jesus ao palácio do governador, e reuniram toda a tropa em volta dele. Tiraram sua roupa e o vestiram com um manto vermelho; depois teceram uma coroa de espinhos, puseram a coroa em sua cabeça, e uma vara em sua mão direita. Então se ajoelharam diante de Jesus e zombaram, dizendo: 'Salve, rei dos judeus!' Cuspiram nele e, pegando uma vara, bateram na sua cabeça. Depois de zombar dele, tiraram-lhe o manto vermelho e, de novo, o vestiram com suas próprias roupas.
Daí o levaram para crucificar. Com ele também crucificaram dois ladrões. Quando saíam, encontraram um homem chamado Simão, da cidade de Cirene, e o obrigaram a carregar a cruz de Jesus. E chegaram a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer 'lugar da caveira'. Ali deram vinho misturado com fel para Jesus beber. Ele provou, mas não quis beber. Depois de o crucificarem, fizeram um sorteio, repartindo entre si as suas vestes. E ficaram ali sentados, montando guarda. Acima da cabeça de Jesus puseram o motivo da sua condenação: 'Este é Jesus, o Rei dos Judeus.' Com ele também crucificaram dois ladrões, um à direita e outro à esquerda de Jesus. As pessoas que passavam por ali o insultavam, balançando a cabeça e dizendo: 'Tu que ias destruir o Templo e construí-lo de novo em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz!' Do mesmo modo, os sumos sacerdotes, junto com os mestres da Lei e os anciãos, também zombaram de Jesus: 'A outros salvou... a si mesmo não pode salvar! É Rei de Israel... Desça agora da cruz! e acreditaremos nele. Confiou em Deus; que o livre agora, se é que Deus o ama!
Já que ele disse: Eu sou o Filho de Deus.' Do mesmo modo, também os dois ladrões que foram crucificados com Jesus, o insultavam. Desde o meio-dia até às três horas da tarde, houve escuridão sobre toda a terra.
Pelas três horas da tarde, Jesus deu um forte grito: 'Eli, Eli, lamá sabactâni?', que quer dizer: 'Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?' Alguns dos que ali estavam, ouvindo-o, disseram: 'Ele está chamando Elias!' E logo um deles, correndo, pegou uma esponja, ensopou-a em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara, e lhe deu para beber. Outros, porém, disseram: 'Deixa, vamos ver se Elias vem salvá-lo!' Então Jesus deu outra vez um forte grito e entregou o espírito.
E eis que a cortina do santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes, a terra tremeu e as pedras se partiram. Os túmulos se abriram e muito corpos dos santos falecidos ressuscitaram! Saindo dos túmulos, depois da ressurreição de Jesus, apareceram na Cidade Santa e foram vistos por muitas pessoas. O oficial e os soldados que estavam com ele guardando Jesus, ao notarem o terremoto e tudo que havia acontecido, ficaram com muito medo e disseram: 'Ele era mesmo Filho de Deus!' Grande número de mulheres estava alí, olhando de longe. Elas haviam acompanhado Jesus desde a Galiléia, prestando-lhe serviços. Entre elas estavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.
Ao entardecer, veio um homem rico de Arimatéia, chamado José, que também se tornara discípulo de Jesus. Ele foi procurar Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que lhe entregassem o corpo. José, tomando o corpo, envolveu-o num lençol limpo, e o colocou em um túmulo novo, que havia mandado escavar na rocha. Em seguida, rolou uma grande pedra para fechar a entrada do túmulo, e retirou-se. Maria Madalena e a outra Maria estavam ali sentadas, diante do sepulcro.
No dia seguinte, como era o dia depois da preparação para o sábado, os sumos sacerdotes e os fariseus foram ter com Pilatos, e disseram: 'Senhor, nós nos lembramos de que quando este impostor ainda estava vivo, disse: 'Depois de três dias eu ressuscitarei!' Portanto, manda guardar o sepulcro até ao terceiro dia, para não acontecer que os discípulos venham roubar o corpo e digam ao povo: 'Ele ressuscitou dos mortos!' pois essa última impostura seria pior do que a primeira.' Pilatos respondeu: 'Tendes uma guarda. Ide e guardai o sepulcro como melhor vos parecer.' Então eles foram reforçar a segurança do sepulcro: lacraram a pedra e montaram guarda.
Reflexão – Somos nós os culpados!
Veja também
A Liturgia do Domingo de Ramos nos prepara para a Semana Santa e nos dá a oportunidade de relembrar a história da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Quando meditamos sobre estes momentos nós contemplamos a história da nossa salvação e podemos mensurar o grande Amor de Deus por cada um de nós. O Relato da Paixão e Morte de N. S. Jesus Cristo nos leva a conscientizarmo-nos do objetivo do sacrifício de Jesus que foi o de nos libertar da morte eterna a que estávamos destinados por causa do nosso pecado. De alguma forma somos coniventes com tudo o que aconteceu, portanto, somos nós os culpados. Temos de admitir que ao mesmo tempo em que somos protagonistas da dor de Jesus não podemos nos isentar da culpa que O crucificou. Façamos, portanto, uma leitura atenciosa do longo trecho do Evangelho de hoje e revivamos com Jesus os momentos da Sua Paixão e Morte. Os acontecimentos que antecederam a Paixão de Jesus, a Sua entrega no Getsêmani, quando sofreu a grande agonia e se rendeu à vontade do Pai. Contemplando a dor de Jesus e de Sua Mãe Maria nós podemos nos colocar diante da Sua Cruz e oferecer também a Ele as nossas dificuldades, nossas dores, nossas inquietações. O sofrimento que é colocado na Cruz de Jesus torna-se redentor e nos leva a experimentar a libertação e o consolo. Apesar da nossa falta de entendimento, podemos experimentar, simplesmente, a alegria de sofrer por amor a Ele. A Ele podemos dizer apenas: “Senhor, eu não entendo nada, mesmo assim confio em Vós!” – Você já sabia que somos culpados pela Paixão e Morte de Jesus? - Qual o sentimento que se apossa do seu coração quando reflete sobre a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo? Anote no seu caderno de oração!
Helena Colares Serpa – Comunidade Católica Missionária Mariana UM NOVO CAMINHO